Palavra do leitor
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A responsabilidade de Abraão na essência da fé
"Porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho." – JAHWEH
Como alguém pode chegar à ideia de sacrificar o próprio filho, seu unigênito?
Essa prática não era tão exótica no mundo antigo. Alguns chegavam a esse extremo movidos pelo desespero ou pela ambição. O medo e a culpa faziam-nos pensar que era necessário um ato extremo para aplacar a ira de algum deus. E nada mais extremo do que oferecer o que se tem de mais valioso: o próprio filho.
Mas se o que se tem de mais precioso é oferecido, o que se espera em troca? A resposta é egoísta. O que existe de maior valor é a própria vida. Ganhar o favor de um deus irado seria garantir a própria vida – ainda que custasse a vida de um filho.
Uma divindade que exigisse tal barganha seria imoral e maligna, um deus sádico – o diabo em pessoa.
Na tentação de Cristo no deserto, o Diabo pede adoração e oferece a glória das nações: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." Uma troca aparentemente lucrativa: nada precisava ser sacrificado e Cristo teria a glória terrestre.
"Ao SENHOR, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás", responde Jesus.
A questão é: quem adoramos? A quem servimos? O que nos domina?
Somos movidos por impulsos internos e legítimos, mas também por forças externas: regulamentos, ordens, tradições e costumes. Porém, um dia prestaremos contas diante de Deus por tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. Essa é a nossa responsabilidade moral.
Quando Deus prova Abraão, pede-lhe aquilo que ele possuía de mais precioso. E o que Deus oferecia em troca? Nada.
Uma prova semelhante havia sido colocada diante de Adão: uma simples ordem - não faça isso. Adão não passou no teste. Com Abraão, a ordem muda: faça isso. E Abraão passa no teste.
Abraão obedece porque conhecia Aquele que lhe falava. Não compreendia todas as implicações, mas conhecia o caráter daquele que lhe ordenava. Sabia que não se tratava de um pedido sádico.
Quando lemos que Deus diz: "Agora sei que temes a Deus", talvez nos perguntemos: Deus já não sabia? Talvez o texto quisesse dizer: "Eu sempre soube". É curioso como temos a tendência de adaptar o texto bíblico às nossas interpretações preestabelecidas.
Deus levou Abraão até o último momento para então impedi-lo de matar o rapaz. Durante três dias, até o último segundo, Abraão teve liberdade para obedecer ou não. O ato estava praticamente consumado. E, figuradamente, ele recebe Isaque de volta dos mortos.
A grandeza da fé de Abraão não está em sua disposição de matar, mas de obedecer sem compreender tudo. Ele não conhecia todos os detalhes do caminho, mas conhecia Aquele que o conduzia.
E aqui está o ponto mais desconcertante: Abraão não estava fazendo uma barganha com Deus. Ele não entregava Isaque para receber algo maior em troca. Ele simplesmente confiava.
Na lógica dos antigos sacrifícios humanos, entrega-se o que há de mais precioso para preservar aquilo que se considera ainda mais precioso: a própria vida. Na fé de Abraão acontece o contrário. Ele está disposto a entregar o que mais ama porque reconhece que sua vida, seu filho e seu futuro pertencem a Deus.
Mas Deus não queria a morte de Isaque. O Deus de Abraão não é um deus que precisa ser aplacado pelo sangue de uma criança. Ele é o Deus que provê. No momento decisivo, o sacrifício é interrompido e um carneiro ocupa o lugar do filho.
Essa é a essência da nossa responsabilidade diante de Deus: a fé não nos isenta da responsabilidade; ao contrário, torna-nos ainda mais responsáveis. Todos somos confrontados com a pergunta: quem realmente ocupa o trono da nossa vida? O que estamos dispostos a sacrificar para preservar o que consideramos mais importante? Confiamos em Deus a ponto de entregar a Ele o que mais amamos?
Abraão foi levado ao limite de sua confiança. E, quando chegou ao limite, descobriu que Deus já estava lá.
A fé verdadeira não consiste em saber antecipadamente o que Deus fará, mas em conhecer quem Deus é – e confiar nEle o suficiente para obedecer, mesmo sem enxergar o desfecho.
Mas há algo ainda mais profundo nessa história. O episódio de Abraão e Isaque é também uma sombra de uma realidade que só compreenderíamos muitos séculos depois.
No monte, Abraão recebeu seu filho de volta. Deus Pai, porém, foi separado do Seu.
Abraão caminhou em direção ao sacrifício acreditando que Deus poderia ressuscitar Isaque. Jesus caminhou em direção à cruz sabendo que Seu Pai o abandonaria. Abraão não entregou Isaque para salvar a si mesmo. Deus entregou o Seu Filho para salvar o mundo.
No monte Moriá, Deus interrompeu a mão de Abraão e providenciou um substituto para Isaque. No Calvário, não houve mão que pudesse ser interrompida. O Filho Unigênito foi entregue. E não para aplacar a ira de um deus cruel, mas para revelar o amor do Deus que amou o mundo.
Abraão entregou seu filho e o recebeu de volta. Deus entregou Seu Filho Unigênito e, por meio dEle, oferece vida ao mundo.
Abraão e o mundo descobriram a infinitude da providência e do amor divinos.
Como alguém pode chegar à ideia de sacrificar o próprio filho, seu unigênito?
Essa prática não era tão exótica no mundo antigo. Alguns chegavam a esse extremo movidos pelo desespero ou pela ambição. O medo e a culpa faziam-nos pensar que era necessário um ato extremo para aplacar a ira de algum deus. E nada mais extremo do que oferecer o que se tem de mais valioso: o próprio filho.
Mas se o que se tem de mais precioso é oferecido, o que se espera em troca? A resposta é egoísta. O que existe de maior valor é a própria vida. Ganhar o favor de um deus irado seria garantir a própria vida – ainda que custasse a vida de um filho.
Uma divindade que exigisse tal barganha seria imoral e maligna, um deus sádico – o diabo em pessoa.
Na tentação de Cristo no deserto, o Diabo pede adoração e oferece a glória das nações: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." Uma troca aparentemente lucrativa: nada precisava ser sacrificado e Cristo teria a glória terrestre.
"Ao SENHOR, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás", responde Jesus.
A questão é: quem adoramos? A quem servimos? O que nos domina?
Somos movidos por impulsos internos e legítimos, mas também por forças externas: regulamentos, ordens, tradições e costumes. Porém, um dia prestaremos contas diante de Deus por tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. Essa é a nossa responsabilidade moral.
Quando Deus prova Abraão, pede-lhe aquilo que ele possuía de mais precioso. E o que Deus oferecia em troca? Nada.
Uma prova semelhante havia sido colocada diante de Adão: uma simples ordem - não faça isso. Adão não passou no teste. Com Abraão, a ordem muda: faça isso. E Abraão passa no teste.
Abraão obedece porque conhecia Aquele que lhe falava. Não compreendia todas as implicações, mas conhecia o caráter daquele que lhe ordenava. Sabia que não se tratava de um pedido sádico.
Quando lemos que Deus diz: "Agora sei que temes a Deus", talvez nos perguntemos: Deus já não sabia? Talvez o texto quisesse dizer: "Eu sempre soube". É curioso como temos a tendência de adaptar o texto bíblico às nossas interpretações preestabelecidas.
Deus levou Abraão até o último momento para então impedi-lo de matar o rapaz. Durante três dias, até o último segundo, Abraão teve liberdade para obedecer ou não. O ato estava praticamente consumado. E, figuradamente, ele recebe Isaque de volta dos mortos.
A grandeza da fé de Abraão não está em sua disposição de matar, mas de obedecer sem compreender tudo. Ele não conhecia todos os detalhes do caminho, mas conhecia Aquele que o conduzia.
E aqui está o ponto mais desconcertante: Abraão não estava fazendo uma barganha com Deus. Ele não entregava Isaque para receber algo maior em troca. Ele simplesmente confiava.
Na lógica dos antigos sacrifícios humanos, entrega-se o que há de mais precioso para preservar aquilo que se considera ainda mais precioso: a própria vida. Na fé de Abraão acontece o contrário. Ele está disposto a entregar o que mais ama porque reconhece que sua vida, seu filho e seu futuro pertencem a Deus.
Mas Deus não queria a morte de Isaque. O Deus de Abraão não é um deus que precisa ser aplacado pelo sangue de uma criança. Ele é o Deus que provê. No momento decisivo, o sacrifício é interrompido e um carneiro ocupa o lugar do filho.
Essa é a essência da nossa responsabilidade diante de Deus: a fé não nos isenta da responsabilidade; ao contrário, torna-nos ainda mais responsáveis. Todos somos confrontados com a pergunta: quem realmente ocupa o trono da nossa vida? O que estamos dispostos a sacrificar para preservar o que consideramos mais importante? Confiamos em Deus a ponto de entregar a Ele o que mais amamos?
Abraão foi levado ao limite de sua confiança. E, quando chegou ao limite, descobriu que Deus já estava lá.
A fé verdadeira não consiste em saber antecipadamente o que Deus fará, mas em conhecer quem Deus é – e confiar nEle o suficiente para obedecer, mesmo sem enxergar o desfecho.
Mas há algo ainda mais profundo nessa história. O episódio de Abraão e Isaque é também uma sombra de uma realidade que só compreenderíamos muitos séculos depois.
No monte, Abraão recebeu seu filho de volta. Deus Pai, porém, foi separado do Seu.
Abraão caminhou em direção ao sacrifício acreditando que Deus poderia ressuscitar Isaque. Jesus caminhou em direção à cruz sabendo que Seu Pai o abandonaria. Abraão não entregou Isaque para salvar a si mesmo. Deus entregou o Seu Filho para salvar o mundo.
No monte Moriá, Deus interrompeu a mão de Abraão e providenciou um substituto para Isaque. No Calvário, não houve mão que pudesse ser interrompida. O Filho Unigênito foi entregue. E não para aplacar a ira de um deus cruel, mas para revelar o amor do Deus que amou o mundo.
Abraão entregou seu filho e o recebeu de volta. Deus entregou Seu Filho Unigênito e, por meio dEle, oferece vida ao mundo.
Abraão e o mundo descobriram a infinitude da providência e do amor divinos.
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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