Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Palavra do leitor

Se olhe, no espelho, se olhe: por que eu devo me perdoar!

"Não espere do perdão nenhum passe de mágica, mas sim uma releitura da sua vida".

A resposta de Jesus sobre quantas vezes deveríamos perdoar, causa-nos um desconforto e até uma indignação, por tantas atrocidades cometidas, por aí. De certo, como seres de vínculos humanos e de interdependência, estamos sujeitos a vivermos situações de ofensas, de insensibilidades, de abusos, de traições, de avassaladoras decepções e cortantes ingratidões. Agora, também não nos encontramos imunes de sermos protagonistas de tais atos, em desfavor de outros.

Logo, a intenção da presente reflexão ou bate papo, sem rodeios, sem sublimações, numa proposta de jogar as cartas da verdade, da nossa verdade, na mesa dos acontecimentos da vida, passa pela importância de nos perdoarmos, de nos darmos a oportunidade de uma releitura da nossa existência. Presumidamente, falo da questão de perdoar a si mesmo, de viver a libertação do passado de acusações, de punições, de culpas e condenações, de o superar e de amadurecer, de progredir, de resgatar sua importância e capacidade e ir adiante. Isso nos ajuda a desfrutar de uma paz interna, ou seja, de sermos inteiros, conosco mesmo, sem nos parecermos com pedaços e sobras daquilo que poderia ter sido e não foi, trazemos de volta a nossa importância ou amor próprio e continuarmos a redigir as narrativas de quem somos.

Ora, reconheço, não é fácil se perdoar, se refazer, reabrir as páginas daquilo que nos define, reconciliados e restaurados, principalmente, devido a uma formação de que muitas escolhas seriam certas e teriam um final feliz (um casamento, uma família, um ministério, uma paixão, um emprego, um sonho e sei lá mais o que), entretanto, de repente, tudo ruiu, tudo se desfez, tudo se foi, tudo acabou e apenas ficaram as marcas.

Não nos iludamos, temos uma profunda dificuldade de nos refazermos, de nos abrirmos para novas etapas, talvez, por causa da ilusão de que somos a causa de tudo ou temos controle sobre tudo ou não fomos bons, devotos, persistentes, resilientes o suficiente para evitar certas rupturas e isso acaba por ser uma violência, sem precedentes, em face de nós mesmos. Evidentemente, não venho, aqui, fechar os olhos para eventos desastrosos, em nossa vida, causados, por nós, não e não.

Em direção oposta, destaco pessoas vitimadas por episódios lamentáveis e não conseguem se refazer, como se não tivessem o direito de um recomeçar. Sem sombra de dúvida, permanecer escondido, atrás da porta do passado, alredor dos ecos de que fomos a causa e efeito, quando não, leva-nos a sermos prisioneiros do passado. As vezes, observo, como carregamos padrões ilusórios de que devemos sempre estar pronto para segurar as pontas e diante do fracasso, desaguamos num oceano escuro de vergonha e de não nos considerarmos merecedores de um novo começo, de um perdoar a si mesmo.

Vai além, nos escondemos e nos elegemos como figuras inúteis, sem condições de viver e conviver, com os outros. Adentramos na crença de que não merecemos mais nada, de que desonramos, de que somos a ovelha negra da família, de que não dei certo. Atentem-se para uma verdade: somos todos (eu, você e nós), sem distinção, seres humanos vulneráveis, frágeis, limitados, passageiros, falhos e que cometemos ofenas uns com os outros. Destarte, não aceitar o convite de se refazer, afasta-nos da bondade e nos lança num precípicio de rebaixamento e diminuição. Tristemente, insistimos na crença de que somos, em virtude pelo que fazemos e não pelo somos, pela honestidade que não estamos, a todo o momento, no ápice ou somos dez, em tudo, porque não somos. Não somos perfeitos, somos sujeitos a imperfeições e defeitos.

Dou mais uma pinçada, compreenda que você fez o melhor, mas não houve a resposta do outro lado. Pare de se remoer, você não voltará o tempo para trás, como disse, acima, tire lições e ensinamentos do ocorrido e permita se refazer, se perdoar. Então, por que devo me perdoar? Para se aceitar e se reconhecer a si mesmo, com suas rasuras e cicatrizes, e, ainda assim, poder dizer: "eu te amo, eu me importo, eu posso ser útil e benéfico, eu vou chorar, as vezes, ainda, eu vou perguntar se não poderia ter sido de outra forma, eu vou sentir fagulhas de raiva e, com tudo isso, posso caminhar em esperança, inteiro e reconciliado’’.
São Paulo - SP
Textos publicados: 127 [ver]

Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.