Prateleira
29 de outubro de 2011- Visualizações: 4712
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
O futuro era melhor antigamente
Hoje é o Dia do Livro. E, não sem alguma ironia, lembro-me do ‘Túmulo ao Soldado Desconhecido’. Ironia que nada tem a ver com a honra devida aos anônimos que caíram em guerras mundo afora, os quais no Brasil têm seu reconhecimento no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.O livro, qualquer livro, publica-se. Não é anônimo nem muito menos desconhecido. Mas todos os dias são construídos novos “túmulos” em sua homenagem. Por isso, uso emprestado no título desta pequena ode ao livro a frase do humorista búlgaro Karl Valentin. Faço apenas um acréscimo: O futuro [do livro] era melhor antigamente.
Poupo o leitor das bobagens que se dizem do ‘futuro’ do livro. Aliás, “tudo já foi dito; mas não por todo mundo”. Devo também a Valentin esse achado e, por isso, arrisco-me em algumas ilações. Espanta-me o ambiente escatológico dos pregoeiros das novas tecnologias. Peço perdão aos mais delicados, mas não resisto: já se passaram mais de três dias da morte de Steve Jobs...
Aviso aos apressados: adoro a tecnologia. Da penicilina aos tablets, embora não tenha qualquer acessório – cuja definição é “aquilo que não é fundamental” – que comece com a letra “i”. Mas, confesso, gostaria de tê-los. Bem, isso pouco importa e volto ao que nos interessa hoje: o valor, a dignidade do livro. Um livro, qualquer livro, não tem data de validade e a tecnologia é apenas um detalhe. O que de fato importa para o [futuro do] livro é o poder econômico, o monopólio, a possibilidade de privatização dos seus benefícios [públicos]. Não há almoço grátis.
Silêncio. Queremos celebrar vida longa ao livro. Salomão não entendia de plataforma ou suportes e ainda assim cravou: “Não há limite para fazer livros” (Ec 12.12). E por falar em suporte, nos últimos trinta anos consulto um mesmo livro (impresso), de um conhecido pensador protestante, para novas anotações ou citações caseiras. Como editor, não faço as contas de quantas vezes perdemos arquivos de livros inteiros e seus suportes ‘duráveis’.
Se você lê, bem-vindo ao futuro [do livro].
29 de outubro de 2011- Visualizações: 4712
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Prateleira
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Rasgar o coração e não as vestes: o clamor além do ritual
- Os nefilins voltaram: o gigantismo das IAs e sua fusão com a humanidade
- Conhecimento bíblico não transforma. A prática do evangelho, sim
- Como orar e ajudar a Venezuela
- Projeto Pérola: 45 anos do envio de um milhão de Bíblias para a China
- Paulo no Pacaembu
- Jesus de acordo com o Novo Testamento
- Quem cuida de quem cuida?
- A ternura humana na era da inteligência artificial
- Perdão e restauração – liturgia
(31)3611 8500
(31)99437 0043
Ultimato promove concurso para os seus leitores
Vocação: o que, quando e como?
O Jesus do evangelho não é mártir! 








