Opinião
26 de agosto de 2026- Visualizações: 54
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Criadores de Cultura: o chamado criativo para transformar o mundo - resenha
A pergunta não é se vamos participar da cultura, mas de que forma faremos isso
Por Ana Claudia Braun Endo
Em Culture Making, lançado no Brasil com o título Criadores de Cultura (W4, 2026), Andy Crouch reflete sobre o papel dos cristãos na cultura e sobre como a criação e a utilização desses bens culturais podem contribuir para uma sociedade que reflita a presença de Deus. A ideia central do livro é poderosa: cultura é o que fazemos com aquilo que temos e criamos, em um esforço “inquieto e incansável” para transformar o mundo.
Crouch mostra que cultura não é algo opcional. Desde o início da humanidade, fomos chamados a cultivar e a criar. A pergunta central não é se vamos participar dela, mas de que forma faremos isso. Para o autor, esse trabalho pode começar em casa, na família. Aliás, a família é a cultura em sua menor escala e um espaço real de transformação.
Para isso, o autor dialoga com diferentes pensadores para demonstrar que cada geração recebe um mundo previamente moldado, mas precisará decidir o que fará com ele. Entre esses pensadores estão Middleton e Walsh. Segundo eles, devemos responder a quatro perguntas cruciais: Quem somos nós? Onde estamos? O que está errado? Qual é a solução? Crouch também cita Francis Schaeffer, que, junto com sua esposa Edith, criou a comunidade L’Abri, como uma ponte valiosa entre o Evangelho e a sociedade.
Um ponto fundamental na leitura é a crítica às posturas mais comuns dos cristãos diante da cultura. Crouch diz que, muitas vezes, somos conhecidos por copiar ou simplesmente consumir o que já existe. Ele reconhece que o gesto de condenar ou criticar pode ter seu lugar, mas insiste que ele não é suficiente e se torna nocivo quando isso se torna nossa postura padrão. A postura de copiar o que os outros fazem nos deixa sempre atrasados e nos tranca em “guetos”, enquanto a postura de simplesmente consumir o que outros criam nos torna passivos e nos leva à repetição.
Segundo o autor, a única forma real de transformar a cultura é “criar mais cultura”. Isso é algo que acontece somente em comunidade, quando gera bens que outras pessoas podem usar e desenvolver. Para falar sobre isso, Crouch utiliza-se de duas imagens: a primeira, do artista; e a segunda, do jardineiro. Enquanto o artista cria algo, o jardineiro cultiva e faz crescer aquilo que já está plantado. Ambas as posturas são necessárias e exigem atenção, dedicação e responsabilidade.
Ao percorrer a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, o autor mostra que a cultura é o espaço onde o Deus Criador derrama sua graça. Ele diz que, em Gênesis, vemos um jardim, mas, em Apocalipse, veremos uma cidade. Isso revela que as nossas melhores produções culturais serão redimidas e farão parte do cenário eterno da nova cidade de Deus. A cultura redimida fará parte do futuro que Deus prepara para nós.
Esse livro ampliou minha visão sobre fé e sociedade. Saber que a criação cultural não exige o fardo de tentar "mudar o mundo" em escala global, mas sim o compromisso de entregar bens tangíveis em comunidades pequenas nos apresenta um chamado realista.
Como os cristãos serão conhecidos no mundo, fora das quatro paredes de muitas igrejas? Essa é a reflexão que Andy Crouch propõe e que estendo a você. Enquanto edito livros, preparo aulas, pesquiso, estudo, vivo novas experiências e estou com amigos ou em família... estou ciente de que tenho uma responsabilidade importante quando crio cultura a partir da visão do Reino.
Livro: Criadores de Cultura – Recuperando nosso chamado criativo, Andy Crouch, 304 páginas, W4 Editora.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Os Cristãos e a Arte em um Mundo em Desencanto, Rodolfo Amorim
» A Arte Não Precisa de Justificativa, H. R. Rookmaaker
» Fé Cristã e Cultura Contemporânea – Cosmovisão cristã, igreja local e transformação integral, Leonardo Ramos, Marcel Camargo e Rodolfo Amorim (org.)
Por Ana Claudia Braun Endo
Em Culture Making, lançado no Brasil com o título Criadores de Cultura (W4, 2026), Andy Crouch reflete sobre o papel dos cristãos na cultura e sobre como a criação e a utilização desses bens culturais podem contribuir para uma sociedade que reflita a presença de Deus. A ideia central do livro é poderosa: cultura é o que fazemos com aquilo que temos e criamos, em um esforço “inquieto e incansável” para transformar o mundo.Crouch mostra que cultura não é algo opcional. Desde o início da humanidade, fomos chamados a cultivar e a criar. A pergunta central não é se vamos participar dela, mas de que forma faremos isso. Para o autor, esse trabalho pode começar em casa, na família. Aliás, a família é a cultura em sua menor escala e um espaço real de transformação.
Para isso, o autor dialoga com diferentes pensadores para demonstrar que cada geração recebe um mundo previamente moldado, mas precisará decidir o que fará com ele. Entre esses pensadores estão Middleton e Walsh. Segundo eles, devemos responder a quatro perguntas cruciais: Quem somos nós? Onde estamos? O que está errado? Qual é a solução? Crouch também cita Francis Schaeffer, que, junto com sua esposa Edith, criou a comunidade L’Abri, como uma ponte valiosa entre o Evangelho e a sociedade.
Um ponto fundamental na leitura é a crítica às posturas mais comuns dos cristãos diante da cultura. Crouch diz que, muitas vezes, somos conhecidos por copiar ou simplesmente consumir o que já existe. Ele reconhece que o gesto de condenar ou criticar pode ter seu lugar, mas insiste que ele não é suficiente e se torna nocivo quando isso se torna nossa postura padrão. A postura de copiar o que os outros fazem nos deixa sempre atrasados e nos tranca em “guetos”, enquanto a postura de simplesmente consumir o que outros criam nos torna passivos e nos leva à repetição.
Segundo o autor, a única forma real de transformar a cultura é “criar mais cultura”. Isso é algo que acontece somente em comunidade, quando gera bens que outras pessoas podem usar e desenvolver. Para falar sobre isso, Crouch utiliza-se de duas imagens: a primeira, do artista; e a segunda, do jardineiro. Enquanto o artista cria algo, o jardineiro cultiva e faz crescer aquilo que já está plantado. Ambas as posturas são necessárias e exigem atenção, dedicação e responsabilidade.
Ao percorrer a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, o autor mostra que a cultura é o espaço onde o Deus Criador derrama sua graça. Ele diz que, em Gênesis, vemos um jardim, mas, em Apocalipse, veremos uma cidade. Isso revela que as nossas melhores produções culturais serão redimidas e farão parte do cenário eterno da nova cidade de Deus. A cultura redimida fará parte do futuro que Deus prepara para nós.
Esse livro ampliou minha visão sobre fé e sociedade. Saber que a criação cultural não exige o fardo de tentar "mudar o mundo" em escala global, mas sim o compromisso de entregar bens tangíveis em comunidades pequenas nos apresenta um chamado realista.Como os cristãos serão conhecidos no mundo, fora das quatro paredes de muitas igrejas? Essa é a reflexão que Andy Crouch propõe e que estendo a você. Enquanto edito livros, preparo aulas, pesquiso, estudo, vivo novas experiências e estou com amigos ou em família... estou ciente de que tenho uma responsabilidade importante quando crio cultura a partir da visão do Reino.
Livro: Criadores de Cultura – Recuperando nosso chamado criativo, Andy Crouch, 304 páginas, W4 Editora.
- Ana Claudia Braun Endo é jornalista e diretora editorial na W4 Editora .
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Os Cristãos e a Arte em um Mundo em Desencanto, Rodolfo Amorim
» A Arte Não Precisa de Justificativa, H. R. Rookmaaker
» Fé Cristã e Cultura Contemporânea – Cosmovisão cristã, igreja local e transformação integral, Leonardo Ramos, Marcel Camargo e Rodolfo Amorim (org.)
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