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Palavra do leitor

Por qual razão Jesus e não outros?

Texto de Atos 17.15-34

O Apóstolo Paulo, ao discursar no Areópago, espaço destinado a inquirições e discussões sobre ideias e conceitos, referente ao assunto da ressurreição, obtém dos ali presentes, conforme narrado no texto das escrituras sagradas (Atos 17.15-34), de que escutariam a questão, num outro momento. Mais, num primeiro momento, parece haver um ressoar de por que Jesus e não outros, afinal, aquele lugar açambarcava muitos deuses, filosofias, elucubrações, crendices e posições. Em meio a tudo isso, retomo ao fio da meada, por que Jesus e não outros, por que essa mensagem tão exclusivista, por que não se ajustava a toda uma multiface de deuses, por que não ser mais um, por que não aceitar de que todos os caminhos são válidos e levam a Deus, por que não aceitar de que está em todos os lugares, por que não tudo junto e misturado, numa versão do Caldeirão do Areópago de Atenas? Deve ser anotado, o Deus descrito nas escrituras sagradas, a qual se desvelou, até nós, por meio da encarnação de Jesus de Nazaré, o Deus da proximidade, embora não se amolde ao panteão de deidades, de divindades, de deuses, de heróis, de mitos, como se fosse um mero objeto para meras considerações.

Vou além, declarar Jesus Cristo, Jesus de Nazaré, como a máscara de Deus que se desvela a Nós, a porta que nos leva ao mesmo, o Redentor e Salvador de toda a humanidade, expressamente, representa uma postura legítima e coerente, sem descambar em altivez, em uma exclusividade facínora e que anule o outro, o diferente, o distante e o próximo. De notar, as palavras de Jesus são categoricamente imperativas e específicas – "Ninguém vem ao Pai senão por mim, João 14.6’’. Anota-se, essas palavras não negam a porta aberta, o se importar que transpassa as fronteiras dos exclusivismos (seja de ordem teológica, doutrinária, social, econômica, política, étnica, racial, de gênero e por ai vai). Não somos e nenhum cristão deve se assumir como se tivesse sido nomeado como administrador celestial de Jesus Cristo e, por tal modo, determinar quem pode ou não. Não somos e nenhum cristão recebeu a delegação para deter a verdade, o caminho e a vida. Não somos e nenhum cristão tem o açambarcar ou o monopólio para tornar Cristo em parte do nosso gueto, da nossa confraria, do nosso templo, do nosso clube. Não nos cabe impedir aqueles que não perpetram um caminho direto a Cristo, como se não pudessem chegar e se encontrar com Jesus Cristo. Os pretensos detentores de determinar Jesus e como Jesus deve ser, sem sombra de dúvida, não lograram a compreensão de que apesar do caminho ser estreito, íngreme ou de difícil acesso, que requer uma mudança de direção, ainda assim, o olhar de Jesus está para nos tratar como filhos e não bastardos; os ouvidos de Jesus estão sensíveis para não escorraçar as nossas lágrimas; os braços de Jesus estão abertos para nos aquecer de afetuosidade e boas notícias. A questão nevrálgica não está na exclusividade, mas sim de levar o Jesus das escrituras a todo o ser humano, de discernir de que ao servir, ao viver a solidariedade, ao apresentar o evangelho do pertencimento, indubitavelmente, conseguimos cumprir o chamado para viver esse amor generoso, de gratidão, de modificação e de transformação.
São Paulo - SP
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