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Palavra do leitor

O Reino dos dissidentes!

O Reino dos dissidentes!



‘’Todo o autoconhecimento, sem passar pelo caminho do inter – conhecimento, termina na ilusão do auto – engano’’.


Texto Romanos 14: 17


O evangelho se não veio para o ser humano, sem sombra de dúvida, não passa de uma mera ou enfadonha distração. Aliás, se fosse resumido aos compêndios dos tratados teológicos e todas as parafernálias de defesas e afirmações de ser a religião de Cristo a melhor, a mais adequada, a mais correta, comparecer – se – ia a um caudilho ditatorial e repulsivo. Então, o Reino de Deus não começa no porvir, em alguma dimensão metafísica, distante da realidade, com suas alternâncias e oposições, com suas inquietações e incertezas (ou nossas), com suas perdas e lágrimas. Em direção oposta, tem sua formação e manifestação, aqui, no agora de todos os dias, diante dos dias que não são bons, como esperávamos, os dias de dores e despedidas, os dias de fracassos e falhas, os dias de ofensas e vazios.

Vou adiante, o Reino de Deus não se dirige aos fracos ou aos fortes, aos belos ou aos enfeiados, aos justos ou aos ímpios, aos crentes ou aos ateus, aos místicos ou aos céticos, aos devotos ou aos relativistas, aos otimistas ou as desesperançados, aos conquistadores ou aos desanimados, mas aos seres humanos, com suas narrativas, com seus enredos, com suas cicatrizes, as cicatrizes de acontecimentos que as marcaram, no ser. Sim e sim, o Reino de Deus, desce e caminha pelas ladeiras de quem está na vida, de quem nasceu no palco da violência famíliar, do abuso da alma, da arbitrariedade, do por qual motivo tantas indiferenças e farsas.

O Reino de Deus não fecha os olhos para pessoas esquecidas, por causa de um idealismo de felicidade aritificial, da vida movida pelo progresso do ter e da satisfação, dos corações fragmentados, das pessoas receosas de serem pessoas, da fé como um meio de diminuição, de rebaixamento e de desumanização. O Reino de Deus não pode ser visto, porque não é nenhuma caixinha de promessas, com mensagens de uma bondade de conveniências, como se a vida fosse um mar de rosas, porque tem espinhos, tem dissabores, tem momentos do silêncio mórbido, tem os momentos das poeiras desérticas. O Reino de Deus se apresenta como paz, como justiça e como alegria ou compaixão ou misericórdia.

Aliás, não há como a conhecemos, na panaceia de que não há tensões, de que não há oposições, de que não há entrechoques, de que não o diagnóstico de uma doença perigosa, de que não há o acontecimento do divórcio, de que não há a descoberta do filho mergulhado nas dependência química, de que não há o receio de ser esquecido, de não ser mais útil, de não ser mais importante, de não ser mais produtivo, de não ser benéfico, porque envelheceu e, agora, o veem como uma caricatura estagnada, sem graciosidade, sem substancialidade ou conteúdo, sem mais nada oferecer.

Não e não, essa paz se refere a estarmos inteiros, sermos nós mesmos, sem nos envergonharmos de que não somos perfeitos, mas isso não anula a condição de eu ser filho e filha das boas novas. Deveras, o Reino da paz, da integridade, da inteireza, de sermos nós, com nossos altos e baixos. O Reino da justiça, a justiça não segundo a leitura dos homens, da punição, da retribuição, da compensação, do sistema positivista de normas. Faço menção da justiça voltado a trabalhar pelo restaurar e reconciliar daquilo que nos faz humanos, nos humaniza, nos espiritualiza, nos proporciona a oportunidade de sermos afetos e emoções, sonhos e imaginações, ou seja, os vínculos, os encontros, os aprendizados com os outros. Tristemente, estamos interconectados ou acreditamos com as pessoas, entretanto, não conseguimos escutar, sem retrucar; não conseguimos abraçar, com ternura; não conseguimos proferir palavras, sem o julgar e o condenar.

Por fim, esse Reino veio para gente, como eu e você, não tão certa assim, não tão boa assim, não tão espiritual assim, pronto e mais nada. O Reino de alegria, porque se nos apresentamos inteiros, cientes de nossas imperfeições e sensíveis aos recomeços, trilhamos por uma existência de acertos e ajustes, com uma vida de compaixão, de ser compassivo, de não somente desejar o viver e sim querer o viver. Eis o Reino dos dissidentes, de uma paz, de uma justiça e de uma alegria personificado em Jesus, o Cristo, não para oprimir, não para sufocar, não para arruinar, não para deturpar, não para deformar e como nós não precisamos de sermos banhados por esse Reino.
São Paulo - SP
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