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Palavra do leitor

Aedes Aegypti

Não sou cientista, sequer cursei medicina ou outros cursos na área da Saúde, na área da Ciência, mas vou tentar expressar minhas ideias, minhas conclusões sobre o assunto do momento, qual seja a permissão do aborto para as grávidas atingidas pelo Zica Vírus com riscos de terem bebês com má-formação, como é o caso de microcefalia.

“Microcefalia é uma condição neurológica rara que se caracteriza por anormalidades no crescimento do cérebro dentro da caixa craniana” (Site Dráuzio Varella – 02.12.2015).

Já tive oportunidades pretéritas de expor meu pensamento quando grandes e graves decisões são “pretendidas” no momento de comoções populares; esse é o pior momento para se decidir, para “legalizar” [ou descriminalizar] alguma coisa ruim quando as conclusões são tomadas com base em emoções fortes, sem um racional estudo da situação em todos os seus aspectos e pormenores.

Pretendeu-se, há pouco tempo, reduzir a maioridade penal nos crimes de morte, nos crimes hediondos; a medida restou por ter sido aprovada, em dois turnos, na Câmara dos Deputados, mas ainda não foi sancionada pela Presidência da República; esclareça-se que os índices de crimes cometidos por menores de idade, em relação ao universo de todos os crimes de morte praticados no País, não alcançam 1%. [já citei isso em outro artigo].

Agora, por causa do mosquito Aedes Aegypti e uma paralela situação de microcefalia em bebês, outra comoção nacional está levando pessoas a querer descriminalizar o aborto, quando a mulher grávida for infectada pelo referido inseto.

Na semana passada a mídia publicou a história de uma pessoa, do sexo feminino, [outras há] que nasceu com microcefalia, foi criada normalmente, estudou, formou-se em Curso Superior e trabalha na profissão que escolheu e na qual foi graduada.

Já há grávidas que estão, precipitadamente e independente de saberem se estão ou não infectadas, submetendo-se a abortos ilegais, pois não querem ter um (a) filho (a) com microcefalia (FSP 16.02.2016); a mídia publicou (17.02.2016) que já há homens abandonando as companheiras grávidas por estarem elas com o vírus; não querem ser pais de crianças com má-formação!

Todavia, a estatística aponta para um número reduzidíssimo de crianças microcéfalas em relação ao total de nascimentos; li na FSP de 15.02.2016 – pág. B7 - que “pelos dados do Sisnac [Sistema de Informações sobre nascidos vivos], a taxa de notificação de microcefalia no País até 2014 era 0,5 caso para cada dez mil nascimentos” (sic).

“Segundo o infectologista Artur Timerman, o vírus pode deixar sequelas neurológicas, mas isso é raro, independente da idade, e está ligado a quadros de baixa imunidade” [FSP 17.02.2016 B3].

Devo, ainda, ressaltar que há outras hipóteses para que um bebê venha à luz com menos de 32 cm. de circunferência craniana [microcefalia] ou qualquer outra anomalia: má nutrição, exposição a agentes teratogênicos, como agrotóxicos, ou a drogas e vacinas na infância da mãe (FSP 15.02.2016).

E voltou a Sífilis para ameaçar vidas, como no passado.

Registre-se que o Estado do Rio Grande do Sul, precipitadamente, adotou, no último dia 13, a proibição de uso do inseticida [Idem].

Quanto à sífilis, por exemplo, “a taxa de incidência de sífilis em bebês com menos de um ano era de 2 casos a cada mil nascidos vivos em 2008. Em 2014, dados preliminares do ministério apontam que ela passou para 5,6. Nesse mesmo período, a taxa de sífilis em gestantes passou de 2,7 para 9,7 casos a cada mil nascidos vivos” (FSP 18.02.16 – B1).

- Em vez de se matar as crianças, o que é inadmissível, é radicalismo, é [perdoem-me] crime, é preciso erradicar os insetos; isso já ocorreu na década 1950 – por que voltaram?;

- Em vez de se matar os bebês é preciso eliminar, com eficácia, os criadouros dispersos por toda parte, inclusive no interior dos nossos lares;

- Em vez de matar os nascituros é necessária e urgente uma campanha para conscientizar a população da necessidade de higiene, de sadios hábitos dentro da residência e fora do domicílio: em quintais, jardins, caixas d’água, calhas, vasos de plantas, pneus, piscinas, poças d’água, etc.

É preciso uma política racional séria, embora urgente, no sentido de melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas que convivem, no dia a dia, sem saneamento básico, com esgotos a céu aberto por onde crianças andam, pisam e brincam livremente [quiça não tomem desse líquido podre para saciar a sede!]

Em nosso País, apenas 57.6% dos habitantes têm rede de esgoto!

Independente deste, desse ou daquele segmento da sociedade; independente desta, dessa ou daquela corrente política; independente deste, desse ou daquele credo religioso; independente desta, dessa ou daquela posição social, sou contra o aborto, sou a favor da vida, a vida dada por Deus e que só Ele pode tirar.

“O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir” (I Sm. 2.6).
São Paulo - SP
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