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Opinião

Sonho ou pesadelo de consumo?

Tem sido comum ouvir as pessoas dizerem: “Meu sonho de consumo é...”. Também não é para menos, pois somos constantemente assediados por uma quantidade enorme de produtos dos mais simples aos mais sofisticados. A propaganda, em sua maior parte, já não é feita para nos convidar a experimentar um determinado produto e assim constatar sua qualidade e relevância, ela, vai além, ela tenta nos passar a idéia de que sem ele nossa vida está incompleta, ou de que, sem o tal produto, somos uma espécie de geração ultrapassada e sem vínculo com o presente. Nesse sentido, podemos constatar que algumas propagandas já não representam a “alma do negócio”, mas, a “arma que nos coage a negociar”. 

Neste cipoal mercantilista e utilitarista, muitas pessoas têm sido enganadas e manipuladas por algumas técnicas de “marketing” que não tem a mínima preocupação com a saúde econômica de quem quer que seja. O que importa a esses lobos vorazes é satisfazer sua fome de lucro financeiro em nome de um capitalismo selvagem que pode até mesmo se disfarçar com roupagens religiosas. 

A situação se tornou tão devastadora que foi necessário criar no Brasil o Código do Consumidor, ou seja, foi preciso criar um conjunto de leis positivas que tipificassem as possíveis situações entre aquele que vende e aquele que compra e vice-versa, de tal maneira que as injustiças e os abusos fossem julgados e, se necessário, condenados. Mas, o problema não se resolve com a criação de um Código —, aliás, o que não falta no Brasil é Código. Há alguns anos, um promotor chegou a dizer em sala de aula que quanto mais leis criamos, mais provamos nossa incapacidade individual e coletiva de viver em sociedade. 

Não obstante, ainda que os Códigos possam em muitos casos nos ajudar, eles não conseguem resolver de forma plena todos os problemas que o homem enfrenta na sociedade e consigo mesmo, até porque, ao serem escritos, geralmente limitam-se a um determinado tempo e realidade social que, por sua vez, são mutáveis. Nesse sentido, podemos dizer que o Código de Hamurabi deu sua contribuição no passado, mas não foi suficiente para manter, em seus dias e posteriormente, uma total harmonia social. O Decálogo dado por Javé a Moisés no monte Sinai é extraordinário, mas somente um homem se submeteu a ele com perfeição (Mt 5. 17). Algumas leis posteriores a esses antigos códigos também podem ser consideradas legítimas, mas nem por isso nos tornaram uma sociedade mais justa. O problema não está nos códigos, o problema está em cada um de nós. Sonhamos com o efêmero e colhemos o vazio, sonhamos com o consumo e colhemos relações descartáveis, sonhamos com o prazer imediato e colhemos uma satisfação não-durável, sonhamos com o poder e a fama e colhemos solidão, sonhamos em possuir a beleza que agrada os padrões da sociedade e colhemos uma relação violenta com o corpo, sonhamos em ter e possuir bens a qualquer custo e colhemos em troca “amigos” ocasionais e interesseiros etc.
 
Não fomos criados para ser consumidores tresloucados. Nascemos para viver relações duradouras e permanentes. Relações que são determinadas e mantidas não pelos bens que temos ou posição que ocupamos na sociedade, mas pela motivação sincera e constante de seguir o exemplo d’Aquele que amou o mundo de tal maneira que não mediu esforços em vir ao nosso encontro e habitar entre nós, mesmo quando vivíamos seduzidos por nosso próprio egocentrismo louco e oco. Entretanto, esta Pessoa a quem nos referimos não pode ser conhecida através de uma mera relação de consumo descartável, pois sua essência é eterna e o Eterno não se presta para ser consumido, o Eterno só pode ser amado e adorado em espírito e em verdade. 

Finalmente, ainda podemos aprender a amar Aquele que nos amou primeiro, o Único que tem o poder de fazer nossos pesadelos darem lugar não aos sonhos de consumo, mas aos sonhos que fazem com que nossa realidade seja marcada pela simplicidade, liberdade, justiça, misericórdia e bondade. Este Alguém, segundo ensina as Escrituras Sagradas, é Jesus, o Bom Pastor, Aquele que dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11). Ele não está nas lojas, nas vitrines, nas telas cinematográficas e nem nas multidões. Mas, Ele está perto de todo o que O invoca em verdade, onde quer que o suplicante possa estar. Resta saber uma coisa: Queremos viver num eterno pesadelo ou eternamente com Quem transforma sonhos de vida e paz em realidade?

• Uéslei Fatareli é pastor da Igreja Presbiteriana de Itatiba, SP, e mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie.

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