Palavra do leitor
12 de setembro de 2026- Visualizações: 20
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Esboço para o Epitáfio de um Pecador
Um dos dramas da existência moderna tem sido a dicotomia entre o medo de desagradar e a escolha de viver ou expressar-se à sua maneira. A primeira armadilha cria reféns da aprovação alheia e constante necessidade de validação, enquanto a segunda conduz a caricaturas de liberdade – desde o preconizado "ligar o dane-se" a posturas frias e calculistas que mimetizam Thomas Shelby e jogos psicoemocionais de desapego, escassez e pose de indisponibilidade.
Em "Inteligência Humilhada", Jonas Madureira associa comportamentos moldados pelo orgulho egoico à definição teórica de egorreferência, enquanto as condutas norteadas pelas expectativas alheias caracterizam o polo oposto: a alterreferência. No entanto, entre o cativeiro da aprovação dos outros e o isolamento do orgulho próprio, o autor aponta o real equilíbrio na teorreferência, que consiste em viver para honrar e glorificar a Deus.
Dentre muitos cenários de egorreferências mais robustas na literatura, poderíamos citar Dostoiévski em Memórias do Subsolo narrando um homem que se reconhece mau e doente, incapacitado de se conectar com os outros, ao ponto de desejar que o mundo exploda, desde que ele possa tomar seu chá. Em contrapartida, na crônica "Talvez o último desejo", deparamo-nos com a lucidez cortante de Rachel de Queiroz revelando que sua vontade sincera ao responder uma repórter sobre o ano-novo não seria dizer palavras polidas e convencionais, mas gritar para todos: "Te dana!"
Migrando o tópico para a alterreferência, A. G . Sertillanges no clássico A Vida Intelectual eleva o debate ao dizer que a verdadeira maturidade está na perda do medo da opinião alheia e uma vida de estudos na solitude (sem antissocialidade) com amor à verdade. De outro ângulo, Louis Lavelle indica a incessante busca por aprovação como ilusão que desestrutura e anula o próprio Ser, assim como na sua obra sobre Narciso, o erro do personagem mitológico não foi amar a si mesmo, mas apaixonar-se por um simulacro.
Em seu livro Caráter, Witness Lee escreveu que sem a autenticidade a acolhida da afeição não permanece, já que quem finge não é autêntico e a vida cristã exige a eliminação de toda dissimulação ou fingimento. Nesse contexto, Henry Cloud em sua obra Integridade demonstra que tal virtude permeia todas as áreas da vida, deixando marcas e rastros; sua ausência, portanto, evidencia uma disfuncionalidade no viver.
O amor pela verdade proposto por Sertillanges e a solidez da autenticidade moral em Lavelle unem-se à integridade de H. Cloud e à firme reprovação do fingimento em W. Lee. Juntas, essas perspectivas corroboram para uma vida interior plena, cuja essência converge para a teorreferência. Num tempo de validação afetiva digital e muitas alterreferências teatrais coreografando manipulação e barganha, a fundamentação teórica de tais autores propicia não apenas serenidade em direção ao equilíbrio existencial, mas também um viver rico de significado, propósito e valor.
Nesse sentido, alguns dos verdadeiros protótipos de teorreferência são figuras bíblicas como Jó, cuja integridade permaneceu intacta mesmo quando seu mundo ruiu, e Natanael, de quem o próprio Cristo testemunhou não haver dolo. Dentre os muitos mortais pecadores que se sagraram vencedores no registro das Escrituras, eles despontam como balizas e inspirações de homens íntegros e sinceros, que viveram sob o olhar da Eternidade.
No sentido de servir, cuidar e respeitar, temos dever social, moral e espiritual, porém vivemos num tempo em que as pessoas se ofendem facilmente por palavras ou atitudes sinceras e espontâneas - ainda que sem mínimo intuito real ou proposital contra suas sensibilidades. Assim, os outros são interpretados como demônios ou anjos, mas nem sempre como humanos. Nesse sentido, entre o viver para agradar ou "ligar o dane-se", é preciso ser paciente e bondoso não por temer os outros, mas por amor a Alguém maior que todos.
Em 1999, quando evangélicos cantavam "Eu quero é Deus, não importa o que vão pensar de mim", expressavam para alguns alienação egoísta, mas para outros uma identidade corajosa. De igual modo, se me perguntassem o que cravar na minha lápide, eu não teria um relatório de virtudes (embora as almeje ardentemente em Jesus), mas desde já o desabafo da minha alma em prece diária, ensaiando meu epitáfio em clamor - não de forma presunçosa:
Pai, que eu tenha amor, humildade, integridade, coragem. Mas que eu seja sal e não açúcar; no lugar de sal na ferida, traga Tua cura; nunca tema a opinião pública e viva para Te obedecer. E quando meu corpo estiver frio, inerte, e ao redor familiares, amigos e conhecidos disserem adjetivos imprecisos, meu anjo relator receba a ordem para carimbar: não era sem dolo como Natanael nem único como Jó. Deixou coisas feias no fundo do mar. Porém, não fez da vida um "faz de conta", não por mérito, mas porque se apegou à Minha graça e misericórdia. Seguiu-Me em amor. Nunca por medo. Muito menos de inferno. Guarde-o entre os teus Bem-Aventurados. Amém.
Em "Inteligência Humilhada", Jonas Madureira associa comportamentos moldados pelo orgulho egoico à definição teórica de egorreferência, enquanto as condutas norteadas pelas expectativas alheias caracterizam o polo oposto: a alterreferência. No entanto, entre o cativeiro da aprovação dos outros e o isolamento do orgulho próprio, o autor aponta o real equilíbrio na teorreferência, que consiste em viver para honrar e glorificar a Deus.
Dentre muitos cenários de egorreferências mais robustas na literatura, poderíamos citar Dostoiévski em Memórias do Subsolo narrando um homem que se reconhece mau e doente, incapacitado de se conectar com os outros, ao ponto de desejar que o mundo exploda, desde que ele possa tomar seu chá. Em contrapartida, na crônica "Talvez o último desejo", deparamo-nos com a lucidez cortante de Rachel de Queiroz revelando que sua vontade sincera ao responder uma repórter sobre o ano-novo não seria dizer palavras polidas e convencionais, mas gritar para todos: "Te dana!"
Migrando o tópico para a alterreferência, A. G . Sertillanges no clássico A Vida Intelectual eleva o debate ao dizer que a verdadeira maturidade está na perda do medo da opinião alheia e uma vida de estudos na solitude (sem antissocialidade) com amor à verdade. De outro ângulo, Louis Lavelle indica a incessante busca por aprovação como ilusão que desestrutura e anula o próprio Ser, assim como na sua obra sobre Narciso, o erro do personagem mitológico não foi amar a si mesmo, mas apaixonar-se por um simulacro.
Em seu livro Caráter, Witness Lee escreveu que sem a autenticidade a acolhida da afeição não permanece, já que quem finge não é autêntico e a vida cristã exige a eliminação de toda dissimulação ou fingimento. Nesse contexto, Henry Cloud em sua obra Integridade demonstra que tal virtude permeia todas as áreas da vida, deixando marcas e rastros; sua ausência, portanto, evidencia uma disfuncionalidade no viver.
O amor pela verdade proposto por Sertillanges e a solidez da autenticidade moral em Lavelle unem-se à integridade de H. Cloud e à firme reprovação do fingimento em W. Lee. Juntas, essas perspectivas corroboram para uma vida interior plena, cuja essência converge para a teorreferência. Num tempo de validação afetiva digital e muitas alterreferências teatrais coreografando manipulação e barganha, a fundamentação teórica de tais autores propicia não apenas serenidade em direção ao equilíbrio existencial, mas também um viver rico de significado, propósito e valor.
Nesse sentido, alguns dos verdadeiros protótipos de teorreferência são figuras bíblicas como Jó, cuja integridade permaneceu intacta mesmo quando seu mundo ruiu, e Natanael, de quem o próprio Cristo testemunhou não haver dolo. Dentre os muitos mortais pecadores que se sagraram vencedores no registro das Escrituras, eles despontam como balizas e inspirações de homens íntegros e sinceros, que viveram sob o olhar da Eternidade.
No sentido de servir, cuidar e respeitar, temos dever social, moral e espiritual, porém vivemos num tempo em que as pessoas se ofendem facilmente por palavras ou atitudes sinceras e espontâneas - ainda que sem mínimo intuito real ou proposital contra suas sensibilidades. Assim, os outros são interpretados como demônios ou anjos, mas nem sempre como humanos. Nesse sentido, entre o viver para agradar ou "ligar o dane-se", é preciso ser paciente e bondoso não por temer os outros, mas por amor a Alguém maior que todos.
Em 1999, quando evangélicos cantavam "Eu quero é Deus, não importa o que vão pensar de mim", expressavam para alguns alienação egoísta, mas para outros uma identidade corajosa. De igual modo, se me perguntassem o que cravar na minha lápide, eu não teria um relatório de virtudes (embora as almeje ardentemente em Jesus), mas desde já o desabafo da minha alma em prece diária, ensaiando meu epitáfio em clamor - não de forma presunçosa:
Pai, que eu tenha amor, humildade, integridade, coragem. Mas que eu seja sal e não açúcar; no lugar de sal na ferida, traga Tua cura; nunca tema a opinião pública e viva para Te obedecer. E quando meu corpo estiver frio, inerte, e ao redor familiares, amigos e conhecidos disserem adjetivos imprecisos, meu anjo relator receba a ordem para carimbar: não era sem dolo como Natanael nem único como Jó. Deixou coisas feias no fundo do mar. Porém, não fez da vida um "faz de conta", não por mérito, mas porque se apegou à Minha graça e misericórdia. Seguiu-Me em amor. Nunca por medo. Muito menos de inferno. Guarde-o entre os teus Bem-Aventurados. Amém.
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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