Prateleira
16 de janeiro de 2017- Visualizações: 7629
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
Por que retornar à Reforma?
Por Klênia Fassoni
Em todo o mundo, os 500 anos da Reforma Protestante estão sendo comemorados desde o ano passado: viagens para os lugares onde tudo aconteceu, inúmeros eventos considerando o impacto e a atualidade da Reforma, pronunciamentos e celebrações oficiais, publicações etc.
As consequências da Reforma Protestante extrapolam o mundo protestante.
O jornal O Globo do dia primeiro de janeiro de 2017 publicou o artigo Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo. Miriam Leitão, a autora, afirmou: “Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é, sobretudo, uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.” (...) “Por ter tido educação protestante, nunca achei que 31 de outubro é o dia das bruxas. Sempre foi o dia em que Lutero, em 1517, começou uma revolução”.
Lucas Cranach, o artista que mais representou Lutero, jamais imaginaria que ele se tornaria o boneco sucesso de vendas da Playmobil. Lançado em fevereiro de 2016 na Alemanha, em apenas 72 horas foram vendidas 34 mil unidades tornando-o o boneco mais vendido da história da empresa, quando alcançou a marca de meio milhão.
Luterinho – de 7,5 cm – tem um semblante alegre, está vestido de uma capa preta e traz nas mãos uma pena e uma Bíblia aberta [foto ao lado]. Na caixa com as peças há também um folder informativo sobre ele. Foi criado em cooperação com a Central Alemã de Turismo, a Central de Congressos e Turismo de Nurembergue e a Igreja Evangélica Alemã.
Bonecos à parte, voltar à Reforma é importante para a Igreja, especialmente nestes tempos em que a identidade evangélica é tão fluida.
Não se trata apenas de recordar – de novo - a história. Mas de voltar aos princípios básicos da fé e aplicá-los. E nem de endeusar Lutero e outros representantes da Reforma Protestante. (Leopoldo Cervantes-Ortiz, escritor, dá uma boa contribuição ao chamar atenção para o grande número de pessoas que participaram da Reforma ao listar 100 Reformadores numa série de 7 artigos.
Se você ficou surpreendido com o sucesso do Lutero da Playmobil, possivelmente ficará surpreso também ao saber que Castelo Forte, o mais clássico hino da Reforma, foi apreciado por Bach, Beethoven, Debussy, Meyerbeer, Mendelssohn, Wagner e outros.
Leia abaixo a história do hino, contada por Henriqueta Rosa Fernandes Braga (durante os primeiros anos da revista Ultimato ela escreveu para a seção “Música Sacra”), e assista ao vídeo produzido por Hinologia Cristã.
Em Ultimatoonline temos publicado várias matérias sobre a Reforma, muitas das quais estão ou estiveram entre os textos mais lidos do portal. Durante 2017 continuaremos publicando textos sobre este tema.
*****
A marselhesa da Reforma
Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo;
Com seu poder defende os seus em todo o transe agudo.
Com fúria pertinaz persegue Satanás,
Com ânimo cruel; astuto e mui rebel.
Igual não há na terra.
A força do homem nada faz, sozinho está perdido.
Mas nosso Deus socorro traz, em seu Filho escolhido.
Sabeis quem é? Jesus, o que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus; e, sendo o próprio Deus
Triunfa na batalha.
Se nos quisessem devorar demônios não contados,
Não nos poderiam dominar, nem ver-nos assustados.
O príncipe do mal, com seu plano infernal,
Já condenado está; vencido cairá
Por uma só palavra.
De Deus o verbo ficará, sabemos com certeza
E nada nos perturbará, com Cristo por defesa.
Se temos de perder família, bens, prazer,
Se tudo se acabar e a morte nos chegar,
Com ele, reinaremos!
Amém
“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”. Assim começa o salmo 46 cuja paráfrase por Lutero deu origem ao muito famoso “Coral da Reforma”, por ele mesmo posto em música de maneira magistral. O vigor, a profundidade e a nobreza de linha melódica têm maravilhado e inspirado numerosos compositores que a vem utilizando através dos séculos em várias produções e o levaram ao célebre poeta lírico alemão Henrique Heiner a denominá-lo a “Marselha da Reforma”.
João Sebastião Bach tomou-o como tema básico da sua cantata nº 80; Beethoven dele fez um cânos para vozes masculinas; Meyerbeer usou-o em sua ópera “Huguenots”; Mendelssohn utilizou-o em sua Sinfonia da Reforma e Wagner na célebre “Marcha do Imperador” que escreveu para comemorar o vitorioso regresso do Imperador Guilherme, após a Guerra Franco-Prussiana; Debussy apresentou-o no nº 3 de suas peças a dois pianos intituladas “Em preto e branco”. Isto para só citar as principais apropriações deste renomado Coral de Lutero.
Ao tempo da Reforma, “Castelo forte” divulgou-se rapidamente tornando-se hino nacional da Alemanha protestante. Insistentemente cantado por Lutero e seus companheiros, igualmente o foi nos lares, nas ruas e no campo, infundindo coragem aos fracos e incentivando os heróis a novas conquistas na tremenda luta em que se empenhavam. Ontem, como hoje, se mantém atual pelas profundas verdades que encerra e pela segurança que infunde ao crente em vibrantes versos como estes:
“Com Seu poder defende os Seus
em todo transe agudo”.
“E nada nos assustará
com Cristo por defesa”.
Sobre o momento exato em que foi escrito há controvérsia. Pensam alguns, entretanto, haja sido produzido no Castelo de Wartburgo no período em que ali esteve refugiado, o Reformador, quando também iniciou a tradução da Bíblia para o alemão. Trabalho com que se fixou esse idioma, tornando-se um dos seus monumentos, e que está para ele, como os “Lusíadas” de Camões para a língua portuguesa.
Acha-se este coral traduzido para várias línguas, sendo que a tradução vernácula, da autoria do professor Eduardo Von Hafe que trabalhou no Porto, Portugal, data de 1886.
Ultimato, ano 3, edição 34, outubro de 1970
*****
Leia mais
Sacerdotes, Uber e Reforma Protestante
E a arte? O que a Reforma tem a ver com ela?
O Evangelho pertence a uma denominação?
Conversas com Lutero [Elben César]
Somente a Fé [Martinho Lutero]
Foto: Falco/Pixabay.com.
Em todo o mundo, os 500 anos da Reforma Protestante estão sendo comemorados desde o ano passado: viagens para os lugares onde tudo aconteceu, inúmeros eventos considerando o impacto e a atualidade da Reforma, pronunciamentos e celebrações oficiais, publicações etc. As consequências da Reforma Protestante extrapolam o mundo protestante.
O jornal O Globo do dia primeiro de janeiro de 2017 publicou o artigo Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo. Miriam Leitão, a autora, afirmou: “Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é, sobretudo, uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.” (...) “Por ter tido educação protestante, nunca achei que 31 de outubro é o dia das bruxas. Sempre foi o dia em que Lutero, em 1517, começou uma revolução”.
Lucas Cranach, o artista que mais representou Lutero, jamais imaginaria que ele se tornaria o boneco sucesso de vendas da Playmobil. Lançado em fevereiro de 2016 na Alemanha, em apenas 72 horas foram vendidas 34 mil unidades tornando-o o boneco mais vendido da história da empresa, quando alcançou a marca de meio milhão.
Luterinho – de 7,5 cm – tem um semblante alegre, está vestido de uma capa preta e traz nas mãos uma pena e uma Bíblia aberta [foto ao lado]. Na caixa com as peças há também um folder informativo sobre ele. Foi criado em cooperação com a Central Alemã de Turismo, a Central de Congressos e Turismo de Nurembergue e a Igreja Evangélica Alemã.Bonecos à parte, voltar à Reforma é importante para a Igreja, especialmente nestes tempos em que a identidade evangélica é tão fluida.
Não se trata apenas de recordar – de novo - a história. Mas de voltar aos princípios básicos da fé e aplicá-los. E nem de endeusar Lutero e outros representantes da Reforma Protestante. (Leopoldo Cervantes-Ortiz, escritor, dá uma boa contribuição ao chamar atenção para o grande número de pessoas que participaram da Reforma ao listar 100 Reformadores numa série de 7 artigos.
Se você ficou surpreendido com o sucesso do Lutero da Playmobil, possivelmente ficará surpreso também ao saber que Castelo Forte, o mais clássico hino da Reforma, foi apreciado por Bach, Beethoven, Debussy, Meyerbeer, Mendelssohn, Wagner e outros.
Leia abaixo a história do hino, contada por Henriqueta Rosa Fernandes Braga (durante os primeiros anos da revista Ultimato ela escreveu para a seção “Música Sacra”), e assista ao vídeo produzido por Hinologia Cristã.
Em Ultimatoonline temos publicado várias matérias sobre a Reforma, muitas das quais estão ou estiveram entre os textos mais lidos do portal. Durante 2017 continuaremos publicando textos sobre este tema.
*****
A marselhesa da Reforma
Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo;
Com seu poder defende os seus em todo o transe agudo.
Com fúria pertinaz persegue Satanás,
Com ânimo cruel; astuto e mui rebel.
Igual não há na terra.
A força do homem nada faz, sozinho está perdido.
Mas nosso Deus socorro traz, em seu Filho escolhido.
Sabeis quem é? Jesus, o que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus; e, sendo o próprio Deus
Triunfa na batalha.
Se nos quisessem devorar demônios não contados,
Não nos poderiam dominar, nem ver-nos assustados.
O príncipe do mal, com seu plano infernal,
Já condenado está; vencido cairá
Por uma só palavra.
De Deus o verbo ficará, sabemos com certeza
E nada nos perturbará, com Cristo por defesa.
Se temos de perder família, bens, prazer,
Se tudo se acabar e a morte nos chegar,
Com ele, reinaremos!
Amém
“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”. Assim começa o salmo 46 cuja paráfrase por Lutero deu origem ao muito famoso “Coral da Reforma”, por ele mesmo posto em música de maneira magistral. O vigor, a profundidade e a nobreza de linha melódica têm maravilhado e inspirado numerosos compositores que a vem utilizando através dos séculos em várias produções e o levaram ao célebre poeta lírico alemão Henrique Heiner a denominá-lo a “Marselha da Reforma”.
João Sebastião Bach tomou-o como tema básico da sua cantata nº 80; Beethoven dele fez um cânos para vozes masculinas; Meyerbeer usou-o em sua ópera “Huguenots”; Mendelssohn utilizou-o em sua Sinfonia da Reforma e Wagner na célebre “Marcha do Imperador” que escreveu para comemorar o vitorioso regresso do Imperador Guilherme, após a Guerra Franco-Prussiana; Debussy apresentou-o no nº 3 de suas peças a dois pianos intituladas “Em preto e branco”. Isto para só citar as principais apropriações deste renomado Coral de Lutero.
Ao tempo da Reforma, “Castelo forte” divulgou-se rapidamente tornando-se hino nacional da Alemanha protestante. Insistentemente cantado por Lutero e seus companheiros, igualmente o foi nos lares, nas ruas e no campo, infundindo coragem aos fracos e incentivando os heróis a novas conquistas na tremenda luta em que se empenhavam. Ontem, como hoje, se mantém atual pelas profundas verdades que encerra e pela segurança que infunde ao crente em vibrantes versos como estes:
“Com Seu poder defende os Seus
em todo transe agudo”.
“E nada nos assustará
com Cristo por defesa”.
Sobre o momento exato em que foi escrito há controvérsia. Pensam alguns, entretanto, haja sido produzido no Castelo de Wartburgo no período em que ali esteve refugiado, o Reformador, quando também iniciou a tradução da Bíblia para o alemão. Trabalho com que se fixou esse idioma, tornando-se um dos seus monumentos, e que está para ele, como os “Lusíadas” de Camões para a língua portuguesa.
Acha-se este coral traduzido para várias línguas, sendo que a tradução vernácula, da autoria do professor Eduardo Von Hafe que trabalhou no Porto, Portugal, data de 1886.
Ultimato, ano 3, edição 34, outubro de 1970
*****
Leia mais
Sacerdotes, Uber e Reforma Protestante
E a arte? O que a Reforma tem a ver com ela?
O Evangelho pertence a uma denominação?
Conversas com Lutero [Elben César]
Somente a Fé [Martinho Lutero]
Foto: Falco/Pixabay.com.
16 de janeiro de 2017- Visualizações: 7629
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Prateleira
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Abuso: uma morte por mil cortes
- “Mas por que essa criança não falou antes?”
- Compreendendo a diáspora como dimensão missionária
- Vem aí o Congresso JUVEP 2026
- Rage bait versus perdão e reconciliação
- Dietrich Bonhoeffer em 2026
- Ultimato - uma história possível [no passado e no futuro] com você
- Preparando o coração para as eleições de 2026
- Missão integral centrada no evangelho – em Atos?
- Saúde integral para o bem-estar é tema da próxima live do grupo Ethica, Sola Gratia
(31)3611 8500
(31)99437 0043
As controvérsias de Jesus
Não se case... antes de ler este livro!
Novo lançamento de Ultimato
Ele traduziu a Bíblia e as fábulas de Esopo








