Palavra do leitor
27 de agosto de 2014- Visualizações: 1428
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Buscando novidade?
Eu não tenho acesso à internet em casa. Por isso, aproveito ao máximo qualquer lugar em que eu possa navegar na rede de computadores. O Facebook é o primeiro da lista, depois verifico os e-mails da caixa de entrada, sites de noticias, alguns blogs de pessoas que gosto de ler, etc. Depois que já vi tudo que queria me desconecto e vou embora. Mentira! Continuo ali com os olhos vidrados na tela do computador e a desculpa que dou à minha própria consciência é que preciso aproveitar, pois em casa não tenho essa “regalia”. Por um lado, sinto-me um privilegiado por viver numa era onde o avanço da tecnologia melhorou bastante nossas vidas, principalmente quando se trata de troca de informações. Por outro, reconheço que sou uma vítima da overdose informacional que a internet oferece. Com um simples clique tenho acesso, literalmente, a um mundo de conhecimento que há 15 anos pouquíssimas pessoas tinham. Posso, inclusive, baixar livros clássicos de filosofia, sociologia, teologia e demais ciências; baixar os louvores mais tocados no momento, vídeos de pregações e testemunhos; acessar notícias “quentinhas” sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo; vasculhar os sites que noticiam os fatos do “mundo evangélico”; ver se no portal da Ultimato tem algum novo artigo que me interesse. Enfim, tento consumir o máximo de informação e conhecimento novos que eu puder, afinal, o melhor de tudo é que é de graça. Percebo que a busca por novidade é o principal responsável por eu gastar horas na internet. Falando assim é até algo normal, aceitável. No entanto, eu mesmo reconheço minha tolice. Digo tolice porque busco por coisas novas, mas não consigo digerir todas as informações que a internet me oferece. Meu cérebro é incapaz de processar todos os textos, imagens, músicas e vídeos que acesso. Memorizar então é mais difícil ainda. Lembro-me de pouquíssimas coisas de todas as novidades que busquei. Às vezes temos a mesma postura ao ir à igreja. Queremos aprender mais sobre o livro sagrado. Debater temas teológicos polêmicos. Decifrar as metáforas de apocalipse. Entender as passagens bíblicas misteriosas. Descobrir o que era o “espinho da carne” de Paulo. Ouvir uma nova palavra. Receber uma profecia. Enfim, queremos novidades. Mas, talvez ainda não percebemos que isso também pode ser uma grande tolice. Como assim? Você pode está se questionando. Não vejo nada de errado em ir para igreja para receber algo novo de Deus. Tenta argumentar. Calma! Pense comigo: pra quê uma palavra nova, mais conhecimento, se não conseguimos colocar em prática aquilo que já ouvimos? Pra quê novas revelações e profecias se nem praticamos os princípios básicos da vida cristã? Pra quê debater estratégias missionárias para evangelizar o mundo se ainda não atravessamos a rua para compartilhar Cristo com o vizinho? Acho que dificilmente Deus nos dará novas palavras e revelações enquanto não tornarmos real em nosso dia-a-dia o bê-á-bá que ouvimos desde criança na escola bíblica dominical. Somos responsáveis por tudo o que já ouvimos na EBD e nas pregações dos cultos, e por cada princípio que já lemos na Bíblia. Portanto, somos indesculpáveis diante de Deus pelas oportunidades que Ele nos dá para praticar sua Palavra, mas que não aproveitamos por falta de temor, preguiça ou até mesmo por ainda ter prazer no pecado, que, aliás, já deveria ter sido abandonado. Não adianta querer saborear alimentos espirituais mais sólidos se ainda não conseguimos digerir adequadamente e desfrutar com prazer o leite espiritual. Certamente o Senhor quer que cresçamos e nos tornemos maduros espiritualmente, mas precisamos dar um passo de cada vez, etapa por etapa, caminhando em obediência. Maior que o desejo por novidades deve ser nossa sede por praticar o perdão, o amor e a renúncia; desenvolver a santidade, devoção e humildade; e manter um relacionamento verdadeiro e pessoal com Cristo por meio de uma vida baseada em oração e leitura bíblica diária. Só assim poderemos nos aproximar cada vez mais de Deus e desfrutar do sabor de novidade que a presença d’Ele, que é antiga, pode nos oferecer todos os dias.
Phelipe Marques Reis 16/08/2014
Parintins-Amazonas
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