Palavra do leitor
25 de março de 2026- Visualizações: 1425
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Os dois "Josés"
Um nome comum de dois homens pouco conhecidos à época, porém, duas figuras de grande importância histórica. Dois judeus chamados José. Um natural da pequena Belém, da descendência de Davi, homem simples, carpinteiro de profissão. O outro, de Arimateia, homem rico, senador e membro respeitado do Sinédrio. Dois personagens fundamentais que cumpriram de forma zelosa e esmerada o papel de cuidar d´Aquele cuja vida seria entregue em favor de muitos. Um seria testemunha de seu nascimento; outro, da sua morte.
Já com idade avançada para a época quando ficara noivo de uma jovem cuja gravidez o pegaria de surpresa e colocaria em cheque sua fé e seu amor, o primeiro dos Josés aparece muito pouco nos evangelhos, porém, o suficiente para vermos o quanto era justo e obediente. Nem sequer vemos palavras suas na narrativa bíblica. E como ele não é mencionado durante a vida adulta de Jesus, presume-se que tenha falecido ainda durante a infância deste. Somente pela tradição podemos saber mais sobre sua vida.
Mas uma coisa podemos falar sobre este primeiro José. Ele teve a honra, o privilégio de acompanhar, de educar, de proteger o Filho de Deus, o Messias tão esperado e desejado. Conviveu com Jesus durante a primeira fase de sua vida. Presenciou seus primeiros passos, suas primeiras frases. Fico tentando imaginar a cena: Jesus aprendendo a entalhar a madeira, a preparar móveis, a usar ferramentas com seu velho pai. Imagino José caminhando e sorrindo pelas campinas da Galileia com aquele menino que possuía duas naturezas e que havia estado com Deus-Pai já na criação do cosmos (Cl 1.16). Ao mesmo tempo que ensinava, José aprendia com seu filho "adotivo" legitimando-o na linhagem davídica. Era professor e aluno ao mesmo tempo.
E o que falar do outro José? Este, por sua vez, aparece na fase final do ministério do nazareno quando solicita seu corpo crucificado a Pilatos para dar-lhe um sepultamento digno num túmulo novo. Segundo as palavras de João, José de Arimateia era um discípulo "oculto", secreto de Jesus, assim como fora seu famoso amigo Nicodemos. Foi uma das últimas pessoas a verem e tocarem o corpo do Cristo. Um corpo cansado, maltratado, rasgado e perfurado. Sua humanidade ali exposta em toda sua profundidade diante de olhos atônitos que descreviam um extremo espanto, uma surpresa e perplexidade diante de algo terrivelmente assustador.
Tento imaginar o sofrimento deste segundo José ao ver seu salvador destituído, por algum tempo, de vida. Certamente um misto de sentimentos invadiu seu coração: tristeza por ver seu Messias desfalecido e alegria por estar participando da agenda divina da obra salvífica. O relógio do Altíssimo mostrava os minutos finais. Contudo, conhecedor das Escrituras que era e por tudo que havia presenciado andando com o Senhor, o velho discípulo de Arimateia sabia que o grande dia vitorioso da ressurreição se aproximava e que testemunharia logo em seguida o maior dos eventos em toda a história humana quando até mesmo os alicerces da Terra seriam abalados ao rasgar do véu templário.
Dois homens que assistiram à obra de Cristo Jesus. Cada um, em seu momento específico, foi peça importante na caminhada daquele que personificava a profecia como o "Maravilhoso Conselheiro e Deus Forte" (Is 9.6). Duas almas entregues a um propósito maior e eterno. Dois homens pecadores como eu e você sendo instrumentos nas mãos de um Deus gracioso para cuidarem do Filho Unigênito enquanto aqui, no plano terrestre, cumpria o plano de redenção pela cruz reconectando homens e mulheres alienados da aliança desde o Éden. De forma que "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome" (Jo 1:12).
José, um nome simples, cujo significado é "Deus acrescenta", mostra que o Altíssimo sempre usa pessoas comuns nos seus planos e desígnios eternos fazendo delas não apenas meras testemunhas oculares, mas personagens-chave nas suas mãos soberanas.
Tony Oliveira - Autor dos livros "Pingos da Graça" e "Cartas do Atlântico".
Para outros textos do autor, acesse: https://pingosdagraca.wordpress.com
Contato: faos.ead@gmail.com INSTAGRAM: @tonyoliveira_69
Já com idade avançada para a época quando ficara noivo de uma jovem cuja gravidez o pegaria de surpresa e colocaria em cheque sua fé e seu amor, o primeiro dos Josés aparece muito pouco nos evangelhos, porém, o suficiente para vermos o quanto era justo e obediente. Nem sequer vemos palavras suas na narrativa bíblica. E como ele não é mencionado durante a vida adulta de Jesus, presume-se que tenha falecido ainda durante a infância deste. Somente pela tradição podemos saber mais sobre sua vida.
Mas uma coisa podemos falar sobre este primeiro José. Ele teve a honra, o privilégio de acompanhar, de educar, de proteger o Filho de Deus, o Messias tão esperado e desejado. Conviveu com Jesus durante a primeira fase de sua vida. Presenciou seus primeiros passos, suas primeiras frases. Fico tentando imaginar a cena: Jesus aprendendo a entalhar a madeira, a preparar móveis, a usar ferramentas com seu velho pai. Imagino José caminhando e sorrindo pelas campinas da Galileia com aquele menino que possuía duas naturezas e que havia estado com Deus-Pai já na criação do cosmos (Cl 1.16). Ao mesmo tempo que ensinava, José aprendia com seu filho "adotivo" legitimando-o na linhagem davídica. Era professor e aluno ao mesmo tempo.
E o que falar do outro José? Este, por sua vez, aparece na fase final do ministério do nazareno quando solicita seu corpo crucificado a Pilatos para dar-lhe um sepultamento digno num túmulo novo. Segundo as palavras de João, José de Arimateia era um discípulo "oculto", secreto de Jesus, assim como fora seu famoso amigo Nicodemos. Foi uma das últimas pessoas a verem e tocarem o corpo do Cristo. Um corpo cansado, maltratado, rasgado e perfurado. Sua humanidade ali exposta em toda sua profundidade diante de olhos atônitos que descreviam um extremo espanto, uma surpresa e perplexidade diante de algo terrivelmente assustador.
Tento imaginar o sofrimento deste segundo José ao ver seu salvador destituído, por algum tempo, de vida. Certamente um misto de sentimentos invadiu seu coração: tristeza por ver seu Messias desfalecido e alegria por estar participando da agenda divina da obra salvífica. O relógio do Altíssimo mostrava os minutos finais. Contudo, conhecedor das Escrituras que era e por tudo que havia presenciado andando com o Senhor, o velho discípulo de Arimateia sabia que o grande dia vitorioso da ressurreição se aproximava e que testemunharia logo em seguida o maior dos eventos em toda a história humana quando até mesmo os alicerces da Terra seriam abalados ao rasgar do véu templário.
Dois homens que assistiram à obra de Cristo Jesus. Cada um, em seu momento específico, foi peça importante na caminhada daquele que personificava a profecia como o "Maravilhoso Conselheiro e Deus Forte" (Is 9.6). Duas almas entregues a um propósito maior e eterno. Dois homens pecadores como eu e você sendo instrumentos nas mãos de um Deus gracioso para cuidarem do Filho Unigênito enquanto aqui, no plano terrestre, cumpria o plano de redenção pela cruz reconectando homens e mulheres alienados da aliança desde o Éden. De forma que "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome" (Jo 1:12).
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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