Opinião
09 de julho de 2026- Visualizações: 62
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Desde a Queda, tudo o que podia deu errado. Inclusive a religião
Por Paulo Ribeiro
Desde a primeira rebelião da humanidade, todas as esferas da civilização foram afetadas pela Queda. Famílias se desfizeram. Governos tornaram-se opressores. Mercados recompensaram a ganância. Universidades, por vezes, trocaram a busca pela verdade pela ideologia.
A ciência, ocasionalmente, serve à destruição em vez da sabedoria. A tecnologia amplifica tanto a criatividade quanto a crueldade. A política dividiu o que prometeu unir. E a religião – a própria instituição encarregada de proclamar a santidade de Deus – também foi corrompida.
Eventos recentes no Brasil servem como lembretes dolorosos de que até mesmo pastores e líderes religiosos podem se envolver em fraudes, exploração financeira, abuso de poder e outros crimes graves. Tais escândalos naturalmente provocam indignação pública. No entanto, não deveriam surpreender ninguém que compreenda a doutrina bíblica da Queda.
O cristianismo jamais ensinou que pessoas religiosas sejam incapazes de praticar o mal. Muito pelo contrário. O próprio Mestre usou a expressão “sepulcros caiados” para denunciar uma religiosidade exteriormente respeitável, mas interiormente corrompida.
C. S. Lewis expressou isso com sua franqueza característica: "De todos os homens maus, os homens religiosos maus são os piores". Seu argumento não era que a religião é pior do que a irreligião, mas que, quando o orgulho se reveste de certeza religiosa, a própria consciência se distorce. Uma pessoa que acredita que Deus aprova suas ambições pode justificar quase qualquer coisa. O mal torna-se especialmente perigoso quando se veste com a linguagem da virtude.
A lição vai muito além da religião. O mesmo coração caído que corrompe o púlpito também corrompe o parlamento, o tribunal, a universidade, o laboratório, a empresa e o mercado. As instituições não nos salvam, pois são compostas por pessoas como nós. Inevitavelmente, levamos nossas virtudes – e nossos vícios – para tudo o que construímos.
Contudo, Lewis insistiria que a corrupção não é uma prova contra as dádivas de Deus. Dinheiro falso comprova a existência de moeda verdadeira. Da mesma forma, a hipocrisia religiosa não refuta a existência de Deus; a ciência corrompida não invalida a verdade; juízes desonestos não anulam a justiça. O abuso de algo bom jamais invalida o seu uso correto. Ele simplesmente nos lembra de que o problema humano mais profundo não é institucional, mas espiritual, e que o remédio definitivo não é meramente a reforma, mas a redenção.
Imagem: Unsplash
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» As Controvérsias de Jesus, John Stott
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Surpreendido Pela Alegria, C. S. Lewis
Desde a primeira rebelião da humanidade, todas as esferas da civilização foram afetadas pela Queda. Famílias se desfizeram. Governos tornaram-se opressores. Mercados recompensaram a ganância. Universidades, por vezes, trocaram a busca pela verdade pela ideologia. A ciência, ocasionalmente, serve à destruição em vez da sabedoria. A tecnologia amplifica tanto a criatividade quanto a crueldade. A política dividiu o que prometeu unir. E a religião – a própria instituição encarregada de proclamar a santidade de Deus – também foi corrompida.
Eventos recentes no Brasil servem como lembretes dolorosos de que até mesmo pastores e líderes religiosos podem se envolver em fraudes, exploração financeira, abuso de poder e outros crimes graves. Tais escândalos naturalmente provocam indignação pública. No entanto, não deveriam surpreender ninguém que compreenda a doutrina bíblica da Queda.
O cristianismo jamais ensinou que pessoas religiosas sejam incapazes de praticar o mal. Muito pelo contrário. O próprio Mestre usou a expressão “sepulcros caiados” para denunciar uma religiosidade exteriormente respeitável, mas interiormente corrompida.
C. S. Lewis expressou isso com sua franqueza característica: "De todos os homens maus, os homens religiosos maus são os piores". Seu argumento não era que a religião é pior do que a irreligião, mas que, quando o orgulho se reveste de certeza religiosa, a própria consciência se distorce. Uma pessoa que acredita que Deus aprova suas ambições pode justificar quase qualquer coisa. O mal torna-se especialmente perigoso quando se veste com a linguagem da virtude.
A lição vai muito além da religião. O mesmo coração caído que corrompe o púlpito também corrompe o parlamento, o tribunal, a universidade, o laboratório, a empresa e o mercado. As instituições não nos salvam, pois são compostas por pessoas como nós. Inevitavelmente, levamos nossas virtudes – e nossos vícios – para tudo o que construímos.
Contudo, Lewis insistiria que a corrupção não é uma prova contra as dádivas de Deus. Dinheiro falso comprova a existência de moeda verdadeira. Da mesma forma, a hipocrisia religiosa não refuta a existência de Deus; a ciência corrompida não invalida a verdade; juízes desonestos não anulam a justiça. O abuso de algo bom jamais invalida o seu uso correto. Ele simplesmente nos lembra de que o problema humano mais profundo não é institucional, mas espiritual, e que o remédio definitivo não é meramente a reforma, mas a redenção.
Imagem: Unsplash
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
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» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Surpreendido Pela Alegria, C. S. Lewis
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
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