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Palavra do leitor

Não convém parar

O 20 de agosto é uma data mui especial, completo 18 anos sendo acolhido neste espaço semanal, desde 2008; vezes há em que sou "tentado" a parar: idoso, 85 anos, quiçá temas esgotados.

Os leitores devem conhecer a luta que se trava quando se quer fazer a obra de Deus; surgem obstáculos, ocorrem incidentes e acidentes, pessoas se interpõem; se não houver alicerces na Rocha, que é o Senhor Jesus, a obra é interrompida, não é terminada.

Isso me remete ao texto bíblico sobre a reconstrução dos muros, do templo e da própria cidade de Jerusalém, que se deu a partir da ordem de Ciro, autorizando-a; vou enfocar apenas uma pequena parte do Livro de Neemias, pois o que nos toca é muito mais a sua postura do que a obra em si.

Como sempre ocorre houve opositores, críticos, inimigos; seus nomes eram Sambalate, o horonita, Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, que, quando souberam da obra, zombaram de Neemias e seus auxiliares, e os desprezaram, e disseram: "que é isso que fazeis?" (Neemias 2.19).

Os três procuravam, de todas as maneiras, atrapalhar o que faziam Neemias e seus companheiros; este, então, respondeu aos seus críticos: "o Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós seus servos nos disporemos e reedificaremos; vós, todavia, não tendes parte, nem direito, nem memorial em Jerusalém" (2.20).

Sambalate continuou sua indigna campanha contra os construtores de tão importante obra, importante porque era a Casa de Deus e quando soube que o muro estava, mesmo assim, sendo edificado ardeu em ira, se indignou muito e escarneceu dos judeus (4.1).

Continuava a obra em andamento e os inimigos, na pessoa de Sambalate, se indignavam, tramavam, rogavam maldições, enfim tudo faziam no sentido de impedir a reconstrução; Neemias e seus ajudantes prosseguiam e nem para dormir largavam seus pertences, se deitavam com as suas vestes e suas armas.

Essa foi a maneira pela qual a obra teve continuidade, esses servos fiéis de Deus não se intimidaram, deram andamento ao serviço; vendo os inimigos que a obra tinha sido terminada e que não havia brecha alguma no muro, embora as portas não tivessem ainda sido postas, tramaram contra Neemias e seus colaboradores e mandaram o seguinte recado: "encontremo-nos nas aldeias, no vale de Ono" (6.2).

Tiveram como resposta de Neemias: "Estou fazendo grande obra de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?" (v. 3); por mais quatro vezes os inimigos enviaram o mesmo pedido e tiveram resposta idêntica.

Até o seu término a obra continuou quando os inimigos reconheceram que por intervenção de Deus é que a obra tinha sido concluída.

Devo dar destaque à postura de Neemias de não desperdiçar tempo com o adversário, de não parar a obra principalmente por se tratar da obra de Deus; estou fazendo grande obra, disse ele, e não vou descer; não desceu, não parou o trabalho, não interrompeu a missão e a completou.

São assim as interferências do inimigo de Deus travestido de pessoas ou de animais, conforme a serpente lá no Éden e Sambalate e seus comparsas aqui; ele sempre existiu e se perpetuará até ao dia final, quando for derrotado pelo Senhor Jesus.

Reafirmo que a luta é grande e se não houver alicerces no Senhor Jesus [a Rocha] a obra é interrompida, não é terminada, muitos tombam em meio ao caminho.

Temos que ter a postura de Neemias quando no trabalho do Senhor: não vamos descer, não vamos parar a obra, não vamos sair da segurança do nosso campo de trabalho para ir discutir, lá embaixo, no campo do inimigo; se o fizermos ficaremos vulneráveis aos ataques e, uma vez vulneráveis, seremos derrotados, poderemos vir a ser levados pela ação inteligente, apesar de maligna, dos adversários do cristianismo que se manifestam pelo simples prazer de se opor, além de o fazerem em nome de quem quer, a todo custo, paralisar a obra, impedir que a Missão seja levada a efeito, pois sabem que, nós os cristãos, estamos cumprindo a Grande Comissão que o Senhor Jesus nos deixou de "ensinar" (Mt 28.19), "pregar" (Mc 16.15) e "testemunhar" (At 1.8) no sentido de arrancar das portas do inferno todos aqueles que estão sendo levados de roldão por não conhecerem ou por não quererem conhecer a Palavra de Deus.

Como cristãos já está delineada, por Jesus, a nossa Missão; compete-nos seguir em frente não nos desviando, não nos amedrontando, nada temendo por que Deus está à frente; Ele nos dá força, Ele nos inspira, Ele nos conduz com a sua mão forte, protetora e abençoadora.

Concluindo, não convém parar, como decidiu Neemias, pois a obra é grande, grande porque não nos pertence, grande porque é de Deus e grande porque estamos apenas obedecendo, estamos, por amor ao próximo, levando a efeito esse grande, puro e santo Ministério da Palavra que precisa ser conhecida por toda a criatura, pois é vontade de Deus que nenhum se perca, senão que todos alcancem o arrependimento (2Pe 3.9).
São Paulo - SP
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