Palavra do leitor
14 de agosto de 2026- Visualizações: 42
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Cidadania mutilada e o silêncio da Igreja
Existe uma distância dolorosa entre o conceito teórico de Estado laico e a realidade vivida nas periferias brasileiras. No papel, a laicidade é apresentada como garantia de igualdade. Na prática, o que testemunhamos no cotidiano vulnerável é a consolidação de um laicismo frio, burocrático e profundamente indiferente. Diante da ceifa precoce de jovens entre 18 e 30 anos, a máquina pública responde quase sempre da mesma forma: com relatórios contábeis, boletins de ocorrência arquivados e estatísticas desumanizadas.
A pergunta inevitável que fica para a igreja e para a sociedade é: por que a morte de um jovem periférico se dissolve tão rapidamente no esquecimento das instituições? A resposta está na perda da noção da sacralidade da vida humana. Quando o Estado se despede de qualquer compromisso ético e transcendente com a existência, ele passa a enxergar a pessoa não como um ser eterno, mas como uma engrenagem descartável. Trata-se da consumação de uma cidadania mutilada, onde o endereço do indivíduo determina se a sua vida merece proteção ou se a sua morte merece investigação.
Sobre essa dignidade inalienável concedida por Deus a cada indivíduo, o reformador João Calvino, ao comentar o livro de Gênesis, faz uma afirmação categórica que deveria ecoar em qualquer tribunal ou repartição pública:
"Não podemos ferir, violentar ou injuriar a nosso próximo sem que, ao mesmo tempo, venhamos a ferir a própria imagem de Deus que nele reside."
Para Calvino, a vida de qualquer ser humano carrega o selo da imagem do Criador (imago Dei). Por isso, assassinar ou ignorar a morte de uma pessoa não é um mero delito administrativo ou um custo operacional do sistema de segurança; é um sacrilégio ético e um atentado contra o próprio Deus. A alma do jovem que tomba não se extingue no laudo pericial, e o seu nome não pode ser reduzido a um dado na tabela de homicídios do ano.
É por isso que Deus não cobrará essa conta apenas das autoridades públicas; Ele cobrará, em primeiro lugar, da sua Igreja. O evangelho não nos permite cruzar os braços diante da frieza estatal que transforma vidas em números descartáveis. O combate à impunidade, a exigência de investigações rigorosas até o fim e a defesa intransigente dos vulneráveis não são agendas seculares, mas imperativos espirituais e deveres morais decorrentes do amor ao próximo. Uma Igreja que se cala diante da banalização da morte na periferia torna-se cúmplice da injustiça. Diante do Altíssimo, cada jovem que tomba é uma imagem de Deus violada – e o sangue do nosso irmão continua clamando da terra por uma resposta que a Igreja não pode omitir.
"Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão, como um ribeiro perene." (Amós 5.24)
A pergunta inevitável que fica para a igreja e para a sociedade é: por que a morte de um jovem periférico se dissolve tão rapidamente no esquecimento das instituições? A resposta está na perda da noção da sacralidade da vida humana. Quando o Estado se despede de qualquer compromisso ético e transcendente com a existência, ele passa a enxergar a pessoa não como um ser eterno, mas como uma engrenagem descartável. Trata-se da consumação de uma cidadania mutilada, onde o endereço do indivíduo determina se a sua vida merece proteção ou se a sua morte merece investigação.
Sobre essa dignidade inalienável concedida por Deus a cada indivíduo, o reformador João Calvino, ao comentar o livro de Gênesis, faz uma afirmação categórica que deveria ecoar em qualquer tribunal ou repartição pública:
"Não podemos ferir, violentar ou injuriar a nosso próximo sem que, ao mesmo tempo, venhamos a ferir a própria imagem de Deus que nele reside."
Para Calvino, a vida de qualquer ser humano carrega o selo da imagem do Criador (imago Dei). Por isso, assassinar ou ignorar a morte de uma pessoa não é um mero delito administrativo ou um custo operacional do sistema de segurança; é um sacrilégio ético e um atentado contra o próprio Deus. A alma do jovem que tomba não se extingue no laudo pericial, e o seu nome não pode ser reduzido a um dado na tabela de homicídios do ano.
É por isso que Deus não cobrará essa conta apenas das autoridades públicas; Ele cobrará, em primeiro lugar, da sua Igreja. O evangelho não nos permite cruzar os braços diante da frieza estatal que transforma vidas em números descartáveis. O combate à impunidade, a exigência de investigações rigorosas até o fim e a defesa intransigente dos vulneráveis não são agendas seculares, mas imperativos espirituais e deveres morais decorrentes do amor ao próximo. Uma Igreja que se cala diante da banalização da morte na periferia torna-se cúmplice da injustiça. Diante do Altíssimo, cada jovem que tomba é uma imagem de Deus violada – e o sangue do nosso irmão continua clamando da terra por uma resposta que a Igreja não pode omitir.
"Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão, como um ribeiro perene." (Amós 5.24)
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