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Palavra do leitor

O que o plantio nos ensinou sobre o cuidado: uma experiência com líderes de Pequenos Grupos

Jesus nos ensinou, através da parábola do semeador, que a frutificação depende da recepção da semente: "E, semeando ele, uma parte da semente caiu ao pé do caminho... outra parte caiu em pedregais... e outra caiu entre espinhos... mas outra caiu em boa terra, e deu fruto" (Mateus 13:4-8).

Ao se valer das parábolas, Jesus transmitia verdades espirituais de forma acessível e memorável a todos que O ouviam. As parábolas de Jesus eram ferramentas pedagógicas e teológicas sofisticadas que cumpriam funções específicas na comunicação do Reino de Deus.

Recentemente, no Departamento de Pequenos Grupos de nossa igreja, decidimos tirar essa teologia do papel e colocá-la em prática, na terra. A ideia era experimentarmos o que Jesus ensinou quando usou a parábola do semeador. Assim, distribuímos sete sementes de girassol, um pequeno vaso e terra para cada líder de Pequenos Grupos (PG). O objetivo era simples: plantar e observar. O resultado, porém, foi uma antropologia viva das nossas dificuldades no cuidado com o próximo.

Em nossa experiência no Departamento de Pequenos Grupos, ao plantarmos sementes de girassol, vimos essa parábola ganhar vida. Entre os resultados, tivemos:
- Sementes afundadas demais: sufocadas pelo excesso de controle;
- Sementes no sol excessivo: queimadas pela exposição exagerada sem formar raiz;
- Sementes encharcadas: apodrecidas pela falta de equilíbrio no cuidado;
- Sementes que caíram pela sacada da varanda: perdidas por falta de zelo no manuseio;
- Sementes que não brotaram;
- Sementes que brotaram em estágios diferentes.

Entre todos os relatos, creio que uma das lições mais profundas veio da semente que demorou dias a mais para brotar, tendo recebido as mesmas condições que as outras seis, no mesmo vaso. As sete sementes deste líder brotou, mas em estágios diferentes.

No clássico "Sermão da Sexagésima", o Padre Antônio Vieira questiona por que a Palavra de Deus, sendo tão pura e divina, muitas vezes não frutifica. Ele lança o desafio: se a semente (Palavra) é a mesma, por que os resultados mudam? Ele conclui que o problema não está na semente, mas principalmente, no solo.

Através da vivência que tivemos e, aproveitando para aconselhar líderes ministeriais a replicarem a mesma ideia, gostaria de destacar algumas reflexões quanto ao cuidado e discipulado dos que estão sob nossas responsabilidades:

Os perigos do excesso e da omissão
Os relatos dos líderes foram um espelho das nossas próprias práticas de liderança. Houve quem, no desejo de proteger a semente, a afundasse demais na terra — um lembrete de que o sufocamento por excesso de controle impede o nascimento da liberdade. Outros pecaram pela exposição excessiva ao sol. Isto fez com que queimasse o que ainda não tinha raiz. Assim como o zelo sem sabedoria pode expor pessoas a processos para os quais elas ainda não estão prontas.

Vimos também o desastre do "encharcar" a terra. Água demais apodrece a raiz. Na vida cristã, isso nos fala sobre o perigo de uma espiritualidade invasiva, que não respeita o tempo de absorção de cada indivíduo. Enquanto algumas sementes de determinadas plantas viverão muito bem totalmente imersas na água, outras com um pouco de excesso, morrerão.

Houve também o descuido com sementes perdidas pela varanda, simbolizando as oportunidades que deixamos escapar por falta de atenção ao que nos foi confiado.

A experiência em lidar com as diferenças e tempo de Deus
O relato mais intrigante veio daqueles que viram as sementes brotarem em ritmos diferentes. Sete sementes no mesmo solo, sob o mesmo cuidado, mas uma delas decidiu "dormir" por mais tempo antes de romper a terra.

Como líderes, nossa ansiedade muitas vezes exige uniformidade, mas a criação de Deus celebra a singularidade e individualidade. O fato de uma semente demorar dias a mais para brotar não a torna menos girassol; ela apenas processava a vida em uma cadência interna diferente.

Como neuropsicanalista cristã, destaco o abraço do Evangelho com a neuropsicanálise onde cada alma possui sua própria profundidade e seu tempo de maturação.

Semeadores de pessoas
Aprendemos que nosso papel como semeadores não é fabricar o crescimento — pois este pertence a Deus — mas cultivar as condições para que ele ocorra. Ser líder de um PG é, essencialmente, ser um jardineiro de almas. É saber quando regar, quando silenciar, quando colocar ao sol e, acima de tudo, quando esperar.

O "Sermão da Sexagésima" nos lembra que a semente é a palavra; a experiência do plantio nos ensinou que o cuidado é o amor em movimento. Que possamos ser semeadores que honram a complexidade de cada vida, entendendo que cada girassol que desponta é um testemunho da paciência divina em nós.

Como cristãos semeadores da Palavra, precisamos plantar respeitando o tempo de maturação de cada pessoa. Regar e cultivar o crescimento com paciência e amor.

Experimente esta atividade com seus líderes. Talvez, muitos deles nunca tenham praticado uma semeadura.
Cuiabá - MT
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