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Opinião

Reforma e casamento

Por Luiz Fernando dos Santos

“Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo” (Ef 5.24-28).

Gastamos a maior parte do tempo pensando nas transformações que ocorreram no seio da igreja cristã quando o assunto é a Reforma Protestante. De fato, esse evento se deu dentro da igreja, no centro estruturante do poder e abalou, na verdade demoliu, os fundamentos da autoridade papal e consequentemente o poder quase absoluto da igreja romana como a instância última em matéria de fé, moral e política. Contudo, existem outros aspectos da vida na medida em que a Palavra de Deus ia sendo pregada, também foram sentindo o seu poder e sendo recoladas na perspectiva da vontade e do plano original de Deus. O matrimônio é um desses aspectos que foram grandemente abençoados pelos ensinamentos da Bíblia. Na idade média, de maneira geral, o casamento não era visto como um projeto de vida virtuoso ou um caminho para a santificação. A virtude consistia no celibato e nos votos de castidade proferidos pelos monges, freiras, mendicantes e membros do clero. O caminho por excelência para aquisição de virtudes, extirpação dos vícios, o cultivo da piedade e a comunhão com Deus em santidade só era possível na renúncia da vida matrimonial. Basta uma simples olhada no rol dos santos e santas canonizados nos últimos dois mil anos pela Igreja Católica para se constatar que a esmagadora maioria daqueles que foram oferecidos como modelos de virtudes cristãs e de vida santa; são esses monges, freiras, padres, bispos, eremitas, crianças e adolescentes, viúvos. Os crentes desse período que viveram em estado matrimonial quase nunca eram oferecidos como modelos de piedade.

Durante muitos séculos o matrimônio era compreendido como uma espécie de pecado consentido ou mal necessário para a perpetuação da ração humana e consequentemente para a preservação da igreja. E mesmo que o matrimônio, ainda que nem sempre universalmente, tenha sido alçado à condição de sacramento, ainda sim durante muito tempo era oficiado às portas do templo, por não haver lugar para ele entre as coisas santas. Com a reforma protestante a leitura e a pregação da Bíblia se tornaram mais frequentes, mais popularizada e mais amplamente ensinada. Assim, o tema do matrimônio também foi enfrentado, esmiuçado e ensinado nas igrejas. Percebeu-se desde logo que, o matrimônio é uma bênção que antecede a Queda e que permaneceu mesmo depois da expulsão do paraíso. Que o casamento cristão é um meio excelente para se glorificar a Deus e um desses meios para a glorificação, é justamente a relação sexual. O sexo no matrimônio não é um pecado consentido e nem um mal necessário, mas um canal de bênçãos e sim, um meio de santificação recíproca entre os cônjuges.

Na expressão “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18), os reformadores encontraram dois princípios interessantes, o primeiro que o casamento é um antídoto para a solidão do homem e que, na tradução grega da ‘Septuaginta’ a expressão “monachos”, ‘esteja só’, era uma proibição para os votos monásticos. Com isso, além de recuperar a beleza da vida a dois, vetavam à proibição os votos monásticos e o celibato. A reforma passou a enfatizar que o matrimônio havia sido estabelecido por Deus para que o homem e a mulher pudessem participar da felicidade de Deus e serem a causa de felicidade e satisfação um para o outro. O livro Bíblico de Cantares de Salomão, tão amplamente interpretado como alegórico, por exemplo por Bernardo de Claraval, que viu nesse livro as núpcias da alma com Cristo e da Igreja com Cristo, passou a ser interpretado e ensinado como o texto Bíblico que exalta as delícias do amor romântico e sexual, sem pudores, porém com alegre reverência. O matrimônio passou assim, nos ventos da reforma, a ser um meio de vida desejável para a santificação, a sexualidade um sacrifício oferecido pelos cônjuges para a glória de Deus e o lar uma igreja doméstica. Deixou de ter como fim único a perpetuação da raça e a preservação da igreja e incluiu também e felicidade do casal e um meio válido e seguro para o progresso espiritual e a santificação. Na visão de muitos reformadores e pastores daquele tempo, o lar cristão passou a ser uma escola de virtudes e o berçário da igreja. Também em nossos dias o matrimônio precisa sofrer outra vez as influências de uma Reforma com base nas Escrituras.


O número de divórcios é perturbador e a falta de entendimento quanto a indissolubilidade do casamento e a sua missão na igreja e no mundo, idem. A violência contra a mulher cresce a cada dia também em lares cristãos, bem como o distanciamento provocado pelas redes sociais. Sem falar na ausência de piedade no lar. São situações que gemem e clamam por uma transformação profunda. A reforma do casamento começa pela entronização das Escrituras no centro do relacionamento como a suprema lei para a moderação da vida e uma vida conjugal unida a Cristo, nosso verdadeiro esposo.

Celebremos a reforma do casamento e da família para o bem do mundo e a glória de Deus.

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É ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP) e professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul, de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITREF) e de História das Missões no Perspectivas Brasil.
  • Textos publicados: 95 [ver]

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