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Por Escrito

A mulher que implantou a Cristolândia

Por Soraia Machado

Meu nome é Soraia Machado, sou baiana, soteropolitana e amo missões.

Certo dia, lendo a Palavra de Deus, observei um texto que diz: “Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se vocês mesmos estivessem sendo maltratados” (Hb 13.3).

Fiquei muito impactada e entendi que poderia fazer um pouco mais para ajudar os encarcerados. Meu esposo e eu visitamos o presídio e começamos a trabalhar como missionários de Missões Nacionais em parceria com a Convenção Batista Baiana. Demos o nome de SOS Presídio (Socorro aos presidiários) ao trabalho de recuperação de presos e egressos que realizávamos e abrimos a primeira igreja dentro dos presídios. Lembro-me dos primeiros batismos e também da construção de um batistério no presídio de segurança máxima e ao qual demos o nome “tanque Betesda”. Criamos cursos de alfabetização, pintura, cabelereiro, fábrica de rodos e vassouras, fábrica de costura, horta comunitária, investimos no trabalho com as famílias dos presos e abrimos escola para os filhos deles. Nosso último projeto foi a casa do egresso e entendemos que servimos no campo baiano abençoando vidas para a glória de Deus.

Depois de catorze anos trabalhando nesse campo, fomos para a cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, em uma parceria entre a Junta de Missões Nacionais, a Convenção Capixaba e o governo do Estado. Neste trabalho, treinei, capacitei, inaugurei a Penitenciária Estadual Feminina e atuei como diretora geral do presídio. Meu esposo trabalhou como coordenador do sistema penitenciário do estado, abrimos a primeira Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) evangélica.

Na Penitenciária Estadual Feminina, conseguimos colocar uma extensão da fábrica de costura Blink Jeans, realizei cursos profissionalizantes e ensino escolar, visando a capacitação e profissionalização das internas. Deus muito nos abençoou.

>>> Como Anunciar o Evangelho Entre os Presos <<<

Depois de alguns anos, entendemos que já havíamos contribuído para o presídio e resolvemos pedir demissão. Fomos trabalhar na Primeira Igreja Batista em Mucuri. Estávamos felizes cooperando, reconstruindo o templo, trabalhando com três frentes missionárias. Meu marido era diretor do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), meu filho, Gerson, era funcionário público concursado concluindo o curso de direito, minha filha, Joana, havia concluindo o curso de enfermagem. Em nossa casa, havia um lindo jardim. Dormíamos ouvindo o som do mar de Mucuri, tínhamos um lindo cachorro chamado Scooby-Doo e eu me sentia realizada; exceto pelo sofrimento com a falta de saúde do meu pai, paciente renal crônico.

Foi então que recebi um telefonema do pastor Nilton, da Junta de Missões Nacionais, nos convidando para conhecer um grande desafio. Na ligação, ele compartilhou que o pastor Fernando Brandão, em conferência na Primeira Igreja Batista (PIB) de São Paulo, resolveu caminhar do hotel para Igreja, porém, se perdeu e foi parar na Cracolândia. Ficou muito triste ao ver tantas pessoas sofrendo e sentiu Deus falar ao seu coração: "Onde está a minha Igreja, em meio às trevas?". Naquela oportunidade desafiou a PIB de São Paulo se juntar a outras Igrejas e Missões Nacionais a fim de realizar um trabalho evangelístico na Cracolândia, e chamou esse projeto de Radical Brasil Cracolândia.

O projeto estava para começar, mas no último momento, as pessoas que o coordenariam desistiram e o pastor Nilton lembrou-se de nós. Eu disse ao pastor: “Já me aposentei, estou tomando conta dos filhos, dos netos e do meu cachorro. Posso ir sem compromisso”, e ele enviou as passagens.

Em São Paulo, o pastor Exéquias levou-nos para conhecer qual era o desafio. Depois de dezoito anos trabalhando na recuperação de presos e egressos, nunca vi algo igual: pais que andavam nas ruas com fotos procurando seus filhos, filhos que procuravam seus pais, netos que procuravam seus avós e avós que procuravam seus netos. Havia também jovens, adolescente, adultos, idosos e crianças de todas as faixas etárias. Cerca de sessenta ou setenta por cento dessas pessoas já frequentaram igrejas cristãs e passam a noite na Cracolândia, usando crack, chorando e cantando os cânticos das igrejas. Naquele dia, havia mais de mil pessoas usando crack. Fiquei perplexa com tudo que vi e ouvi. Lembro-me da fala do meu esposo: “Já estamos aposentados, o campo missionário é para quem tem vinte, trinta, quarenta anos e eu já estou com cinquenta e dois anos." Então eu também pensei: “Já contribuímos dezoito anos de nossas vidas no campo missionário trabalhando com presos e egressos, agora me aposentei, meu pai está doente, tenho filhos, netos e o meu cachorro... Não posso ir, Senhor, mande outra pessoa. Nossas igrejas estão cheias de pessoas capacitadas. Não posso ir, mande outro, Senhor.”

Voltamos para nossa cidade interiorana, repensando nossas vidas, e aquela visão do “vale de ossos secos” estava nítida, explícita em minha mente e no meu coração. Nunca mais fui a mesma. Minha oração agora era: “Senhor, tira essa visão da minha mente e esse sentimento de compaixão do meu coração”.

Certa madrugada, estava orando, pedindo ao bom Deus que tirasse aquela dor do meu peito e observei o texto da palavra de Deus em Lucas 14:26: "Se alguém deseja seguir-me e ama a seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até mesmo a própria vida mais do que a mim,não pode ser meu discípulo”.

Fique muito envergonhada, chorei muito e fiz essa oração: “Senhor estou pronta para ir, estou tão convicta do seu chamamento que não preciso de nada para fazer a sua obra, só preciso de um colchão para dormir e uma botija de água para matar minha sede”.

Pela manhã, no culto doméstico, falei à minha amada família: “Ninguém me pergunte nada, porque estou indo para a Cracolândia em São Paulo”. À noite, comuniquei a minha Igreja: “Estou indo para a Cracolândia, em São Paulo”. Nosso irmão, doutor Fábio, me abraçou e orou comigo. Na cidade, os comentários eram que a mulher do pastor da PIB de Mucuri ficara doida, vai largar marido, filhos, emprego e até o cachorro e para ir à Cracolândia de São Paulo resgatar vidas. Beto, da rádio local, foi me entrevistar.

Verdade é que eu não sabia o que faria ou como faria estava apenas pronta para obedecer e servir.

No dia dois de julho de 2009, saí da última cidade do extremo sul da Bahia, cidade com quarenta mil habitantes, para a metrópole São Paulo, sem conhecer nada nem ninguém. Apresentei-me à irmã Maria Helena (missionária) com uma única e pequena mala, com um grande sonho de resgatar vidas para a glória de Deus.

Fomos comissionados no dia seis de julho e agora coordenávamos uma turma de treze jovens de vários estados do Brasil no Projeto Radical Cracolândia. Minha oração era: “Senhor, desanuvia meus olhos para eu fazer uma leitura coerente de todas as estratégias que o Senhor há de revelar para resgatarmos vidas.”

Andávamos pelas ruas manhã, tarde, noite, e nas madrugadas eu andava sozinha (embora não fosse coerente colocar em risco a minha própria vida). Eu precisava fazer uma leitura coerente de todas as ações dos moradores de ruas, bem como fazer um diagnóstico do seu perfil.

Para a glória de Deus, no dia primeiro de agosto de 2009, resgatamos a primeira pessoa, a Geisa Brandão, da cidade de Aurelino Leal (BA), 22 anos, treze em situação de rua. Resgatamos o Jarbas, 16 anos nas ruas, a Cláudia, 20 anos nas ruas, e não paramos mais. Agora minha oração era: “Senhor, traga a minha família.” Cuidado com o que você ora a Deus.

Primeiro veio minha filha, Joana, que iniciou o trabalho com crianças em vulnerabilidade social, focando na prevenção. Hoje, o Projeto Novos Sonhos atende mais de quinhentas crianças na região da Cracolândia. Depois veio meu filho, Gerson, que largou tudo e começou a evangelizar nas ruas comigo. Ele tocava nos cultos na praça Júlio Prestes e, tempos depois criou o Coral da Cristolândia. Em dezembro de 2009, meu esposo veio unir-se a nós, e com a determinação de fazermos muito mais para a glória de Deus, no dia 27 de março de 2010 inauguramos a Missão Batista Cristolândia, um lugar de esperança.

>>> A oração de um dependente químico da Cracolândia <<<

Quando abrimos a Cristolândia no Rio de Janeiro, o pastor Diego Machado (meu filho) e Quesia, sua esposa, assumiram a coordenação. Quando o projeto começou a crescer, abrimos o primeiro Centro de Formação e vida Cristã. Já estávamos com as casas de acolhimento masculino funcionando e sempre pensávamos que poderíamos fazer muito mais.

Certo dia, ao ver uma mulher dar à luz, no chão das ruas, a uma criança sem o cérebro fiquei decepcionada e começamos a orar para abrir uma unidade para mulheres e no ano de 2011 abrimos a primeira unidade feminina, a Casa Rosa.

Hoje, o projeto Cristolândia é um programa de enfrentamento às drogas da Junta de Missões Nacionais; já escrevemos todo o manual operacional O projeto é uma ferramenta fantástica para resgatarmos vidas para a glória de Deus.

>>> Quando a mão curta do usuário de crack se encontra com a mão comprida e estendida de Deus, coisas fantásticas acontecem! <<<

Nosso sentimento enquanto Família Machado é que somos servos, prontos para servir humildemente, contribuindo na obra missionária.

Descobri que no reino de Deus não aposentamos. Agora estamos servindo à obra missionária no campo baiano, para a glória de Deus.

• Humberto e Soraia Machado
foram resgatados das drogas para a maravilhosa luz de Cristo. São casados há trinta e seis anos e têm três filhos: Diego Machado, casado com Quesia Machado, pais de Raquel e Debora Machado; Gerson Machado, casado com Elaine Machado, pais de Helena e Heloisa Machado; Joana Machado Rodrigues, casada com Lael Rodrigues, pais de Rebeca Machado e Jéssica Vitoria. Somos humildes servos colaboradores do reino. Todos os filhos de Humberto e Soraia são envolvidos na obra pastoral ou missionária.

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