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Palavra do leitor

Desnudar-se publicamente

No mundo do erotismo a prática de desnudar-se publicamente tem o nome de "strip-tease" que, do inglês "to strip" (despir-se) mais "to tease" (provocar) refere-se a uma dança em que a pessoa vai se despindo aos poucos.

Há alguns anos fiquei sabendo, por um respeitado jornal de grande circulação, que havia na China uma prática milenar de desnudar-se em velórios, o que foi abolido tendo o governo passado a reprimir, pois circularam fotos em que uma "stripper" ia tirando as roupas íntimas diante de crianças presentes em funerais.

Poder-se-ia entender que é um costume que aponta para a realidade de que da terra nada levamos, quando dela nos retiramos, o que é uma verdade; desprovidos de bens materiais chegamos a esse mundo e sem nada, materialmente, chegaremos à última e definitiva morada; não me refiro ao túmulo, mas à eternidade na presença de Deus, para onde muitos irão e outros para uma eternidade distantes d’Ele.

Um jazigo é um destino não para o ser humano, mas para seus restos mortais, a matéria que logo se desfará; a vida, que é a alma, é que irá gozar ou sofrer, de imediato, a eternidade com ou sem Deus, ou seja, no reino dos Céus ou nas moradas do maligno.

O senhor Jesus narrou a parábola sobre o rico insensato, cujos celeiros já não comportavam os seus bens; ele pensou em derribá-los, construir novos e maiores quando Deus lhe disse: "Louco, hoje mesmo pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?" (Lc 12.20).

A orientação da Palavra de Deus é "plantar, construir, juntar tesouros não na terra onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam, mas nos céus onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam" (Mt 6.19-21).

Vou, então, voltar à expressão "strip-tease" trazendo-a para a nossa língua com o sentido de despojar, que nada mais é do que despir, desnudar, desapossar, desembaraçar, privar.
Todavia o termo "strip-tease" significa um pouco mais do que tirar a roupa, pois é fazê-lo em público e sensualmente.

Já me referi, em textos anteriores, que a Palavra de Deus ensina que "quem está em Cristo é nova criatura, pois as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo" (2Co 5.17).

Quando recebemos o Senhor Jesus no coração, tornando-nos filhos de Deus, despimo-nos de hábitos e costumes, despojamo-nos de coisas que passaram a não ter significado para a nossa nova vida: "Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências" (1Pe 2.1).

Para os seguidores do Senhor Jesus já não faz mais sentido o que a Escritura Sagrada chama de "obras da carne", quais sejam, entre outras: "prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam" (Gl 5.19-21).

O cristão se desnuda dessas coisas e passa a usar a veste que lhe credencia a entrar no reino de Deus: o fruto do Espírito, cujas características são, entre outras: "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei" (Gl 5.22-23).

Na condição de cristãos nosso testemunho fala bem mais alto quando nos despimos das coisas que desagradam a Deus, as obras da carne, e nossa vida demonstra, claramente, a presença do fruto do Espírito em cada procedimento, em cada palavra, em cada decisão, em cada renúncia.

Tenho sempre destacado o "domínio próprio", que é uma das mais importantes características da presença do Espírito Santo de Deus no coração do convertido ao Senhor Jesus; o verdadeiro cristão não perde as estribeiras, não roda a baiana, pois tem controle emocional.

Na parábola das bodas, o Senhor Jesus conta que o rei, que convidara muitas pessoas para a festa, notou entre os convidados um "homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Então, ordenou o rei aos serventes: amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt 22.11-13).

Concluindo, na condição de seguidores de Jesus, temos que nos despojar do velho homem, do velho pecado, da velha concupiscência, das velhas manias, dos velhos costumes, do velho gênio, da velha egolatria, da velha vaidade, do velho orgulho, das velhas crendices, das velhas lendas, do velho ranço de religiosidade, do velho [ou atual] esoterismo, enfim, de tudo o que não é de Deus e d’Ele não vem.

"Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento (...) e o Deus da paz será convosco" (Fp 4.8-9).
São Paulo - SP
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