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Opinião

O que pregar durante a pandemia? O púlpito em tempos pandêmicos

Por Phelipe Reis
 
A resposta à pergunta no título deste texto pode parecer muito óbvia, especialmente, para aqueles que se ocupam do exercício da pregação das Escrituras Sagradas. De cara, poderíamos dizer: “pregue a Palavra de Deus”, ou ainda, “pregue o evangelho de Jesus”. Nossa proposta é tentar nos aprofundar um pouco mais tentando identificar subtemas e outras perspectivas que podem ser relevantes para serem apresentadas nos púlpitos, nestes tempos de pandemia.
 
A verdade é que vivemos uma realidade complexa. Nosso país atravessa um momento sanitário, sociopolítico e econômico muito delicado, cujas consequências afetam a todos, inclusive a vida da igreja e seus membros. Além disso, cada igreja possui um contexto particular e é formada por pessoas com necessidades diversas. Levando em consideração esses e outros aspectos, como a pregação e o ensino da Palavra de Deus podem atender às demandas dessas comunidades de fé?
 
Alimentando as ovelhas do Senhor
 
Antes de responder a esta pergunta, vale destacar a importância desta responsabilidade que está nas mãos de pastores e líderes da Igreja: a pregação e o ensino das Escrituras Sagradas. O teólogo e pastor, R. C. Sproul (1939 – 2017), diz que o conceito de que a tarefa primária do ministro é ensinar está quase perdida na igreja hoje e que, muitas vezes, a expectativa com relação a execução de tarefas administrativas são até mais valorizadas no momento de escolher um ministro para a igreja local. Sproul argumenta:
 
“Pedro negou Jesus publicamente por três vezes, e Jesus restaurou o apóstolo, dizendo-lhe por três vezes: ‘apascenta as minhas ovelhas’ (João 21.15-19). Por extensão, esse chamado é dado aos presbíteros e ministros da igreja porque o povo de Deus que está reunido nas congregações de igrejas em todo o mundo pertence a Jesus. Esse povo são as suas ovelhas. E todo ministro que é ordenado é consagrado e confiado por Deus para o cuidado dessas ovelhas. […] Os pastores são os sub-pastores de Cristo, e que pastor negligenciaria as suas ovelhas de tal modo que nunca tivesse tempo ou preocupação de alimentá-las? A alimentação das ovelhas do Senhor ocorre principalmente através do ensino.”
 
Sproul pontua ainda que, apesar haver distinção entre pregação e ensino, na prática há muita sobreposição entre as duas tarefas. Ele explica que “a pregação deve comunicar conteúdo e inclui ensino, e o ensino das coisas de Deus às pessoas não pode ser feito de uma forma neutra, mas deve exortá-las a ouvirem e obedecerem a Palavra de Cristo”. Sproul conclui dizendo que os cristãos precisam de pregação e ensino, e precisam de mais do que vinte minutos de instrução e exortação por semana.
 
Incapacitados para pregar?
 
Para responder à pergunta que norteia nossa reflexão, conversamos com alguns pastores. Oswaldo Prado, missionário da Sepal e mentor de pastores plantadores de novas igrejas pelo CTPI, concorda que escolher o conteúdo de pregações durante a pandemia tem sido um dilema real para muitos e isso tem mostrado que “aqueles que deveriam dar as orientações para o povo que pastoreiam encontram-se sem saber muito bem o que fazer e o que falar”.
 
Na visão de Prado, não basta informar aos pregadores o que eles precisam falar, é preciso descobrir os motivos que têm levado os pregadores a se sentirem “incapacitados”. Ele chama atenção para o fato de que algumas igrejas têm abraçado teologias que procuram agradar os ouvintes e não confrontá-los. Diante disso, pregar sobre a cruz tornou-se algo impensável. Prado comenta:
 
“Falar sobre as reais possibilidades de oposição, de passar por algo semelhante ao que Jesus vivenciou, as enfermidades do corpo humano, sejam elas físicas ou emocionais, também foram abolidas, em grande medida, dos nossos púlpitos. O que restou foram as conhecidas mensagens de que o cristão que anda perto do Pai está imune a tudo isso. Basta declarar a vitória sobre essas situações complicadas que tudo estará resolvido. O problema é que a pandemia gritou mais alto do que todos esses pregadores que alardeiam que tudo estará bem e que nada poderá nos atingir.”
 
Oswaldo Prado pontua que essas questões nos levam a refletir sobre o que somos e o que pregamos. Ele destaca que é preciso pregar a Palavra Deus em sua totalidade, aplicando o que ele chama de “a melhor hermenêutica”, aquela que permite que a Palavra de Deus seja interpretada por ela mesma. Prado conclui: “Minha oração é que você, como pastor e pregador, seja capacitado pelo Espírito Santo a falar sempre de toda a verdade revelada nas Escrituras. Fazendo isso, você certamente abençoará o seu rebanho diante desse momento extremamente difícil que estamos passando”.
 
É proibido pensar?
 
Na percepção de Moacy Paulino da Silva, pastor na Primeira Igreja Batista de Parintins, Amazonas, a pandemia tem gerado uma situação econômica grave em nosso país, colocando muitos numa condição de não conseguirem levantar o sustento para suas famílias. Diante desta realidade, pastores e líderes devem pregar e colocar a igreja como ferramenta de Deus para atuar no socorro destas famílias. Moacy também pontua a necessidade de abordar as escolhas e suas consequências, tanto individuais quanto coletivas. Isso significa que, no contexto pandêmico, a liberdade individual não pode ser utilizada como desculpa para colocar em risco a saúde e a vida do próximo.
 
O pastor Moacy também destaca a necessidade de instruir a igreja quanto ao diálogo entre fé e ciência. Ele explica: “A ciência mais que provou sua importância para a solução de problemas e questões de nossas sociedades. Se faz necessário que respeitemos suas descobertas, a fim de garantirmos melhoria nas condições de vida da humanidade, principalmente no que se refere a curas de doenças que tem provocado verdadeiras calamidades nestes últimos séculos.” Neste sentido, Moacy indaga: “É proibido pensar?”, e responde que a igreja necessita de uma avaliação de seus posicionamentos, levando em consideração uma abordagem sem preconceitos e partidarismo para tomar atitudes racionais baseadas na vida de Cristo e de seus discípulos.
 
Tempos confusos. Deus soberano. Igreja em missão
 
Também conversarmos com Pedro Paulo Valente, pastor na Igreja Presbiteriana de Viçosa, Minas Gerais. Ele reconhece que vivemos tempos difíceis, de tristeza pelos enfermos em estado grave e aqueles que partiram, medo do que pode acontecer com nossos queridos e confusão por causa da polarização que se intensificou na pandemia e que provoca tanta discórdia. Para Pedro Paulo, o abatimento e a preocupação são consequenciais naturais de tudo isso somado a uma crise econômica violenta. O pastor Pedro destaca:
 
“Mas o pior de tudo isso é o distanciamento físico que a pandemia exige, levando muitos a um completo isolamento social. A riqueza da vida em comunidade de nossas igrejas ficou muito prejudicada. O caminho que escolhemos, aqui em Viçosa, tem sido lembrar a comunidade de que Deus é Soberano, tanto para conduzir a sua Igreja nesse tempo sombrio e confuso, quanto para conduzir a história para a consumação do seu Reino. Dessa forma, nos consolamos sabendo que Deus está conosco em nosso sofrimento, encorajamo-nos na esperança do que está por vir, e mantemos o coração aquecido na missão da Igreja – amar o próximo servindo e proclamando o Evangelho de Jesus.”

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Nota
Texto da série “De pastor para Pastor”, produzido pela Sepal e redigido por Phelipe Reis. Publicado com autorização.
 
Sobre a Série “De pastor para pastor: lições do pastorado na pandemia”
A pandemia representa um dos maiores desafios dos últimos tempos para todo mundo. A fim de servir a pastores e líderes com conteúdos relevantes, a Sepal preparou a série “De pastor para pastor” com artigos abordando tópicos relacionados aos desafios do exercício pastoral em tempos de pandemia. O conteúdo tem a participação de pastores e líderes de diferentes igrejas e regiões do país, na tentativa de enriquecer as perspectivas dos temas abordados. Os textos têm como base as vivências pastorais e as inquietações presentes no coração de pastores e líderes, a respeito dos desafios com os quais precisam lidar durante a pandemia. “De pastor para pastor” pretende acolher, encorajar e animar aqueles que se dedicam ao ministério pastoral.
 

É natural do Amazonas, casado com Luíze e pai da Elis e do Joaquim. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM). É missionário e colaborador do Portal Ultimato.
  • Textos publicados: 128 [ver]

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