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Um gigante na fé

Nomes

Por Moisés Ezequiel Chissonde

Falar de Paulo Mandavela é descrever um homem distinto, porém gigante na fé. Seus talentos como obreiro de Cristo se revelaram no Grupo Bíblico de Estudantes Cristãos de Angola – GBECA (ABU no Brasil). Ao suceder a Zeca Luacute, que foi continuador da obra iniciada por Antonia [Tonica] Leonora van der Meer, missionária brasileira em Angola na década de 1980.

O GBECA experimentou o maior crescimento em número de grupos, alcance de escolas e cidades de Angola na gestão desse irmão e servo abnegado. O GBECA foi por muitos anos um oásis na fé. Em tempo de comunismo ferrenho, cristãos eram obrigados a renunciar a fé se quisessem continuar na universidade. Quando não o faziam, eram tidos como contraventores, reacionários, antipatrióticos e duramente perseguidos.

Além disso, nas igrejas, por serem alunos de universidades onde Deus era combatido, eram vistos com desconfiança. Foi no GBECA que muitos de nós encontramos a acolhida, o pastoreio e a mesma base de luta por sobrevivência de nossa fé, enquanto anunciávamos Cristo aos colegas universitários incrédulos.

Quem é Mandavela?

Faustino Paulo Mandavela, nasceu em 12 de março de 1966 na Missão do Bungei, província da Huíla, sul de Angola. Graduado em docência para inglês, deixou a carreira de professor para ser obreiro em Huíla e posteriormente ser assessor nacional para supervisionar o ministério do GBECA no país inteiro e o representar diversas vezes internacionalmente.

Espírito desbravador

Após assumir responsabilidades em Luanda, dinamizou a região, que incluía Kwanza Sul, apoiou a reabertura do grupo no Huambo e estendeu para várias outras províncias.

Pessoalmente trabalhei com ele ombro a ombro nos acampamentos e congressos nacionais do Tchivinguiro e Lobito. A marca de nosso trabalho foi o espírito de reconstrução nacional, inspirado no livro de Neemias. Ainda me lembro como nossas ênfases, sonhos e orações convergiam por: liderança, trabalho disciplinado e espírito de equipe.

Após terminar seu mandato no GBECA, seu espírito de liderança chamou a atenção da ONG Development Workshop, pioneira em microcrédito e financiamento de projetos familiares e pequenos empreendedores individuais sob a égide de um canadense de grande coração, Alan Cain. Lá, Mandavela pode dar seu contributo em projetos de telecomunicações, poços artesianos, suporte humanitário, programas de desminagem, a projetos internacionais de justiça, paz e reconciliação nacional.

Um de seus sonhos deixado para trás, é a recuperação das ruínas da Missão do Bungei, que, para ele e muitos de nós, tem o mesmo valor dos memoriais do Velho Testamento e nossos museus da idade moderna: retratam grandes feitos de Deus entre e através de seu povo!

Servo no mais estrito sentido da palavra

Na última década, Paulo Mandavela trabalhou com a SOLE (Solidariedade Evangélica) sucessora da SAM (Aliança Missionária Suíça) que atuava há mais de um século em Angola e desejava transferir tecnologia e liderança para os nacionais.

E Paulo Mandavela o fez com brilhantismo. Comprou a causa dos pacientes com hanseníase (antiga lepra), tuberculose e problemas de visão (Clínica Boavista). Nos meios de comunicação social desafiou o governo e a sociedade a se comprometer com a causa dessas populações marginalizadas.

Trabalhei nesse projeto como estagiário nos anos de 1990 e tive algo em comum com Paulo: o privilégio de ser mentoreado pelo Dr. Pedro Brechet, um exemplo de humildade, simplicidade, trabalho apaixonado, mas que é avesso aos holofotes.

A última lembrança que tenho de Paulo Mandavela, foi o seu envolvimento para o envio de jovens líderes para congressos internacionais. Coordenou a arrecadação de fundos para a passagem deles em diversas frentes. E no retorno os encorajou a serem multiplicadores do que aprenderam.

Falecimento

No dia 25 de janeiro de 2019, Paulo foi vítima de um AVC e veio a falecer em Benguela no dia 28. Foi sepultado no dia 31 no Lubango. Deixa esposa, Febe, e quatro filhos: Gilead, Américo, Celênia, Eliezer. A frase mais marcante foi a que ouvi de Américo: “É meu pai. Não é falecido porque as suas memórias estarão sempre em nossas mentes e corações”.

Seu legado

Viveu apenas 52 anos, mas de forma muito intensa. Além de líder, amigo, confidente, e com excelentes provocações filosóficas, a marca que ele deixa na minha mente e certamente de muitos, é a de um homem que soube viver despojado de bens materiais. Apesar de se dedicar muito aos outros e gerenciar orçamentos vultosos, vivia do que colhia de seu próprio trabalho e ainda, sempre que podia, dividia com quem precisasse.

Um homem de escuta qualificada

Com ele aprendi a arte de escutar. Ele podia me ouvir e ver chorar por horas, sem interromper, a não ser com um simples abraço ou tapinha nas costas. Ainda vejo o seu olhar atento em mim, com a mão no rosto em posição de escuta.

Uma de suas frases preferidas era: “Every story need a listener” (“Ttoda história precisa de um bom ouvinte”). E acrescenta: Algumas pessoas, se apenas fossem ouvidas, passariam por um grande processo de cura. Todos nós sofremos por causa de coisas que deixamos de fazer, de coisas que fizemos aos outros e de coisas que outras pessoas fizeram a nós. Precisamos todos de cura e liberar cura para outros.

Moisés Ezequiel Chissonde é médico.

Mais:
Vídeo em homenagem à Mandavela
Fotos da Casa Inacabada da família Mandavela


Depoimento de Tonica

Quando saí de Angola, a princípio, o Pr. José Bernardo Luacute ficou em meu lugar. Depois, ele foi trabalhar no Instituto Superior de Teologia Evangélica do Lubango, e fez a pós graduação em Missiologia no CEM e foi substituído por Paulo Mandavela, que saiu do Lubango com sua família para viver em Luanda.

Paulo Mandavela foi um líder muito dinâmico, e também serviu numa época em que havia mais liberdade, assim os grupos de estudantes do GBECA (Grupos Bíblicos de Estudantes Cristãos de Angola) foram se multiplicando e fortalecendo. Fez também, com o grupo, uma campanha de prevenção contra AIDS nas escolas. Eu visitava Angola pelo menos de dois em dois anos, e sempre ele era meu companheiro de ministério, relatava como andavam as coisas e visitava os grupos comigo. Mesmo quando assumiu outras funções e passou a liderança do GBECA a novas pessoas continuou dando apoio, e era a pessoa que sempre mantinha contato com e-mail.

Gostava muito dele por sua simplicidade. Muitas pessoas quando assumiam maiores funções começavam a sentir-se importantes, ele sempre continuou humilde, com espírito de servo. Meu último encontro com ele, e com os novos líderes atuais do GBECA aconteceu no início de agosto de 2018, ele fez uma viagem longa de sua casa para o lugar em que me encontrava, tomamos um café juntos, e foi mais uma vez um feliz e abençoado encontro. Fiquei muito triste com a notícia do falecimento inesperado.

• Antonia Leonora van der Meer (Tonica), professora de missiologia, trabalhou durante dez anos em Angola. É autora de Eu, Um Missionário?, Missionários Feridos e O Estudo Bíblico Indutivo.

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