Palavra do leitor
19 de julho de 2026- Visualizações: 20
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O Rei acima da esquerda e da direita
Vivemos em uma época marcada pela polarização. No Brasil, como em grande parte do mundo, a realidade passou a ser interpretada segundo o paradigma do "nós contra eles". A disputa política deixou de ser apenas um debate sobre ideias e transformou-se numa batalha moral, em que cada lado reivindica para si o lugar dos bons e atribui ao outro o papel dos maus. Essa lógica, porém, não nasceu na política. Ela revela uma inclinação muito mais profunda do coração humano.
O evangelho confronta diretamente essa maneira de enxergar o mundo. Quando o jovem rico se dirige a Jesus chamando-o de "Bom Mestre", recebe uma resposta inesperada: "Ninguém é bom, senão um, que é Deus." Com essa afirmação, Jesus desmonta toda pretensão humana de dividir a humanidade entre pessoas essencialmente boas e essencialmente más. O problema do "nós contra eles" não está apenas na existência de grupos diferentes, mas na crença de que um deles representa o bem absoluto enquanto o outro encarna o mal.
As Escrituras ensinam que todos os homens foram encerrados debaixo da desobediência. O pecado não pertence a uma classe social, a uma ideologia ou a um partido político; ele é a condição universal da humanidade. Por isso, nenhuma filosofia de vida, nenhuma estrutura social e nenhum projeto político podem reivindicar para si a perfeição moral. Tanto o individualismo quanto o totalitarismo são expressões diferentes da mesma natureza humana caída. Um tende a fazer do indivíduo seu próprio deus; o outro faz do Estado ou da coletividade um ídolo. Ambos fracassam porque procuram solucionar externamente um problema que nasce no coração humano.
Isso não significa que todas as ideias sejam igualmente verdadeiras ou que todos os sistemas produzam os mesmos frutos. Jesus também afirma que Deus faz nascer o sol sobre maus e bons, e as Escrituras falam do trigo e do joio, das ovelhas e dos cabritos. Existe, portanto, uma distinção entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro. Contudo, essa separação pertence a Deus e não aos homens. Nosso chamado não é julgar pessoas como se conhecêssemos seus corações, mas discernir e denunciar os erros, sempre amando indistintamente aqueles que foram criados à imagem de Deus.
A tentação permanente consiste em confiar que a solução definitiva para os problemas humanos virá de algum sistema político. Uns depositam sua esperança no mercado, outros no Estado; uns na tradição, outros na revolução. Em todos os casos, espera-se da política aquilo que somente Deus pode realizar. Quando isso acontece, líderes transformam-se em messias, partidos tornam-se objetos de fé e adversários passam a ser tratados como inimigos absolutos.
O evangelho oferece outro caminho. Em vez de escolher entre um extremo e outro, ele revela que ambos participam da mesma condição humana. A saída não está em aderir ao erro oposto, mas em permanecer fiel ao Reino de Deus, que julga igualmente todas as ideologias. Como advertia C. S. Lewis, o perigo não está apenas em um dos extremos, mas na armadilha de sermos levados de um erro ao outro. A tarefa do cristão é manter os olhos fixos em Cristo e caminhar entre ambos, recusando transformar qualquer projeto humano em esperança última.
É precisamente por isso que não podemos defender a esquerda nem a direita, mas submeter ambas ao senhorio de Cristo. Antes de perguntar qual lado está certo, é necessário responder à pergunta feita pelo próprio evangelho: quem é verdadeiramente bom? A resposta permanece a mesma desde os dias do jovem rico: somente Deus. E porque somente Ele é bom, somente seu Reino pode oferecer o fundamento seguro para julgar os sistemas humanos sem idolatrá-los e para amar as pessoas sem participar da lógica destrutiva do "nós contra eles".
O evangelho confronta diretamente essa maneira de enxergar o mundo. Quando o jovem rico se dirige a Jesus chamando-o de "Bom Mestre", recebe uma resposta inesperada: "Ninguém é bom, senão um, que é Deus." Com essa afirmação, Jesus desmonta toda pretensão humana de dividir a humanidade entre pessoas essencialmente boas e essencialmente más. O problema do "nós contra eles" não está apenas na existência de grupos diferentes, mas na crença de que um deles representa o bem absoluto enquanto o outro encarna o mal.
As Escrituras ensinam que todos os homens foram encerrados debaixo da desobediência. O pecado não pertence a uma classe social, a uma ideologia ou a um partido político; ele é a condição universal da humanidade. Por isso, nenhuma filosofia de vida, nenhuma estrutura social e nenhum projeto político podem reivindicar para si a perfeição moral. Tanto o individualismo quanto o totalitarismo são expressões diferentes da mesma natureza humana caída. Um tende a fazer do indivíduo seu próprio deus; o outro faz do Estado ou da coletividade um ídolo. Ambos fracassam porque procuram solucionar externamente um problema que nasce no coração humano.
Isso não significa que todas as ideias sejam igualmente verdadeiras ou que todos os sistemas produzam os mesmos frutos. Jesus também afirma que Deus faz nascer o sol sobre maus e bons, e as Escrituras falam do trigo e do joio, das ovelhas e dos cabritos. Existe, portanto, uma distinção entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro. Contudo, essa separação pertence a Deus e não aos homens. Nosso chamado não é julgar pessoas como se conhecêssemos seus corações, mas discernir e denunciar os erros, sempre amando indistintamente aqueles que foram criados à imagem de Deus.
A tentação permanente consiste em confiar que a solução definitiva para os problemas humanos virá de algum sistema político. Uns depositam sua esperança no mercado, outros no Estado; uns na tradição, outros na revolução. Em todos os casos, espera-se da política aquilo que somente Deus pode realizar. Quando isso acontece, líderes transformam-se em messias, partidos tornam-se objetos de fé e adversários passam a ser tratados como inimigos absolutos.
O evangelho oferece outro caminho. Em vez de escolher entre um extremo e outro, ele revela que ambos participam da mesma condição humana. A saída não está em aderir ao erro oposto, mas em permanecer fiel ao Reino de Deus, que julga igualmente todas as ideologias. Como advertia C. S. Lewis, o perigo não está apenas em um dos extremos, mas na armadilha de sermos levados de um erro ao outro. A tarefa do cristão é manter os olhos fixos em Cristo e caminhar entre ambos, recusando transformar qualquer projeto humano em esperança última.
É precisamente por isso que não podemos defender a esquerda nem a direita, mas submeter ambas ao senhorio de Cristo. Antes de perguntar qual lado está certo, é necessário responder à pergunta feita pelo próprio evangelho: quem é verdadeiramente bom? A resposta permanece a mesma desde os dias do jovem rico: somente Deus. E porque somente Ele é bom, somente seu Reino pode oferecer o fundamento seguro para julgar os sistemas humanos sem idolatrá-los e para amar as pessoas sem participar da lógica destrutiva do "nós contra eles".
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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