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Palavra do leitor

Nada!

Nem sempre um conjunto de palavras, de expressões, de parágrafos inteiros consegue fazer com que o narrador seja entendido em relação ao que ele quer compartilhar, que ele deseja que seus interlocutores ouçam [ou leiam], reflitam, aceitem ou divirjam.

Há ocasiões em que um pequeno vocábulo consegue sintetizar diversos parágrafos, várias frases, extensos textos.

A síntese, entendo, é uma arte, a arte de conseguir se expressar, se fazer entender sem a necessidade de um longo discurso, de uma enorme narrativa.

A Sábia e Sagrada Palavra de Deus tem algumas passagens bem sintéticas que nos dão clareza quanto ao significado, mas causam contestações as mais diversas.

“Tudo posso naquele [Cristo] que me fortalece” (Fp. 4.13). Tudo o quê? – tudo! Esse tudo não dá margem a exclusões, tudo é tudo sem restrições e ou exceções.

“Em tudo daí graças” (I Ts.5.18); é aí que o “carro pega”, pois tudo compreende coisas boas e coisas más; e não há unanimidade sobre isso, não há aceitação plena para agradecer, para dar graças até pelos infortúnios, os percalços da vida.

“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8.28).

Está sintetizado aí, na palavra “todas” que os fatos bons, bem como os acontecimentos ruins, contribuem para o nosso bem se fomos chamados [e aceitamos] segundo os propósitos de Deus.

Quantas e quantas vezes encontramos pessoas, e até nós mesmos, que foram vítimas de algo desagradável e, mais tarde, aquilo se transforma em bênção, que não teria sido alcançada se não tivéssemos transitado por aquele desagrado, por aquela insatisfação, por aquele deserto!

Na Palavra de Deus, por exemplo, encontramos a história de José [filho de Jacó], que iria ser assassinado por 10 de seus irmãos, mas foi vendido como escravo; anos depois, foi colocado como o segundo homem do Egito, inferior apenas ao Faraó.

Ao encontrar os irmãos, temerosos quanto a uma possível vingança, disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn. 50. 20).

Há, todavia, na Palavra de Deus, um texto que eu acho lindo, que entendo ser relevante para o meu coração, que não sintetiza em um só vocábulo a mensagem que o nosso Deus nos envia em carta [de Paulo] aos romanos; é o capítulo oitavo, principalmente os versos 38 e 39:

“Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8. 38-39).

É um lindo e expressivo texto que me alegra, me comove, e eu termino por sintetizá-lo assim: “Porque eu estou bem certo de que NADA poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Leio com muita alegria e não menos emoção esse texto que aborda inúmeras condições que não têm o poder de nos afastar do Amor de Deus; então eu o resumo, o sintetizo em apenas uma palavra simples mas forte: NADA!

Então, nessa reflexão, eu sou remetido à oração de Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja uvas nas videiras; mesmo falhando toda a safra de olivas, e as lavouras não produzam mantimento; as ovelhas sejam sequestradas do aprisco, e o gado morra nos currais, eu, todavia, me alegrarei no SENHOR, e exultarei no Deus da minha salvação!” (Hb 3. 17-19). O profeta, aqui, afirma que NADA pode impedi-lo de louvar a Deus.

Refletindo sobre o peso e a força dessa oração, de Habacuque, em lágrimas que me inundam o coração, retidas que foram pelos olhos, me encontro, me vejo, me acho junto ao salmista [o rei Davi] que disse:

“O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl. 23. 1-6)

O salmista diz que NADA temerá mesmo que esteja “no vale da sombra da morte”.

Essa é a fé, é a esperança, é a certeza que nosso Deus espera de nós, em relação aos males que podem nos atingir: que sejamos submissos a Ele que prometeu: “Nunca te deixarei jamais te desampararei” (Hb. 13.5).

Finalizo com um texto que sempre menciono: “Porque a nossa leve e momentânea [tempo presente] tribulação produz para nós eterno [tempo futuro] peso de glória, acima de toda comparação” (II Co. 4. 17).

Glória, Louvor e Honra ao nosso Deus e Pai eterno!
São Paulo - SP
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