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Palavra do leitor

A incorruptibilidade

À primeira vista pode parecer que vou dissertar sobre política, tema da mídia atualmente; não o farei pois "Não me imiscuo em política" [meu artigo de 19.11.24]; o assunto não é, também, o esporte que prende a atenção da humanidade como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Abstraindo-me do fato histórico de que as Olimpíadas tiveram a sua remota origem como um culto aos falsos deuses, Zeus principalmente, não discorrerei sobre assunto tão palpitante, mas realçarei valores outros, sob ótica diversa.

As Olimpíadas não eram realizadas como competições, mas como homenagem aos deuses; todavia, desde 393 (d.c.), o Imperador Teodósio I, convertido ao cristianismo, proibiu a adoração aos deuses alegando ser uma manifestação pagã, como, de fato, é.

A adoração a falsos deuses é abominação ao Deus que criou a terra, os oceanos, os céus e tudo o que neles há e é o único e verdadeiro Deus.

"Não sabeis vós que os que correm nos estádios, todos na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível" (1Co 9.24-25).

Paulo já se referia ao atletismo, que era o que se praticava na origem dos atuais jogos olímpicos [de Olímpia, na antiga Grécia], época em que ainda não haviam sido introduzidos outros tipos de esportes, como os da atualidade.

Não se refere ele ao esporte, propriamente dito, mas ao Evangelho do Senhor Jesus, à Palavra de Deus no sentido de "se tornar cooperador com ele" (9.23); Paulo se sacrificava para que "tendo pregado a outros, não venha ele mesmo a ser desqualificado" (v.27).

Essa deve ser a nossa preocupação, nós que nos dedicamos ao Ministério da Palavra de Deus, procurando, pelos meios modernos que se nos dispõem, como as redes sociais, alcançar pessoas para o Senhor Jesus; temos que cuidar para que a nossa vida, se não coerente com o testemunho cristão, com o que pregamos venha a nos desqualificar para o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus (Fp 3.14).

O referido "prêmio" não é a salvação dos nossos pecados e do inferno, tendo em vista que uma vez convertidos a Jesus, ao recebê-lo como nosso único e suficiente Salvador e Senhor adquirimos "o direito de sermos feitos filhos de Deus" (Jo 1.12); uma vez salvos, desde que o nosso comprometimento com Deus seja verdadeiro, sério, não fingido, Ele, "de maneira alguma nos lançará fora" (Jo 6.37).

O contexto trata da nossa "Missão" de falar do evangelho aos que ainda não conhecem Jesus [ensinar, pregar, testemunhar], o que nos credenciará para o recebimento de "galardões" (1Co 9.16-18).

Esses galardões são os poderes [Autoridade] que recebemos do Senhor Jesus para reinar com Ele sobre todas as nações, durante o milênio, a partir de Jerusalém (Ap 20.6 e Lc 19.12-19).

Como ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha as obras serão de diversas naturezas e padrões, segundo a descrição bíblica (1Co 3.12).

Teremos galardões (1Co 3.14) se edificarmos sobre o "fundamento" que é o Senhor Jesus; mas se a obra perecível como madeira, feno, palha se queimar sofreremos dano, mas, ainda assim, seremos salvos como que pelo fogo (v. 15).

As obras como ouro, prata, pedras preciosas não se queimarão por serem incorruptíveis, provadas que serão pelo próprio fogo (v. 13), mas as demais, como perecíveis que são, se queimarão.

Quando Jesus falou em julgamento por obras (Mt 25.31-46) não se referia a nós, Igreja, convertidos a Ele, pela graça mediante a fé, pois já teremos sido arrebatados anteriormente para o encontro com Ele nos ares, entre nuvens (1Ts 4.1-18); Ele se referiu ao tempo do fim, sua Segunda Vinda, quando virá na sua majestade e todos os anjos com ele (v. 31).

Creio que se refere aos que se converterão pela pregação dos 144 mil israelitas (Ap 7.1-8) durante a Tribulação a que Ele próprio se referiu (Mt 24.21), os quais terão ou não socorrido os seus "pequeninos irmãos" [os judeus], o que determinará a destinação de cada um: "entrar na posse do reino" (v. 34) ou "apartar-se para o fogo eterno" (v. 41).

Criou-se um refrão, nas Olimpíadas: "O importante é competir", pois o relevante não é ganhar títulos, mas exercitar-se e, até mesmo, participar do congraçamento dos povos.

O importante em nossa vida cristã pode não ser a espécie do galardão, pois seremos salvos ainda que pelo fogo; o necessário é nos credenciarmos para a vida eterna na presença de Deus, recebendo, previamente, o Senhor Jesus para a salvação de nossas almas do fogo eterno, tornando-nos membros da Família de Deus (Jo 1.12), enquanto Ele pode ser encontrado (Is 55.6).

"Desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da Fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz" (Hb 12.1b, 2a).
São Paulo - SP
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