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Opinião

Uma deusa, o Fluminense e Lutero

"Você e o seu Deus! Quem ainda se importa com ele?”
 
É bom quando há ateus entre os amigos. Você é desafiado a ser preciso, a surpreender a si mesmo e aos outros. Uma boa opção é replicar com a pergunta: “E o seu Deus?”. Recentemente meu amigo retrucou com o usual “não tenho.” Revidei: “Tens minha admiração!”. Ele esbravejou: “Você está de gozação? Alguém como você jamais admiraria que não creio em Deus”. É verdade. “Então, para que esse ‘tens minha admiração?’”.
 
Agora complicou. Mas é bom assim. Pois bem, respeito que ele diga que não tem um Deus. É algo diferente do que não crer em Deus. “Detalhista! Sempre procurando pelo em ovo!” Pode ser. Afirmo que não há um no qual ele creia. Mas talvez ele creia em um, sem o saber. “O que é fé?” Meu amigo é advogado e gosta de exatidão. Depois de pensar um pouco, respondo que fé é sinônimo de confiança. Se você não tem em quem confia, não significa que Deus inexiste.
 
Mudamos de tema: futebol, nosso assunto favorito. Meu amigo é tricolor, à semelhança do que foi o Nelson Rodrigues: torce pelo Fluminense. No ano que passou, o desempenho do Flu fez com que meu amigo sorrisse de orelha a orelha sempre que o assunto fosse futebol. “Sim, admito: realmente me sinto ótimo quando o Fluminense vai bem. Meu coração está preso ao Tricolor desde minha infância.” O coração está preso... Será que meu amigo sabe de onde vem essa expressão? “Eu acho que deve ser do vernáculo ou talvez da gíria. Mas, vendo esse sorriso seu, já sei que deve ser de algum religioso! Fale logo!” Claro, ele me conhece. Não estamos conversando pela primeira vez.
 
Eu digo, Martinho Lutero, Catecismo Maior, Primeiro Mandamento. “O quê Maior? É preciso conhecer isso?”. Claro que não. Mas é um texto fascinante sobre como se pode e como se deve entender mandamentos. Meu amigo agora tornou-se uma mistura de pequeno incômodo, grande curiosidade e uma pitada de impaciência: “Fale logo, senão ficará sem dar sossego!”. “Eu sou o Senhor teu Deus; não terás outros deuses diante de mim” é o primeiro mandamento. Meu amigo resmunga que já ouviu isso. “E agora o seu Lutero!”. Estou na estante pegando o pequeno livro com o Catecismo Maior. “E você vai ler para mim agora, o livro todo? Você deve estar brincando!”. Não, não o livro todo, apenas um parágrafo”. Lutero explicou em poucas linhas, o que é um Deus: “Deus designa aquilo de que se deve esperar todo o bem e em que devemos refugiar-nos em todo o aperto. Portanto, ter um Deus outra coisa não é senão confiar e crer nele de todo coração. Repetidas vezes já disse que apenas o confiar e crer de coração faz tanto Deus como ídolo. (...) Fé e Deus não se podem divorciar. Aquilo, pois, a que prendes o coração e te confias, isso, digo, é propriamente o teu Deus.”1. “Fluminense! Essa não! Um a zero para o seu Lutero.” Meu amigo é um desportista justo. “O deus do futebol. Ó, Deus!”.
 
Após um gol do Tricolor idolatrado, “a semana” do meu amigo “é salva”. Preciso usar essa ilustração: “Marque um gol, e minha alma será curada.” Ou como diz mesmo o hino popular do Fluminense? “O Fluminense me domina. Eu tenho amor ao Tricolor!”. Seu deus é o Tricolor. “Agora pare! Eu admito, mas chega dessa sessão missionária!”. Ele está certo.
 
Conversamos muito tempo sobre Campeonato Brasileiro, Libertadores etc. O que fazem os times de São Paulo? Meu amigo nunca compreendeu minha preferência pelo futebol paulista. Qual o futuro do Flamengo? Uma questão sobre a qual ele tem opinião tão clara quanto sobre o futuro do seu Tricolor, apenas com o sinal oposto. Na despedida, meu amigo me dá aquele abraço de sempre. “Então, cuidado, ao que você prende seu coração. Meu está preso, além do Tricolor, à minha mulher. Disso você já sabia, certo? Posso levar um abraço seu à deusa?”. Claro que pode.
 
Nota:
Esse texto é uma paródia brasileira do artigo “Eine Göttin, die Borussia und Martin Luther”, de Arnd Brummer, publicado em Chrismon, edição de janeiro de 2013.
 
1. Conforme “Livro de Concórdia – As Confissões da Igreja Evangélica Luterana”, Editoras Concórdia/Sinodal/Ulbra, 6ª edição, 2006.
 
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Tem doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça. É professor de engenharia em São José dos Campos (SP). É editor do blog Fé e Ciência.
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