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Palavra do leitor

Pare de se punir: desabafe!

Texto de Jó 6: 01 a 03

Por qual motivo acreditamos ser as pessoas sofredoras, como se fossem destinadas a perdas, a aflições, a dissabores, a sofrimentos? De certo, até parece inata e condicionada, como uma humana tendência para ir a procuração de justificativas, de razões e de fundamentações voltados a conceder um sentido aos infortúnios, a qual atingem as pessoas e o resultado passa por levar a um estado de culpa, de ser portador de má sorte, de ser merecedor de tamanhas provações, de uma punição pelos pecados cometidos e sei lá mais o que. Outro efeito a ser visto, constitiui-se numa ampliação de que quem passa por um momento de desajuste, de desordem, de devastação, começa a ser invadido pela rejeição, pela ira, pela desolação e não consegue nem sequer observar pessoas ao seu redor para o ajudar. Parto dessas abordagens, em meio a um período de pandemia, encabeçado pela Covid-19 e suas variantes. Diga-se de passagem, período de estagnações e desesperanças sobre a humanidade.

Sem sombra de dúvida, dirijo-me, por meio da respectiva elucubração ou um desabafo saudável e útil, em favor dos atingidos por tão abalador momento. Presumidamente, trago a tona quem perdeu entes queridos, quem não perdeu, mas carrega os efeitos das sequelas nos atingidos ou em si mesmo. Aliás, não é de hoje, ouço muitas vozes de ser o declarado vírus uma maldição, uma punição, como se a mão de Deus estivesse dando uma lição, na humanidade. Nessa linha de raciocínio, também surge os mais variados discursos de justificativas, como "Deus o levou, porque tinha seus motivos ou era chegada sua hora" ou "quem somos nós para se opor aos intentos divinos". Devo dizer, embora possa ser interpretado como viesse para rebaixar ou diminuir ou relativizar ou desmerecer a Soberania de Deus, não tenho nenhuma intenção para tais especulações. Simplesmente, a partir do livro de Jó e o diálogo com seus ‘’amigos’’, credito e acredito, chegar a uma compreensão libertadora e transformadora. Anota-se, não há figura mais complexa, mais intricada, mais contraditória, mais controversa e mais fascinante, do que Jó, porque nos apresenta o por qual motivo de tantos eventos de hostilidades, de violências, de discrepâncias, de profundas marcas de deformação da vida. Os amigos de Jó, infelizmente, estavam mais ocupados em fazer defesas teológicas, em defender a Deus, quando questiona o por que Deus o submetia aquele estado, lá no fundo, não tinha a finalidade de adentrar num debate sobre a onipotência, a onisciência e a onipresença. Em direção oposta, reconheço como um desabafo da dor vivenciada, pelo dilacerar das perdas sofridas, pelo vazio em sua existência. De nada adiantava, por parte dos ‘’amigos de Jó’’, extraírem posições de que, porventura, merecia aquela situação, que não devia questionar a Deus, em nada, ao invés de não se esquivarem e reconhecerem o quão trágico era o evento. Quantas vezes, parece ser conveniente adotar o roteiro de que se alguém passa por um vendaval, com certeza, deve ser merecedor, de que não deve murmurar, de que deve ser destinado a passar por esse fardo. Deveras, Jó não precisava de justificativas e fundamentações sobre a desgraça, em sua vida, mas sim de atenção, de pessoas sensíveis a escutá-lo, de pessoas dispostas a chorar com os que choram, até a se indignar com tudo aquilo. Faz-se notar, estamos sujeitos a eventos desalentadores, em nossa caminhada, por aqui, e somos levados a acreditar na ideia de que tudo acontece, tanto por nossa causa ou por nós, e não é bem assim. Afinal de contas, não somos direcionados a dizer, lá no fundo: se eu tive essa perda tão séria e outros não, provavelmente, devo ser merecedor ou esteja sendo provado ou punido? Seja na morte, no divórcio, no desemprego, no distanciamento de amigos, seja no envelhecimento, seja na traição, seja na ingratidão e, em suma, seja em tantas e tantas questões. Qual o perigo de andar, por esse labirinto de que sou meredor, de que sou e fui o agente de tudo? O impacto destrutivo de uma culpa, de uma ira, de uma punição tão intensa, a qual tem lançado muitos na depressão, na perda da fé, na descrença de si mesmo, do próximo, do outro e da vida.

Eis a sutil contaminação de fazer com que os aflitos mergulhem na culpa e na condenação, com ênfase, diante dos conhecidos jargões – "se você tivesse agido de outra forma, se você tivesse orado, jejuado, buscado mais a Deus, não se afastado da comunhão, perseverado mais’’, isso não aconteceria. Por fim, não sei o por qual razão eu contraí a variante da Covid-19, ficando 15 dias, na UTI, com oitenta por cento do pulmão infectado pelo vírus e, mesmo assim, não consigo vislumbrar um Deus de bem me quer e mal me quer, de uma personalidade fragmentada, confusa, de escolhas insanas e covardes. É bem verdade, não irei agradar a muitos, aí, e, com todas essas colocações, enfoco as palavras de Jesus, do vinde a mim, os que estais cansados e oprimidos e eu permitirei que possam desabafar.
São Paulo - SP
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