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Palavra do leitor

Mesmo que não haja céu

"Se no final, ao chegar lá, eu descobrir que não há céu, direi: Bem, universo, você me desapontou, você dava a impressão do eterno e do real, mas vejo que não há céu, nada além de um zero, um vazio. Mas não me arrependo de ter sido um cristão. Dê-me a oportunidade de fazer novamente as minhas escolhas e eu direi: Com ou sem céu, sou um cristão por convicção e escolha. Não é preciso haver céu para que eu me alegre nisso".

Foi o que escreveu o Dr. Stanley Jones em seu último livro, A Resposta Divina, no final de sua vida de santidade, de amor cristão e de evangelismo por 60 anos como missionário na Índia.

Diante dessa situação, inexistência do céu, poder-se-ia dizer "puxaram o meu tapete" ou "tiraram a escada e me deixaram pendurado na brocha"; em ambas expressões fica o mal estar, a sensação ruim, a impressão de abandono, de tristeza, de derrota final e irreversível, irremediável.

Disse o rei Davi: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam. (...) Bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias" (Sl 23.4,6).

Também o Profeta Habacuque orou: "Mesmo não florescendo a figueira e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação" (Hc 3.17-18, NVI).

O apóstolo Paulo, declarou: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia" (2Tm 4.7-8).

Não significava isso que ele se "aposentou" da Palavra de Deus; não! ele não "pendurou as sandálias" de andarilho do evangelho, ele as usou até os últimos momentos de sua vida.

Enquanto esperava o "prêmio da soberana vocação" não perdia ele as oportunidades de evangelizar os seus interlocutores onde quer que os encontrasse: na sinagoga, nas casas dos amigos e irmãos cristãos, nos navios e nas prisões que sofreu.

Agia ele do jeito que orientou a Timóteo: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno quer não [a tempo e fora de tempo, em outra versão], corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina." (2Tm 4.3).

Tive um irmão em Cristo, um parceiro de jornada cristã, muito dedicado à divulgação do evangelho, um homem de Deus, de palavras oportunas com ousadia e intrepidez, mas sobretudo com muito amor cristão.

Por isso, em 2015, foi ordenado pastor e homenageado pela igreja e por sua família ao completar 100 anos de vida abençoada e abençoadora; o amado irmão Raul Nogueira.

Sua história: http://imeldemirandopolis.blogspot.com.br/2012/08/raul-nogueira.html#!/2012/08/raul-nogueira.html

Não devo poupar palavras, é uma questão de justiça, foi ele um evangelista sincero, eloquente, permanente e amoroso para com as centenas, quiçá milhares de pessoas que ouviram as suas pregações, as suas aulas na Escola Dominical, as suas conversas particulares sempre adornadas com a mensagem salvadora da Palavra de Deus.

Davi, Habacuque, Paulo, Stanley Jones, Raul Nogueira e todos nós que cremos firmemente no verdadeiro Deus, eterno, único, bom, fiel, perfeito, justo, criador dos céus, da terra, dos oceanos e de tudo o que neles há, não nos decepcionaremos ao chegar lá; sim há Céu.

Mesmo que não haja, mesmo que tenha sido uma mera esperança, nós não deixaremos de ser cristãos por convicção e opção pessoal, irrevogável, irretratável e inarrependível se possível fosse começar tudo de novo.

"Felicidade é saber que não se viveu uma vida em vão" (Érico Veríssimo).

Felicidade, então, será o coroamento de uma vida em busca de um ideal bom, sadio, perfeito; a felicidade do cristão é saber que viveu uma vida inteira servindo esse grande Senhor e Deus, momento a momento; não por imposição ou dever, mas por amor a Deus e ao próximo.

A exemplo das demais vidas citadas, tenho a convicção que foi essa a vida do irmão Raul Nogueira; nunca descalçou as sandálias de um evangelista independente das circunstâncias, das dificuldades, da oposição adversária, das pedras no caminho a obstaculizar a sua missão as quais nunca o detiveram.

Toda a honra, toda a glória, todo o santo louvor ao nosso Deus por nos ter escolhido, desde a fundação do mundo, e pela sua preciosa graça em nos salvar e galardoar com a fidelidade, a fidedignidade da Sua inerrante e graciosa Palavra.

Há, ainda hoje, irmãos que assim procedem, não descalçam as sandálias do evangelismo, do amor cristão por saber que é vontade de Deus que todos alcancem o arrependimento; a todos o nosso respeito, nossa admiração, nosso reconhecimento, nosso amor por suas vidas santas, agradáveis, irrepreensíveis e batalhadoras a serviço do Evangelho do Senhor Jesus.

Também minha decisão, mesmo que não haja Céu, é seguir e obedecer ao Senhor Jesus.
São Paulo - SP
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