Opinião
07 de julho de 2026- Visualizações: 29
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Esperança no lugar certo
As opiniões pertencem à esfera do relativo, não do absoluto. Ao final, o bem triunfará sobre o mal e as injustiças serão consertadas. Sem idolatrias e sem colocar nossa esperança no lugar errado
Por Ricardo Wesley M. Borges
A vida de pastor que busca não se manifestar publicamente sobre seu voto costuma ser ainda mais difícil em ano eleitoral. Digo sem coitadismo nem autocomiseração ao recomendar o excelente e necessário livro do querido amigo Paul Freston, Evangélicos e Democracia Brasileira. Por convicção, não revelo o voto. Até porque creio, junto com Paul, na pluralidade política da comunidade cristã e suspeito quando a opinião política ou a preferência de voto se tornam mais homogêneas em uma comunidade de fé. Também porque entendo que meu papel como ministro do evangelho não é o de influenciar os crentes em uma direção ou outra do espectro político-partidário. Assim, ler o livro de Paul é um alento, pela maneira preciosa como ele fala sobre os desafios para que a igreja não se fragmente e para que ela dê um testemunho diferente, saudável e transformador em uma realidade cada vez mais polarizada e agressiva.
Digo um alento porque, por vezes, sinto um desânimo avassalador com o que vejo e ouço, inclusive dentro da igreja, sobre a realidade política e as opções que as pessoas fazem. Um abatimento ao ouvir opiniões que incluem rejeitar a democracia como um caminho desejável. Paul identifica que são posições que se sustentam pelo ressentimento e pelo ódio. Ele nos lembra que cristãos deveriam ser diferentes daqueles de fora da igreja e claramente rejeitar linguagens, símbolos ou slogans que provêm do ódio. Assim, talvez um de nossos principais desafios seja o de aprender, como Freston nos anima, a ver e a ouvir o mundo através dos olhos do outro, buscar entender os argumentos e as perspectivas de quem pensa e vota diferente de nós. Também o de aprender a duvidar de qualquer um que se atribua o monopólio da retidão. Por isso, talvez o nosso principal papel como cristãos deveria ser o de semear dúvidas em meio às certezas idolátricas das opiniões políticas de nosso tempo.
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Essa autoatribuição de retidão e as certezas um pouco (ou muito) ingênuas valem tanto para a direita como para a esquerda. E digo isso não por acreditar que o “centro” seja a posição ideal do cristão. Lembro-me de algumas décadas atrás já ter ouvido de Paul que não deveríamos ficar preocupados se aqueles que estão à minha direita me chamam de esquerda ou se os que estão à minha esquerda me chamam de direita. Cabe a nós, em uma tarefa árdua, humilde e fiel, como nos indica Freston, buscar sempre conectar a revelação bíblica com as realidades sociopolíticas de nosso contexto. Recordando, como ele bem nos frisa, que as opiniões políticas pertencem à esfera do relativo, e não do absoluto.
O livro de Paul é de leitura fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil porque nos traz artigos curtos, já publicados ou revisados e expandidos, que vão direto ao ponto em temas importantes. Difícil porque toca em assuntos espinhosos, denunciando nossas certezas em tempos sombrios, e chamando-nos ao arrependimento. Ao final, não é sobre em quem votamos, mas como vivemos no mundo hoje sem perder a capacidade de falar uns com os outros. Também sem perder a esperança bíblica que é, como Paul nos indica, um otimismo sem ingenuidade, porque confia que, ao final, o bem triunfará sobre o mal e as injustiças serão consertadas. Sem escapismos, alimentando nossa fidelidade no tempo presente. Sem idolatrias e sem colocar nossa esperança no lugar errado.
Artigo publicado originalmente na edição 420 de Ultimato.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Religião e Política, Sim – Igreja e Estado, Não, Paul Freston
» Cristianismo e Política, Robinson Cavalcanti
» Fé Cristã e Ação Política, Pedro Lucas Dulci
Por Ricardo Wesley M. Borges
A vida de pastor que busca não se manifestar publicamente sobre seu voto costuma ser ainda mais difícil em ano eleitoral. Digo sem coitadismo nem autocomiseração ao recomendar o excelente e necessário livro do querido amigo Paul Freston, Evangélicos e Democracia Brasileira. Por convicção, não revelo o voto. Até porque creio, junto com Paul, na pluralidade política da comunidade cristã e suspeito quando a opinião política ou a preferência de voto se tornam mais homogêneas em uma comunidade de fé. Também porque entendo que meu papel como ministro do evangelho não é o de influenciar os crentes em uma direção ou outra do espectro político-partidário. Assim, ler o livro de Paul é um alento, pela maneira preciosa como ele fala sobre os desafios para que a igreja não se fragmente e para que ela dê um testemunho diferente, saudável e transformador em uma realidade cada vez mais polarizada e agressiva.Digo um alento porque, por vezes, sinto um desânimo avassalador com o que vejo e ouço, inclusive dentro da igreja, sobre a realidade política e as opções que as pessoas fazem. Um abatimento ao ouvir opiniões que incluem rejeitar a democracia como um caminho desejável. Paul identifica que são posições que se sustentam pelo ressentimento e pelo ódio. Ele nos lembra que cristãos deveriam ser diferentes daqueles de fora da igreja e claramente rejeitar linguagens, símbolos ou slogans que provêm do ódio. Assim, talvez um de nossos principais desafios seja o de aprender, como Freston nos anima, a ver e a ouvir o mundo através dos olhos do outro, buscar entender os argumentos e as perspectivas de quem pensa e vota diferente de nós. Também o de aprender a duvidar de qualquer um que se atribua o monopólio da retidão. Por isso, talvez o nosso principal papel como cristãos deveria ser o de semear dúvidas em meio às certezas idolátricas das opiniões políticas de nosso tempo.
.gif)
Essa autoatribuição de retidão e as certezas um pouco (ou muito) ingênuas valem tanto para a direita como para a esquerda. E digo isso não por acreditar que o “centro” seja a posição ideal do cristão. Lembro-me de algumas décadas atrás já ter ouvido de Paul que não deveríamos ficar preocupados se aqueles que estão à minha direita me chamam de esquerda ou se os que estão à minha esquerda me chamam de direita. Cabe a nós, em uma tarefa árdua, humilde e fiel, como nos indica Freston, buscar sempre conectar a revelação bíblica com as realidades sociopolíticas de nosso contexto. Recordando, como ele bem nos frisa, que as opiniões políticas pertencem à esfera do relativo, e não do absoluto.
O livro de Paul é de leitura fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil porque nos traz artigos curtos, já publicados ou revisados e expandidos, que vão direto ao ponto em temas importantes. Difícil porque toca em assuntos espinhosos, denunciando nossas certezas em tempos sombrios, e chamando-nos ao arrependimento. Ao final, não é sobre em quem votamos, mas como vivemos no mundo hoje sem perder a capacidade de falar uns com os outros. Também sem perder a esperança bíblica que é, como Paul nos indica, um otimismo sem ingenuidade, porque confia que, ao final, o bem triunfará sobre o mal e as injustiças serão consertadas. Sem escapismos, alimentando nossa fidelidade no tempo presente. Sem idolatrias e sem colocar nossa esperança no lugar errado.
- Ricardo Wesley M. Borges é pastor na Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo.
Artigo publicado originalmente na edição 420 de Ultimato.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Religião e Política, Sim – Igreja e Estado, Não, Paul Freston
» Cristianismo e Política, Robinson Cavalcanti
» Fé Cristã e Ação Política, Pedro Lucas Dulci
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