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Palavra do leitor

Acredite porque é absurdo: o amor próprio é o amor que começa em outro?

O amor próprio, o amor a si mesmo, amar ao próximo como a si mesmo atesta de que o amor próprio deve ser concebido como um fato indiscutível, esperado e parte da nossa própria vida. Aliás, ao falar sobre o amor próprio e a si mesmo se refere a uma questão de sobrevivência, de se preservar a todo custo e nada diferente quanto cotejado com os animais, por exemplo. Quando hoa o discorrer sobre o amor ao próximo, com a conclusão de ser um movimento que nos diferencia dos animais, dos anjos e dos demônios, por não se render aos instintos, aos impulsos, as preferencias e aos ímpetos da natureza.

Logo, ao se falar de amor próprio, de amar a si mesmo, não se mantém refém e muito menos confinado aos anseios da sobrevivência, porque podem perfazer caminhos diferentes, opostos, distintos e até conflitivos. O amor próprio e a si mesmo serve como um farol para se afastar daquilo que pode nos destruir ou se estiver distorcido, por consequência, pode nos lançar a dançar com o perigo e abrir passagem para situações de ameaça e tóxicas.

Atentemos, sem nenhuma melindrosidade, ao amor próprio ou a si mesmo, como o estado da esperança de ser amado, de sermos o telos ou a finalidade digna do amor. Presumidamente, sermos conhecidos e reconhecidos como dignos do amor avindo da Cruz do Ressurreto e como tais sermos marcados pelas evidências dessa manifestação, quando se entregou por cada um de nós, quando removeu todo o estado de culpa e de vazio que pairava sobre nós, quando nos proporcionou passagem para um novo tempo e uma nova realidade.

Vamos adiante, ninguém ama ao próximo, se antes não for amado, para termos amor próprio ou a si mesmo, expressamente, passa e perpassa por sermos amados. Deve ser dito, o afastar-se dessa verdade inquestionável, leva-nos a um contexto de aversão e indiferença, por não nos concebermos como a finalidade de ser digno de amor, de esperança, de misericórdia, de justiça, de vivacidade e graciosidade.

Diga-se de passagem, podemos nos valer de expedientes para substituir a ausência de sermos a finalidade digna do amor, muito embora tudo não passará de atos, até merecedores de encômios, mentirosos, farsantes e um desperdício. Se outros não nos amarem primeiro, não conseguiremos firmar conexões ou pontes de ligação para amar ao próximo, ao outro. Agora, como posso lograr ou obter a certeza de que outros me amam, me tratam como objeto digno do amor?

A resposta concedida pelo Deus Ser Humano Jesus Cristo, quando nos apresenta não mais uma crença quebra galho, mas sim de nos oferecer uma crença que não é um delírio, que nem é um equívoco, que muito menos é uma perda de tempo, porque essa crença conversa comigo e meu ouve, nos ouve com importância, com atenção e com respeito, com a disposição para responder e fortalecer.

Destarte, a resposta consolidada de que somos respeitados, de que aquilo que imaginamos, que realizamos e efetuamos ou projetamos adquire contornos de consideração e atenção.

O amor próprio ou a si mesmo me leva a mostrar e a demonstrar essa finalidade do amor que me torna singular, digno e respeitado, mesmo antes de eu ter adentrado a essa realidade e, como efeito consequencial, o próximo conseguirá ponderar em seguir essa verdade, também.

O amor próprio como a si mesmo me ensina a não me ver como uma peça descartável ou a venda, porque podemos fazer a diferença em prol de outras pessoas, de quem está além de mim e, indiscutivelmente, tudo ao meu redor ou ao seu redor seria muito e muito pobre, vago, vazio, menos interessante e criativo, caso deixasse de existir ou nunca viesse a existir.

O amor próprio como a si mesmo se torna na direção de viver o amor ao próximo e ao outro, para estarmos atentos e nos importarmos com a singularidade, à individualidade e a humanidade destes, com a ampliação e o aprofundar da nossa condição de sermos a finalidade dignas do amor Jesus Cristo (Mateus 22.36-40).
São Paulo - SP
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