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Os pastores, o trabalho e o divino

Por Phelipe Reis | Uma semana com personagens do Natal

Algumas narrativas bíblicas facilmente nos transportam para dentro das histórias por conta da riqueza de detalhes apresenta pelo autor. Já outras, deixam lacunas e interrogações, instigando a imaginação dos leitores. Um bom exemplo do segundo caso é o registro bíblico, feito apenas por Lucas, da visita dos pastores a Jesus, logo após seu nascimento (Lc. 2.8-20).
 
Quantos eram esses pastores? Quais os nomes? De onde eram? Como era o dia-a-dia de um pastor? Como a sociedade da época via essa profissão? Porque os outros evangelhos não relatam a visita deles ao menino Jesus? Usando a imaginação e pesquisando um pouco da cultura judaica, podemos tentar reconstruir a cena em que o anjo aparece aos pastores e anuncia o nascimento do Salvador.
 
Era início da primavera, época em que os pastores levavam os rebanhos para o campo, para pastar ao ar livre ou nas encostas verdejantes. Ao cair da noite, os pastores contavam as ovelhas, os bodes e os cordeiros, e verificava como estava cada animal, principalmente aqueles que tinham recebido nomes, como era de costume fazer com seus animais os pastores pacientes e carinhosos.
 
Ao ar livre e sob o tapete brilhante de estrelas, os pastores dormiam, mas não podiam ter o sono pesado, já que as ovelhas estavam em campo aberto e predadores poderiam aparecer a qualquer momento. Animais dóceis e frágeis que são, ovelhas não enxergam além de vinte metros, não tem garras, não sabem dar coice, não sabem morder, não tem nenhuma forma de se defender, por isso precisam da constante vigilância e proteção do pastor. 
 
Alguns estudiosos dão conta de que a profissão de pastor não era bem vista na sociedade judaica, nos tempos de Jesus. John Stott diz que os “pastores não gozavam de boa reputação em Israel e eram vistos como pessoas desonestas e pouco confiáveis”. Mas foi para esses homens, que cuidavam de frágeis animais, em um lugar comum e singelo, que o anjo do Senhor apareceu, com luzes e efeitos especiais, para anunciar-lhes a grande boa notícia: “Hoje, em Belém, a cidade de Davi, nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor. Vocês o reconhecerão por este sinal: encontrarão o bebê enrolado em faixas de pano deitado numa manjedoura” (Lc. 2.11).
 
Diante do anjo e cercados pela glória do Senhor, os pastores se encheram de medo – o mesmo estado em que ficaram Zacarias e Maria ao receberem a visita angelical. Mas o medo não os paralisou; pelo contrário, os colocou em movimento, em direção a Belém para averiguar o acontecimento que lhes fora anunciado em primeiríssima mão. Chegando ao local, encontraram Maria ainda se recuperando do parto e José apreciando o rosto de seu filhinho, que estava deitado sobre o recipiente em que colocavam palha para alimentar os animais. O casal estava radiante de felicidade, afinal, ter um filho era o maior desejo de qualquer casal judeu.
 
Todos estavam encantados com o menino. Os pastores, mesmo entusiasmados com a alegria da família e com o significado do momento, não podiam demorar. Não podiam ficar o resto de suas vidas ao redor da manjedoura, contemplando Jesus. Deixar as ovelhas sozinhas por muito tempo era perigoso. Os pastores tinham que voltar. Voltar para seus campos, suas ovelhas, seus trabalhos, suas casas e suas famílias. Esse retorno, claro, não podia ser diferente. Além de glorificar e louvar a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, os pastores saíram contando a todos o que anjo tinha dito sobre a criança. Queriam que todos soubessem das boas novas de salvação.
 
Mas, e daí? Por que Lucas inseriu em sua narrativa a participação dos pastores? Além do óbvio e de mostrar que Deus gosta de incluir em seus projetos pessoas comuns e até não tão bem vistas perante a sociedade, o que mais a história desses personagens pode nos ensinar? O episódio mostra que, nem sempre, a experiência com o divino acontece dentro dos templos, mas também fora deles, nos espaços comuns do cotidiano, como no local de trabalho. Foi assim com Moisés, enquanto pastoreava as ovelhas do sogro. E foi assim também com os pastores, enquanto vigiavam seus rebanhos no campo. Isso serve para nos lembrar que não estamos fora do caminho das visitas divinas quando estamos nos dedicando ao nosso trabalho. Sim, o trabalho importa; o trabalho é um caminho para Deus.

• Phelipe M. Reis é jornalista, esposo da Luíze e pai da Elis.
 

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