Opinião
07 de agosto de 2026- Visualizações: 10
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Edith Stein e a feminilidade bíblica
O caminho da dignidade feminina não está no exterior, mas sim em uma renovação de mente e coração
Por Lídice Meyer
Muito se tem publicado hoje nas redes sociais sobre feminilidade bíblica como se houvesse uma fórmula especial na Bíblia sobre como uma mulher deveria agir para ser “feminina”. O que poucos sabem é que há quase 1 século uma teóloga já havia se debruçado sobre o tema e escrito sobre os quatro pilares da feminilidade: Edith Stein.
Edith Stein nasceu em 1891 em uma família judia na Polônia. Graduou-se em filosofia e letras e defendeu a tese de doutorado: “Sobre o problema da empatia”. Foi a segunda mulher a receber um título de doutorado em filosofia na Alemanha e a primeira a solicitar que as mulheres recebessem o título de “professora”.
Em meio aos seus estudos, Edith leu o Exercícios Espirituais, de Inácio de Loyola, que lhe impressionou muito, levando-a a realizar as meditações propostas no livro por trinta dias. Algum tempo depois leu a autobiografia de Teresa de Ávila e abraçou o cristianismo em 1921. Por cerca de 10 anos foi professora em um instituto religioso e no Instituto Alemão de Pedagogia Científica até receber o hábito de carmelita e assumir o nome de Teresa Benedita da Cruz. Em 1942 foi levada pela Guestapo para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau onde foi assassinada na câmara de gás. Em 1998 foi canonizada pelo Papa João Paulo II e desde 2024 espera pelo reconhecimento de doutora da igreja.

Para Edith Stein, a feminilidade é a chave para compreender a imagem de Deus nas mulheres e a sua missão no mundo. Ela escreveu sobre os quatro pilares da feminidade fundamentados na maior das virtudes: o amor.
O primeiro pilar é a receptividade. A mulher que se abre para o outro criando espaço para amar eleva a sua compreensão do mundo e se torna uma pessoa melhor.
O segundo pilar é a generosidade. Segundo Edith Stein a alma feminina “se revela sensível às realidades pessoais, à harmonia, ao global. A atenção da mulher se centra naturalmente nas pessoas”. Quando a mulher transforma o amor em cuidado, ela se realiza.
O terceiro pilar é o da dignidade. Diz Edith Stein: “Toda mulher pode responder à sua vocação – não importa se é para o matrimônio, para uma comunidade religiosa ou uma profissão”. A mulher deve estudar, trabalhar e atuar na sociedade sem perder a sua essência de mulher. Não se trata de uma competição constante com os homens, mas de viver plenamente o que Deus sonhou para ela.
O quarto e último pilar é o da maternidade. Segundo Edith Stein, “as mulheres buscam, por natureza, abraçar o que é vivo, pessoal e completo. Amar, proteger, nutrir e educar são desejos naturais e maternais”. As mulheres dão a vida e a nutrem naturalmente, seja a filhos biológicos, espirituais, sonhos, projetos ou amizades. “A alma da mulher é moldada para ser abrigo na qual outras almas possam desabrochar.”
Em meio a tantas discussões fúteis na internet e nas igrejas a respeito de paleta de cores a usar ou regras de modéstia feminina, a teóloga Edith Stein nos ensina que o caminho da dignidade feminina não está no exterior, mas sim em uma renovação de mente e coração, capaz de resgatar o precioso valor original presente na mente de Deus.
Imagem: Picryl.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Missão da Mulher, Paul Tournier
» Casas de Chá – As Mulheres do Distrito da Luz Vermelha, Shine Lee
» Vozes Femininas no Início do Cristianismo – Império Romano, igreja cristã, perseguição e papel feminino, Rute Salviano Almeida
Por Lídice Meyer
Muito se tem publicado hoje nas redes sociais sobre feminilidade bíblica como se houvesse uma fórmula especial na Bíblia sobre como uma mulher deveria agir para ser “feminina”. O que poucos sabem é que há quase 1 século uma teóloga já havia se debruçado sobre o tema e escrito sobre os quatro pilares da feminilidade: Edith Stein.Edith Stein nasceu em 1891 em uma família judia na Polônia. Graduou-se em filosofia e letras e defendeu a tese de doutorado: “Sobre o problema da empatia”. Foi a segunda mulher a receber um título de doutorado em filosofia na Alemanha e a primeira a solicitar que as mulheres recebessem o título de “professora”.
Em meio aos seus estudos, Edith leu o Exercícios Espirituais, de Inácio de Loyola, que lhe impressionou muito, levando-a a realizar as meditações propostas no livro por trinta dias. Algum tempo depois leu a autobiografia de Teresa de Ávila e abraçou o cristianismo em 1921. Por cerca de 10 anos foi professora em um instituto religioso e no Instituto Alemão de Pedagogia Científica até receber o hábito de carmelita e assumir o nome de Teresa Benedita da Cruz. Em 1942 foi levada pela Guestapo para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau onde foi assassinada na câmara de gás. Em 1998 foi canonizada pelo Papa João Paulo II e desde 2024 espera pelo reconhecimento de doutora da igreja.

Para Edith Stein, a feminilidade é a chave para compreender a imagem de Deus nas mulheres e a sua missão no mundo. Ela escreveu sobre os quatro pilares da feminidade fundamentados na maior das virtudes: o amor.
O primeiro pilar é a receptividade. A mulher que se abre para o outro criando espaço para amar eleva a sua compreensão do mundo e se torna uma pessoa melhor.
O segundo pilar é a generosidade. Segundo Edith Stein a alma feminina “se revela sensível às realidades pessoais, à harmonia, ao global. A atenção da mulher se centra naturalmente nas pessoas”. Quando a mulher transforma o amor em cuidado, ela se realiza.
O terceiro pilar é o da dignidade. Diz Edith Stein: “Toda mulher pode responder à sua vocação – não importa se é para o matrimônio, para uma comunidade religiosa ou uma profissão”. A mulher deve estudar, trabalhar e atuar na sociedade sem perder a sua essência de mulher. Não se trata de uma competição constante com os homens, mas de viver plenamente o que Deus sonhou para ela.
O quarto e último pilar é o da maternidade. Segundo Edith Stein, “as mulheres buscam, por natureza, abraçar o que é vivo, pessoal e completo. Amar, proteger, nutrir e educar são desejos naturais e maternais”. As mulheres dão a vida e a nutrem naturalmente, seja a filhos biológicos, espirituais, sonhos, projetos ou amizades. “A alma da mulher é moldada para ser abrigo na qual outras almas possam desabrochar.”
Em meio a tantas discussões fúteis na internet e nas igrejas a respeito de paleta de cores a usar ou regras de modéstia feminina, a teóloga Edith Stein nos ensina que o caminho da dignidade feminina não está no exterior, mas sim em uma renovação de mente e coração, capaz de resgatar o precioso valor original presente na mente de Deus.
Imagem: Picryl.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Missão da Mulher, Paul Tournier
» Casas de Chá – As Mulheres do Distrito da Luz Vermelha, Shine Lee
» Vozes Femininas no Início do Cristianismo – Império Romano, igreja cristã, perseguição e papel feminino, Rute Salviano Almeida
Lidice Meyer P. Ribeiro é doutora em Antropologia e professora na Universidade Lusófona, Portugal. É autora de, entre outros, Cristianismo no Feminino – o papel da mulher na vida da Igreja (Editora Mundo Cristão).
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