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Opinião

Entre flores e preconceitos

Por Atilano Muradas

Recentemente, visitei a casa da minha mãe e pude caminhar pelas ruas da cidade onde nasci, interior de Minas Gerais. Passando pelas praças, percebi que todos os jardins e gramados estavam bem cuidados, floridos, prontos para receberem a primavera. No quintal da casa da minha mãe também há muitas flores e plantas que ela rega diariamente e poda com frequência. Incrível, mas ela sabe o nome de todas e até desenha algumas em quadros, que fixa nas paredes da casa. O seu amor pelas plantas e flores acabou me inspirando e tornei-me um admirador da diversidade da flora. Hoje consigo apreciar detalhes, até certo grau, inclusive, para, pelo menos, entabular um bom papo com a minha mãe.

Devido a isso, no tempo em que morei em Brasília, aprendi a admirar os belos jardins do Palácio do Planalto e do Setor Militar. Em viagens pelo Brasil, era inevitável não apreciar os jardins e florestas no Sul – Curitiba, Campos do Jordão, Gramado, Rio de Janeiro, São Paulo – e também no Norte – Manaus, Belém, Juazeiro do Norte. Subindo mais um pouco, nos Estados Unidos, fotografei e filmei jardins maravilhosos em Washington, Boston, Orlando, na Califórnia, no Texas e em Minnesota. Na Europa, me embriaguei com a beleza dos jardins londrinos e parisienses. Na América Latina, encontrei um espetáculo de canteiros floridos em Buenos Aires. Trouxe muitas fotos e filmes desses lugares e mostrei à minha mãe, que suspirava a cada detalhamento, sobretudo quando via as imagens dos jardins dos palácios da Inglaterra. Muita gente admira a mesma coisa e faz tudo que é possível para ter um belo jardim e cuidar dele como se fosse da família. Às vezes, até melhor.

Conectada à flora, está a fauna. Desnecessário dizer que Deus esmerou-se na criação da diversidade da animália, da mesma forma que caprichou ao criar a flora. Aliás, chega a ser cômico ver botânicos e zoólogos tentando catalogar a variedade natural terrena, pois lhes faltam nomes. Nas paredes da casa da minha mãe há também muitas fotos de aves que ela pinta com rara habilidade. Flora e fauna, indiscutivelmente, são manifestações da glória de Deus, tal qual os céus (Salmos 19.1).

Foi de Deus a ideia de criar todas essas coisas incrivelmente lindas e perfeitas que povoam o planeta e o céu – tanto as visíveis, quanto as invisíveis. Todavia, quando Deus criou o homem, permita-me crer que o capricho foi ainda maior, pois, ao invés de chamar à existência, como fez com a fauna e a flora, usando apenas a palavra, ele usou as mãos e ainda “soprou”. O ar de Deus entrou em nós, o seu toque está impresso em nossa essência, e ele nos fez seres profundos e perfeitos justamente porque haveríamos de ser os mordomos dos bens d’ele, e ainda teríamos a incumbência de dominar a flora e a fauna.

Mas, a meu ver, o melhor da criatividade de Deus ainda estava por vir: a mistura das raças. O desenrolar da História produziu e continua produzindo pessoas com personalidades extremamente intrincadas, de diversos tamanhos e formatos, com cabelos e olhos diferenciados e com as mais variadas cores de pele.

Minha avó materna, por exemplo, era negra, casou-se com um índio e gerou a minha mãe. Já meu avô paterno era branco, filho de judeus espanhóis, casou-se com uma brasileira e gerou o meu pai. Sou negro-índio-branco-judeu-espanhol-brasileiro. Minha pele é parda e carrega genes de milhares de antepassados que habitaram diferentes partes da Terra. E assim somos todos nós. Ninguém é feio, ninguém é bonito, ninguém é melhor e ninguém é pior. Cada um é produto de ancestrais que também não são feios, nem bonitos, nem melhores e nem piores do que nós. Continuamos a ser criação de Deus, cheios do sopro e do toque d’ele, responsáveis por cuidar de tudo o que ele fez e colocou à nossa disposição, incluindo os nossos semelhantes.

Cada ser humano é tão diferente e belo quanto as flores e os animais retratados por minha mãe. Na Bíblia, aprendi a amar e a apreciar todas as pessoas além das suas formas ou cores. Compreendi que belo mesmo deve ser o nosso espírito, que consegue ver a Deus, que chama a cada um de nós pelo nome, assim como a minha mãe chama uma a uma, as plantinhas do seu quintal. Cada uma delas é diferente uma da outra, mas a minha mãe trata a todas de igual forma, sem distinção e com o mesmo carinho. Da mesma forma, Deus continua regando e cuidando de cada um de nós, dia após dia, até quando formos chamados para o encontro com ele na eternidade, onde a diversidade, por certo, será ainda maior.

Não entendo porque as pessoas zombam umas das outras, criticam sotaques, tipo e cor de cabelo, tamanho, altura e tom da pele. Todos nós viemos da mesma matriz, da mesma fonte, da mesma eternidade, fazemos parte do mesmo canteiro celeste onde a diversidade é o que de mais rico e belo possuímos. E melhor é saber que Deus é o Jardineiro do Universo, conforme nos lembra Apocalipse 22.2, que diz que no céu haverá uma praça por onde caminharão os salvos de todas as nações, independentemente de status, altura, idade, nação ou cor da pele. As flores dessa praça também seremos nós, com todas as nossas tonalidades de pele e de olhos. Quem tem ouvidos, ouça. Quem tem visão, admire e dê glórias a Deus!

• Atilano Muradas é jornalista, pastor, escritor, teólogo e compositor. Possui 10 CDs e 1 DVD gravados e 5 livros publicados pelas editoras Vida, Betânia e Muradas. Contato: atilanomuradasneto@gmail.com

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