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Opinião

John Stott e a solteirice

SEMANA JOHN STOTT

Especial | Por Christianity Today (EUA)
Publicado originalmente em 17 de agosto de 2011

John Stott foi um estadista evangélico, um pastor/erudito e um inveterado observador de aves. Ele foi também, ao longo da vida, um celibatário. Enquanto eu fazia pesquisas para o meu livro sobre a teologia da solteirice, tive a oportunidade de conhecer Stott e entrevistá-lo sobre seus pontos de vista e sua experiência como solteiro. Mais tarde, ele revisou e ampliou suas francas observações, dando um tratamento mais completo ao assunto, do qual foi extraído o seguinte escrito.

Casamento e celibato na balança

Nunca devemos exaltar a solteirice (como o faziam alguns pais da igreja primitiva, especialmente Tertuliano) como se fosse uma vocação mais elevada e mais santa do que o casamento. Devemos rejeitar a tradição ascética que deprecia o sexo como luxúria legalizada e o casamento como prostituição legalizada. Não, não. Sexo é o bom presente dado pelo bom Criador, e casamento é sua própria instituição.

Se o casamento é bom, solteirice também o é. Há um exemplo desse equilíbrio nas Escrituras: apesar de Gênesis 2.18 indicar que é bom se casar, 1 Coríntios 7.1 (em resposta a uma questão colocada pelo Coríntios) diz que “é bom para o homem não se casar”. Assim, tanto o casamento quanto a solteirice são “bons”; nenhum é, em si, melhor ou pior que o outro.

Razões por que as pessoas permanecem solteiras

Duvido que se possa encontrar uma resposta mais clara para essa questão do que no ensino do próprio Jesus em Mateus 19.11-12, o qual fala sobre os “eunucos”, pessoas que permanecem solteiras e celibatárias. Ele listou três razões por que as pessoas não se casam.

Em primeiro lugar, para alguns, é “porque nasceram assim”, o que inclui aqueles com uma imperfeição física ou com uma orientação homossexual. Devido a esses fatores congênitos, é improvável que eles se casem.

Em segundo lugar, há aqueles que “foram feitos dessa forma pelos homens”. Incluem-se aqui vítimas da horrível prática antiga da castração forçada. Inclui, ainda, todos aqueles que hoje permanecem solteiros sob qualquer coação ou circunstância externa. É o caso de uma filha que se sente na obrigação de renunciar o casamento, a fim de cuidar de seus pais idosos.

Em terceiro lugar, “outros renunciaram o casamento por causa do reino dos céus”. Essas pessoas, que não estão sujeitas a nenhum tipo de pressão, seja de dentro ou de fora, voluntariamente colocam o casamento de lado, temporária ou permanentemente, com o intuito de realizar algum trabalho para o reino que exige resoluta devoção.

A solteirice como um dom de Deus

É notório que o próprio Jesus, antes de enumerar as três categorias de pessoas solteiras, disse que nem todo mundo podia aceitar o que ele estava prestes a dizer, “mas só aqueles a quem foi dado”. Se solteirice é um dom, o casamento, entretanto, também o é. Na verdade, eu tenho encontrado ajuda em 1 Coríntios 7.7. Aqui o apóstolo escreve: “Cada homem [ou mulher] tem o seu próprio dom de Deus, um tem este dom, outro tem aquele”. “Dom” vem da palavra carisma, que é um dom da graça de Deus (charis). Então, se somos solteiros ou casados, precisamos receber de Deus a nossa situação como sendo sua própria graça, seu dom especial para nós.

A própria experiência de Stott como solteiro

Apesar dos rumores em contrário, eu nunca fiz um voto solene ou decisão heroica de permanecer solteiro! Pelo contrário, durante os meus 20, 30 anos, como a maioria das pessoas, eu tinha expectativas de me casar um dia. De fato, durante esse período, eu por duas vezes comecei a desenvolver um relacionamento com uma mulher, a qual pensei ser a parceira de vida que Deus escolhera para mim. Mas, quando chegou a hora de tomar uma decisão, a melhor maneira de explicar seria dizer que eu não tinha uma garantia de Deus de que ele quisesse que eu fosse em frente. Então eu recuei. E, quando isso aconteceu pela segunda vez, naturalmente comecei a acreditar que o desejo de Deus era que eu permanecesse solteiro.

Olhando para trás, com o benefício da retrospectiva, acho que sei o porquê. Eu nunca poderia ter viajado ou escrito da forma extensiva como fiz se tivesse tido as responsabilidades de uma esposa e família.

Sobre solidão

Deus nos criou como seres sociais. O amor é a melhor coisa do mundo. Porque Deus é amor, e quando ele nos fez à sua imagem, ele nos deu a capacidade de amar e ser amado. Por isso precisamos uns dos outros. No entanto, o casamento e a família não são os únicos antídotos para a solidão.

Alguns pastores trabalham sozinhos, isolados de seus pares, e em consequência estão solitários. Mas o Novo Testamento claramente prevê que cada igreja local terá uma supervisão plural. Veja, por exemplo, Atos 14.23 e Tito 1.5. Assim, na igreja All Souls, no coração de Londres, sempre tivemos um ministério de equipe, o qual descobrimos ser um enorme enriquecimento. Também tenho sido muito abençoado por Frances Whitehead, minha fiel secretária por mais de quarenta anos, e pela “sucessão apostólica” de meus assistentes de pesquisa.

Além disso, pessoas solteiras são sábias para desenvolver o maior número possível de amizades com pessoas de todas as idades e ambos os sexos. Por exemplo, embora eu não tenha meus próprios filhos, tenho centenas de sobrinhos e sobrinhas adotados em todo o mundo, que me chamam de “Tio John”. Eu estimo essas relações afetivas; elas diminuem grandemente, mesmo que não amorteçam completamente, as dores ocasionais da solidão.

Palavras finais de aconselhamento para pessoas solteiras

Em primeiro lugar, não tenha uma pressa muito grande para se casar. Nós, seres humanos, não alcançamos a maturidade até cerca dos 25 anos. Casar-se antes disso comporta o risco de se ver aos 25 anos casado com alguém que era uma pessoa muito diferente aos 20. Portanto, seja paciente. Ore diariamente para que Deus o guie em direção ao seu parceiro de vida ou lhe mostre se ele quer que você permaneça solteiro. Em segundo lugar, leve uma vida social normal. Desenvolva muitas amizades. Em terceiro lugar, se Deus o chamar à solteirice, não lute contra isso. Lembre-se do texto-chave: “Cada pessoa tem seu próprio dom da graça de Deus” (1Cr 7.7).

Notas
1. Os direitos de publicação deste artigo pertencem ao site Christianity Today. Artigo publicado em 17 de agosto de 2011 por John Stott e Al Hsu.
2. Tradução: Cláudia Avarenga. Revisão: Paula Mazzini e Natália Superbi.

Foto: Freeimages


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