Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Opinião

Como devemos responder à perseguição de cristãos?

Por Yousaf Sadiq | Análise Global de Lausanne
 
Em muitas partes do mundo, a perseguição de cristãos está a aumentar.[1] Exemplos dessa perseguição hoje em dia incluem:
  • ataques suicidas a igrejas no Egito, Nigéria, Iraque e Paquistão[2]
  • a nova prisão do pastor Youcef Nadarkhani no Irã[3]
  • a situação de Asia Bibi, finalmente absolvida de blasfémia no Paquistão, mas em grave perigo
  • o rapto de Leah Sharibu pelo Boko Haram na Nigéria
  • a conversão forçada de cristãos na Índia[4]
  • cristãos enviados para campos de concentração na Coreia do Norte
Uma vez que cristãos por todo o mundo estão a ser vítimas deste tratamento brutal, é importante e oportuno perguntarmo-nos como, na qualidade de evangélicos, devemos responder, para que possamos ajudar a fortalecer a igreja global no seu trabalho de missão global.
 
Oração

A oração é a nossa primeira e grande prioridade em nome dos nossos irmãos e irmãs perseguidos. Charles Spurgeon disse que "todas as perseguições de cada membro devem ser levadas a Deus em oração".[5] Isto não é opcional. Uma boa forma de começar é criar um grupo que se encontre numa altura combinada para orar pela igreja perseguida. As igrejas devem depois encorajar os seus membros a juntar-se à oração pela igreja em sofrimento.
 
Como Franklin Graham diz, seria um erro pensar que a perseguição de cristãos é distante dos cristãos no Ocidente. Em vez disso, ele diz que "temos a responsabilidade de orar pelos que sofrem, porque eles têm o nome de Cristo".[6] Foi exatamente assim que a igreja primitiva respondeu. Quando Pedro estava na prisão, a igreja orava fervorosamente por ele (Atos 12:5).
 
Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida

O Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida é uma excelente oportunidade para as congregações de todo o mundo se juntarem (no mês de novembro) e lembrarem em oração a igreja em sofrimento. As congregações poderão escolher focar-se na oração por indivíduos, famílias, igrejas ou países onde os cristãos enfrentem situações difíceis. É uma forma prática de mostrar solidariedade pelos nossos irmãos e irmãs perseguidos, e mais igrejas precisam de promover este dia entre as suas congregações.
 
Criar consciencialização

Muitos cristãos no Ocidente não estão cientes do estado da perseguição de cristãos no mundo. Muitos ficam surpreendidos ao saber que cristãos são insultados, isolados, humilhados, discriminados, presos, espancados, torturados, queimados e mortos pela sua fé. É necessário fazer esforços para aumentar a consciencialização acerca da perseguição que os cristãos enfrentam. As igrejas poderão considerar convidar oradores familiarizados com o tema para um seminário, workshop ou conferência, de preferência com uma sessão de perguntas e respostas. Isto promoveria um conhecimento mais profundo acerca da igreja perseguida.
 
Defender cristãos perseguidos

Como seria se a nossa família nos abandonasse quando mais precisássemos dela? Como nos sentiríamos? Alguns de nós não conseguem sequer imaginá-lo. Ao escrever à igreja de Corinto, Paulo escreve: "Se uma [parte] sofre, todas sofrem com ela" (1 Coríntios 12:26). Paulo está a dizer que os cristãos devem cuidar uns dos outros. Este é um comportamento esperado daqueles que dizem ser seguidores de Cristo. Mas aplica-se tanto à igreja local como à igreja global de Cristo. Os cristãos não podem simplesmente ignorar crueldades sofridas pelos seus irmãos e irmãs e não sentir a sua dor.
 
Eles devem mostrar preocupação (Gálatas 6:10) e levantar a sua voz contra cada injustiça (Isaías 1:17). A igreja global de Cristo pode ser um enorme encorajamento para a igreja em sofrimento: enviando uma simples carta de encorajamento e apreço, expressando o nosso compromisso de orar por eles, e partilhando como a sua fé nos abençoa espiritualmente. Da mesma forma, pode ser útil escrever a embaixadas para inquirir acerca do mau estado dos direitos humanos nos seus países e pedir a representantes eleitos que corrijam as condições do tratamento desumano de cristãos. Vamos agir como uma família em Cristo e defender a igreja perseguida.
 
Ajuda prática

Quando pessoas, famílias ou povoações cristãs são atacadas e as suas casas são vandalizadas ou incendiadas, elas fogem e são literalmente desalojadas. Na maioria dos casos, não têm escolha a não ser ficar com parentes próximos; e, geralmente, não estão em posição de reconstruir as suas casas. Muitas vezes, ajudá-las a regressar não é uma prioridade do governo em questão.
 
É também frequente elas não conseguirem comprar um terreno ou casa noutro lugar. Portanto, apesar do seu medo, a única opção para a maioria, mais cedo ou mais tarde, é regressar às suas casas. É aqui que elas precisam de ajuda prática para reconstruir. Em parceria com ministérios cristãos locais e organizações não-governamentais, o corpo global de Cristo pode participar no processo de realojamento de cristãos perseguidos.
 
Aqueles que conseguem deixar as suas casas e encontrar refúgio noutro país encontram-se muitas vezes numa situação desafiante. Estes desafios incluem não ter um lugar permanente onde viver, um futuro incerto, uma cultura e forma de vida desconhecidas, uma língua estrangeira, e anos à espera da burocracia para se instalarem num novo país. É aqui que os cristãos precisam de se aproximar em amor e ajudar cristãos perseguidos de todas as formas possíveis. Muitas igrejas ocidentais estão envolvidas em ministérios para refugiados e imigrantes.[7] Seria útil se essas igrejas considerassem criar instalações para receber especialmente aqueles que, por causa da sua fé cristã, tiveram de fugir, não têm onde viver, e estão presos no sistema jurídico.
 
Por exemplo, é preocupante o estado dos cristãos na Tailândia que tiveram de sair do Paquistão por causa da perseguição.[8] Existem cerca de 5000 requerentes de asilo vindos do Paquistão, muitos dos quais são forçados a viver em centros de detenção em Banguecoque. Os seus filhos não têm acesso a educação, eles estão sob ameaça de serem enviados de volta se não pagarem subornos, e não têm acesso a cuidados de saúde.
 
O corpo global de Cristo pode ser um instrumento de bênção para muitos dos que vivem em circunstâncias igualmente duras:
  • Vale a pena considerar uma viagem missionária de curto-prazo em que os cristãos sejam confrontados com perseguição extrema.
     
  • Orar com eles, encorajá-los e ouvir as suas histórias pode ser significativo tanto para eles como para os membros da equipa de missão de curto-prazo.
Aconselhamento Cristão

Nestas circunstâncias, não é apenas a perda de bens. Os cristãos perseguidos sofrem níveis elevados de stress psicológico e emocional contínuo, além de desafios espirituais. Infelizmente, em muitos lugares onde os cristãos enfrentam perseguição extrema, não existe aconselhamento cristão para os ajudar a lidar com o trauma que sofreram.[9] Muitas igrejas no terreno não têm consciência da necessidade e eficácia do aconselhamento cristão. A igreja global de Cristo pode aliviar a igreja em sofrimento dando formação em aconselhamento cristão dentro do seu contexto social e cultural; é crucial ter em mente os aspetos sociais e culturais para que esta formação cumpra o seu propósito.
 
Em 2013, várias pessoas perderam famílias inteiras num duplo ataque suicida a uma igreja no Paquistão: 78 cristãos foram mortos e 130 ficaram feridos.[10] Alguns membros da igreja estudaram aconselhamento cristão para poderem oferecer conforto às pessoas que viveriam o resto da sua vida com este trauma. Em lugares onde os cristãos estão sob risco elevado de serem vítimas de ataques brutais como este, ou onde a perseguição aumenta, é necessário que exista aconselhamento cristão eficaz para e por cristãos locais.
 
Não é preciso esperar por um ataque para criar estas medidas. O corpo global de Cristo, em parceria com os ministérios e liderança locais, deveria investir na formação em aconselhamento cristão com o objetivo de ter pelo menos um grupo de conselheiros formados em cada grande centro urbano. Da mesma forma, seminários e institutos bíblicos deveriam considerar fornecer cursos em aconselhamento cristão dentro do seu contexto social e cultural.
 
Diálogo inter-religioso

Em muitos lugares nos quais os cristãos são perseguidos por causa da sua fé, eles são também uma minoria. Nesses lugares, é muito importante procurar formas de manter uma relação saudável com a maioria religiosa e criar um diálogo inter-religioso produtivo. Embora não seja fácil para os cristãos entrar em diálogo com os seus perseguidores, não parece haver melhor forma de ganhar maior compreensão do outro e impedir a situação de piorar no futuro.
 
A igreja global de Cristo pode, nos seus países respetivos, ajudar cristãos perseguidos ao entrar em diálogo com outras comunidades religiosas, especialmente com líderes religiosos oriundos de países onde os cristãos sofrem. Muitos não têm consciência de que estas comunidades e líderes religiosos têm influência sobre a comunidade nos seus países de origem. Por exemplo, uma declaração pública feita por líderes muçulmanos egípcios a viver no Ocidente opondo-se às crueldades contra a minoria cristã no Egito tem grande probabilidade de ser levada a sério por muçulmanos nesse país, e assim ajudar a igreja local em sofrimento nessa zona (ou noutras como a Nigéria, o Iraque e o Paquistão) a entrar num diálogo inter-religioso produtivo com a maioria religiosa.
 
Conclusão

É perturbador pensar em todos aqueles que são perseguidos pela sua fé em Jesus Cristo. Mas também é encorajador ver que atos de barbaridade e cobardia não os impedem de seguir Cristo. Eles sabem por experiência que, como Paulo escreve em Romanos 8:35, não existe nada que possa separá-los do amor de Deus, nem mesmo ataques suicidas. A história da igreja demonstra que nenhuma crueldade ou tirania pode impedir a igreja de Cristo de florescer e crescer na fé cristã.
 
Em conclusão, as medidas referidas acima poderão ajudar os evangélicos no seu trabalho de fortalecer a igreja e a missão global. Como seguidores de Cristo, precisamos de tomar conta dos cristãos perseguidos. Ao fazê-lo, também nós podemos experimentar as bênçãos espirituais como um só corpo de Cristo. A igreja perseguida tem tanto para nos ensinar sobre o nosso próprio discipulado. Os evangélicos deveriam chegar-se à frente em amor, orar, e ser um instrumento de bênção para irmãos e irmãs que dão testemunho de Cristo em condições extremas.
 
  1. Pew Research Center, http://www.pewresearch.org/fact-tank/2018/06/21/key-findings-on-the-global-rise-in-religious-restrictions/ ↑
  2. Nota do editor: Ver artigo em português de Wafik Wahba intitulado «Witnessing to the Gospel through Forgiveness: a living example from the persecuted Christians in Egypt», na edição de janeiro de 2018 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2018-01-pt-br/testemunhando-o-evangelho-atraves-do-perdao ↑
  3. Editor’s Note: See article by Thomas Harvey, entitled, ‘The State and Religious Persecution’, in March 2016 issue of Lausanne Global Analysis https://www.lausanne.org/content/lga/2016-03/state-and-religious-persecution. ↑
  4. Nota do editor: Ver artigo em português de Tehmina Arora intitulado ‘Religious Identity, Nationalism, and Violence’, in May 2018 issue of Lausanne Global Analysis https://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2018-05-pt-br/identidade-religiosa-nacionalismo-e-violencia. ↑
  5. Charles Spurgeon, ‘Prayer Meetings’, Spurgeon’s Sermons Vol 60 (Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 2011), 1914. A sermon published on 27 August 1914. Delivered by C. H. Spurgeon at the Metropolitan Tabernacle, Newington on 30 August 1868. ↑
  6. Final Declaration Presented at World Summit in Defense of Persecuted Christians, 13 May 2017. Available at: https://billygraham.org/press-release/final-declaration-presented-world-summit-defense-persecuted-christians/. ↑
  7. Nota do editor: Ver artigo em português de Cindy M. Wu intitulado, ‘We Too Were Once Strangers’, in May 2018 issue of Lausanne Global Analysis https://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2018-05-pt-br/nos-tambem-fomos-estrangeiros ↑
  8. British Broadcasting Corporation (2016), ‘The Christians held in Thailand after fleeing Pakistan’. Available at: https://www.bbc.com/news/magazine-35654804 ↑
  9. Nota do editor: Ver artigo em português de Gladys Mwiti e Bradford M. Smith intitulado, ‘Turning the Church’s Attention to Mental Health’, in November 2018 issue of Lausanne Global Analysis https://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/agl-pt-br/2018-11-pt-br/voltando-a-atencao-da-igreja-a-saude-mental ↑
  10. The New York Times (2013), ‘Scores Are Killed by Suicide Bomb Attack at Historic Church in Pakistan’. Available at: https://www.nytimes.com/2013/09/23/world/asia/pakistan-church-bombing.html ↑

*Texto originalmente publicado por Análise Global de Lausanne. Reproduzido com permissão.
 
• Yousaf Sadiq (doutorado pela London School of Theology) é um cristão oriundo do Paquistão. Ele tem paixão por ser uma voz da igreja perseguida. Falou sobre o estado da perseguição cristã em igrejas na Ásia, Reino Unido, Europa e América do Norte. Dá aulas sobre cristianismo e culturas como professor convidado na Wheaton College.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Leia mais em Opinião

Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.