Palavra do leitor
10 de outubro de 2026- Visualizações: 27
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O cristão e seu time preferido no futebol
Dentre todas as banalidades, o futebol é a mais alta cultura. Nenhum outro esporte transita tão rápido do hobby à transcendência.
Só ele mistura choro, riso, fé, paixão e imprevisibilidade em noventa minutos. Em qual outro esporte alguém vende tudo que tem ou larga o emprego por um escudo no peito?
Imagine a cena. Anos 90. Um homem agoniza. Últimos instantes de vida. Seu pedido final não é um padre, pastor ou família. É que cubram seu caixão com a camisa e a bandeira do Esporte Clube Bahia.
Se isso não é idolatria, no mínimo trata-se de um "ópio do povo", só que com outro rótulo.
E, no entanto, qual outro esporte muda tanto a história econômica de um menino pobre e de sua família inteira? O futebol é também mobilidade social. É pão e é sonho.
Por isso mesmo também é cultura. Objeto de estudos acadêmicos. Foi alvo da atenção e análise de gênios como Mário Filho, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Cláudio Carsughi.
Meu saudoso pai tentou me traduzir isso com sua experiência dos anos 70. Ele contava como era ouvir, num rádio movido a pilha, um dos maiores dérbis do mundo - Corinthians e Palmeiras - e o apito inicial com o bordão de Fiori Gigliotti: "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo!"
E todo espetáculo precisa de plateia. No futebol, a plateia tem nome: torcida.
E é aí que surge a pergunta pastoral, não a esportiva:
Tem gente que doa todo mês para o clube de futebol preferido mais que um dízimo. Paga ingresso, camisa oficial e pay-per-view com orgulho. E isso diz o que sobre nosso coração e prioridades?
O cristianismo não condena o lazer. Condena a concessão inofensiva que vira senhor.
É possível assistir 90 minutos por semana religiosamente e não ter nem 15 minutos para oração e estudo da Palavra. É possível investir num clube e esquecer tanto do necessitado como da verdade que só Deus merece ser adorado.
Paul Tournier escreveu que Deus nos confiou tempo e recursos e nós somos seus mordomos. Um dia Ele nos pedirá contas de cada minuto e de tudo que recebemos.
Jesus advertiu que onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração (Mt 6:21). O futebol pode abrir as cortinas para um grande espetáculo terreno, mas a pergunta que fica na arquibancada da nossa alma é: onde, afinal, está o seu coração?
Só ele mistura choro, riso, fé, paixão e imprevisibilidade em noventa minutos. Em qual outro esporte alguém vende tudo que tem ou larga o emprego por um escudo no peito?
Imagine a cena. Anos 90. Um homem agoniza. Últimos instantes de vida. Seu pedido final não é um padre, pastor ou família. É que cubram seu caixão com a camisa e a bandeira do Esporte Clube Bahia.
Se isso não é idolatria, no mínimo trata-se de um "ópio do povo", só que com outro rótulo.
E, no entanto, qual outro esporte muda tanto a história econômica de um menino pobre e de sua família inteira? O futebol é também mobilidade social. É pão e é sonho.
Por isso mesmo também é cultura. Objeto de estudos acadêmicos. Foi alvo da atenção e análise de gênios como Mário Filho, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Cláudio Carsughi.
Meu saudoso pai tentou me traduzir isso com sua experiência dos anos 70. Ele contava como era ouvir, num rádio movido a pilha, um dos maiores dérbis do mundo - Corinthians e Palmeiras - e o apito inicial com o bordão de Fiori Gigliotti: "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo!"
E todo espetáculo precisa de plateia. No futebol, a plateia tem nome: torcida.
E é aí que surge a pergunta pastoral, não a esportiva:
Tem gente que doa todo mês para o clube de futebol preferido mais que um dízimo. Paga ingresso, camisa oficial e pay-per-view com orgulho. E isso diz o que sobre nosso coração e prioridades?
O cristianismo não condena o lazer. Condena a concessão inofensiva que vira senhor.
É possível assistir 90 minutos por semana religiosamente e não ter nem 15 minutos para oração e estudo da Palavra. É possível investir num clube e esquecer tanto do necessitado como da verdade que só Deus merece ser adorado.
Paul Tournier escreveu que Deus nos confiou tempo e recursos e nós somos seus mordomos. Um dia Ele nos pedirá contas de cada minuto e de tudo que recebemos.
Jesus advertiu que onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração (Mt 6:21). O futebol pode abrir as cortinas para um grande espetáculo terreno, mas a pergunta que fica na arquibancada da nossa alma é: onde, afinal, está o seu coração?
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