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Opinião

A pandemia da Covid-19 e o cuidado com os mais vulneráveis

Por Marta Sato
 
Faço parte de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com 5 equipes de médicos, dentistas, técnicas e auxiliares da saúde bucal, enfermeiros, técnicas de enfermagem e agentes de saúde que trabalham em uma AMA/UBS Integrada, na Zona Leste de São Paulo.
 
No território coberto pela minha equipe há um conjunto de 15 prédios baixos que foram ocupados – chamamos de "Ocupação" (termo utilizado como ato de ocupar um espaço sem permissão de seus proprietários legais; ou seja, é invasão de propriedade). 
 
A população que ocupa estes prédios caracteriza-se de pessoas sem renda fixa; oriundos de alguns países africanos, do nordeste do Brasil, e de famílias desfeitas. O saneamento básico é péssimo. Há pouca água, alguns apartamentos com apenas dois cômodos abrigam 7 ou 8 pessoas dentre as quais várias crianças e poucos idosos, pouca ventilação, forte cheiro de dejetos de animais e de humanos e cheiro de drogas pelos corredores.
 
A maioria das pessoas que moram neste local sabe de todos os cuidados necessários para prevenir o coronavírus informados pelas agentes de saúde (ACSs) ou pela televisão e líderes dessa comunidade. Elas têm aprendido os cuidados com os alimentos (como o uso de hipoclorito na higienização antes do consumo), lavagem de mãos (ironicamente de forma semelhante à dos centros cirúrgicos) com água e sabão (com álcool gel raramente), uso de máscaras (difícil de adquirir) e isolamento social (impossível de realizar).
 
A experiência estrangeira mostra que as medidas de isolamento social e a restrição de circulação da população sendo adotadas no início da epidemia funcionam. Mas o Brasil tem uma diferença crucial em relação a outros países: é uma das nações mais desiguais do mundo, em que 40% da economia é informal. Existe a possibilidade de dispor auxílio-emergencial em discussão no Ministério da Economia de R$ 600,00 (valor insuficiente) por 3 meses para os trabalhadores informais, autônomos e microempresa, e os brasileiros aguardam ainda outras medidas para proteger a economia e estas pessoas.
 
O Sistema Único de Saúde (SUS) é dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo tendo a participação do Ministério da Saúde (MS), dos Estados e dos municípios, conforme determina a Constituição Federal, para a gestão de ações e serviços de saúde para mais de 70% da população que depende exclusivamente deste sistema. A Covid-19 é considerada uma doença pandêmica pela Organização Mundial de Saúde (OMS), junto com a gripe espanhola, peste bubônica, varíola, tifo, cólera, tuberculose e HIV onde morreram muitas e muitas pessoas também. O Ministério da Saúde, conhecendo sua população planejou planos de contingência e medidas de resposta ativando o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE-COVID-19), em 22 de janeiro de 2020 coordenado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), com medidas de contenção, extensão de horário de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), construção de hospitais de campanha e abrigos em hotéis, antecipação de vacinas contra a gripe, informação de alterações epidemiológica periódica, fornecimento de testes para diagnósticos, admissão de profissionais de saúde e etc para atender grande número de pessoas infectadas ao mesmo tempo.
 
Outras tragédias naturais como furações, terremotos, rompimento das barragens, como aconteceu na cidade de Brumadinho, MG, e outras doenças como câncer em crianças, sequelas de “derrames”, perda de um amigo, todas têm algo em comum: causam sofrimentos que testam nossa fé e nossos aprendizados na igreja, e resultarão em mudanças comportamentais na saúde, na política, na economia, no comportamento, na religião e nas estruturas familiares. No Evangelho segundo Mateus vimos que ao olhar a multidão Jesus sentiu grande compaixão por ela, pois estava aflita e desamparada. Deus se importa com o que está acontecendo. Em Efésios, somos lembrados que todas as coisas são feitas de acordo com o plano e decisão Dele, o que traz alívio ao nosso coração. Além disso, Deus tem realizado sonhos de alguns profissionais (meu em especial) da área da saúde que com espírito missionário estamos sendo colocados em “campos” para superar barreiras sociais, econômicas, culturais, das emoções e da linguística para trazer conforto a essas pessoas. E nem nos mexemos do lugar, Ele as trouxe até nós porque Deus é amor.
 
• Marta Sato é médica em uma Assistência Médica Ambulatorial e Unidade Básica de Saúde Integrada (AMA/UBS) na cidade de São Paulo.
 
Referências
  • Coronavírus and Christ. By John Piper. Desiring God. https://www.desiringgod.org/
  • Em casas de um cômodo só em SP, isolamento é impraticável. Folha de São Paulo. 23 mar 2020.
  • Orientações para Favelas e Periferias #COVID19nasfavelas. GT de Saúde da População Negra da SBMFC de SP. 1ª Edição – 22 de março de 2020.
  • Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo Novo Coronavírus COVID19. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública /COE – COVID19. Ministério da Saúde. Brasília/DF*Fevereiro 2020.
  • Where Is God in a Pandemic? The honest answer is: We don’t know. But even non-Christians may find understanding in the life of Jesus. By James Martin Father Martin is a Jesuit priest and an author. The New York Times. March 22, 2020.  https://www.nytimes.com/

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