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Palavra do leitor

Evangélico praticante, não-praticante e as feridas emocionais

Era comum em pesquisas e até em conversas informais, ao serem questionadas, as pessoas católicas se diziam praticantes ou não praticantes. Devido a pandemia, o senso de 2020, foi adiado, mas sem dúvidas, teremos dados mostrando que existem evangélicos praticantes e não praticantes.

A questão das feridas emocionais é um universo, pode envolver questões de cunho familiar, sentimental, abusos de poder, conflitos ministeriais, etc. Esse universo precisa ser olhado com muita atenção e não temos tantos estudos, livros e pesquisas sobre isso. Podemos até fazer uma pesquisa entre nossos familiares e amigos e questionar "Quem aqui nunca pensou em sair de sua igreja? Quem aqui nunca teve um conflito com outro irmão? Quem aqui nunca discordou de pensamentos ou posicionamentos?"

Atos 15.36-41 marca a forte discussão entre dois grandes homens de Deus, Paulo e Barnabé. O fato é que assim como em uma família, tudo gira em torno de como esses conflitos são resolvidos ou ignorados. Famílias disfuncionais e desestruturadas precisam ser tratadas, a igreja precisa ser um local que de fato é um "hospital" onde recebe as pessoas como estão. As pessoas precisam estar dispostas a não permanecer como chegaram quanto Cristo as chamou.

Muitos dos que se denominam desigrejados hoje, foram pessoas usadas ou feridas. Tem surgido algumas figuras de influência, como Caio Fábio. Defensor ferrenho do cristianismo não denominacional no Brasil. Caio Fábio foi um dos grandes pastores, evangelistas e comunicadores nos anos 90. Foi um dos principais líderes presbiterianos. De fato é uma pessoa que conhece muito das Escrituras, mas que infelizmente, por passar por muitos conflitos e feridas, se tornou um crítico ácido da igreja como um todo. Com Paulo aprendemos em 1 Tessalonicenses 5.21 a examinar de tudo e reter o que é bom, há coisas que são difíceis de ouvir de Caio Fábio, outras, nos fazem pensar.

Liderança cristã, mais do que outra qualquer, precisa escolher objetivos que são coerentes com a vontade e lei de Deus. A liderança positiva precisa ser exercida por um homem ou uma mulher que conheça a Deus e inclua os alvos dele. As prioridades do líder precisam ser prioridades bíblicas. (SHEDD, 2000, pág.11)

Abusos de poder, conflitos ministeriais e conflitos políticos
Os ouvintes percebem facilmente se o orador é arrogante ou humilde, se ele se sente superior ou igual a todos, se está ali para servir ou para promover-se. Isso se demonstra no semblante e nas expressões. Um espírito sereno e humilde acrescenta poder à mensagem, da mesma forma que a arrogância destrói o poder. Mas lembre-se mais uma vez: para ser humilde no púlpito é preciso ser humilde na vida pessoal e no relacionamento com as pessoas. (MARINHO, 2008, p.108)

O mundo corporativo e do empreendedorismo é conhecido por sua competitividade, a visão distorcida do que é ser igreja, proporciona um ambiente em que há mais inveja do que amor, perseguição do que comunhão, ódio do que apoio mútuo e compaixão. A falta de preparo e cuidado nas Escrituras, faz com que tenhamos igrejas "doentes". Pastores e líderes doentes, não tratados, continuam a disseminar divisão.

Experimente antes de julgar um desigrejado, realizar as seguintes questões:
• Você já viu pessoas sendo tiradas de outros ministérios sem a devida ordem?
• Você já viu pregadores falarem mal de pessoas do púlpito?
• Você já viu lideranças evangélicas usarem a Bíblia para seus próprios propósitos ou para manipular pessoas?

Agora, após ter ouvido essas pessoas sem igreja, vejamos o maior exemplo que Jesus Cristo nos deixou em Lucas 22.24-27 e João 13.4-15. O conceito errado de liderança, gera mais frutos da carne do que frutos do Espírito, portanto, seja qualquer vocação ou posição que almejemos, que sempre nos lembremos desses ensinamentos de Jesus.

Aliado ao abuso de poder, a polarização política não é assunto novo no Brasil e em nenhum outro local do mundo. Muito mais do que esquerda, direita, centro e ideologias, os discursos podem se tornar tão vorazes que acabam por tratar o outro como ser inferior ou menos digno, se esquecendo dos seus direitos. Em uma busca rápida na internet, podemos ter milhares de exemplos de igrejas que infelizmente cederam seus púlpitos para reduzir o evangelho a posicionamento político. O sangue de Jesus é precioso demais para tratarmos de assuntos que mudam a cada 2, 4, 6, 8 anos…

Neste ponto, é compreensível muitas pessoas terem deixado algumas igrejas que perderam a missão de pregar o evangelho. Isso não justifica ser um desigrejado, no entanto, abre portas para a discussão que nem todo salão que diz professar uma fé, pode ser chamado de igreja.

A verdadeira igreja de Cristo tem uma missão muito clara: Mateus 28.17-20
as pessoas vão continuar duvidando do evangelho, mas isso não nos dá autoridade para usar de outros artifícios para tão somente atrair pessoas (de novo, somente o Espírito é capaz de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo – João 16.8-11).
Barueri - SP
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