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Palavra do leitor

Os diferentes na sexualidade - um comentário

Boa tarde a todos. Desejo me manifestar a propósito do artigo "Os Diferentes na Sexualidade" da colunista Fátima Fontes. Indo por partes, quero começar achando interessante sua proposta de conversar com os filhos acerca das formas atuais do comportamento sexual, embora o termo utilizado foi "ensinar" e não "conversar" como falei.

Em segundo lugar, em seu segundo parágrafo fala do desafio que têm esses pais e cuidadores por não terem lidado com essa "...atual multiformidade...da sexualidade humana.". A questão é: para quem essa atual multiformidade é antiga? Para ninguém! Ela é nova para todos inclusive para os que professam-na. É fato incontestável que os próprios proponentes dessa tal multiformidade estão perdidos, sem rumo, e que cada nova consequência de seus atos, buscam caminhos novos, na tentativa de sair de seus "lamaçais" ao mesmo tempo em que procuram justificar esses atos que não "deram certo". Para os "conservadores", expressão menos pejorativa pela qual somos chamados por eles, muito mais. Já temos dificuldades em concordar com mudanças sociais, ainda mais quando elas confrontam insolentemente as Escrituras Sagradas. Então prezados, isso é novo mesmo para a imensa maioria de nós!

Nada a reclamar do terceiro parágrafo, mas o quarto, quando ela diz sobre não se tratar de dizer para "rejeitar" os atuais padrões, achei que foi muito infeliz em usar essa palavra. Não sei, talvez ela quisesse usar outra, ou usar essa mesma mas tentando dizer outra coisa. O fato é que acredito que nós, cristãos, devemos sim, rejeitar os atuais padrões e formatos de relacionamentos, principalmente sabendo que tais formatos alteram o "plano original de Deus". E não adianta me dizer que é muito radicalismo de minha parte pois que também eu não vivo de acordo com o padrão original de Deus. Essa é a desculpa que todos os crentes têm usado para viverem uma vida de pecado e falar que ninguém pode lançar-lhes pedras porque todos têm pecado! Ora, sabemos sim que todos fomos atingidos pelo pecado e não há ninguém que viva socialmente sem as consequências dessa queda, mas isso não significa que não temos que manter e insistir em nossa posição aliada à Bíblia. O que nós precisamos fazer é conviver socialmente bem com qualquer que seja como sempre aconteceu. Esse discurso de "preconceitos" e "fobias" não é um discurso eclesiástico, é um discurso dos próprios proponentes dessas formatações distorcidas. Provocam-nos dizendo que somos "homofóbicos e fundamentalistas radicais" e tal, e nós nos acuamos ao ponto de nos fazerem pensar que nós é que somos os bandidos e eles os mocinhos. Como reação, começamos a discursar defensivamente como se, realmente, somos os errados. Agora todo mundo que fala sobre o assunto, sempre trata com certo receio de não ser ouvido, daí procurar um discurso mais ou menos politicamente correto. Então, o ponto é - não devemos tentar mudar ninguém de suas práticas, sejam elas quais forem, ao mesmo tempo em que devemos prosseguir com a pregação do Evangelho que inclui a propagação do plano original de Deus em todas as áreas, não só nesta. Ao mesmo tempo, já sabemos que essa própria proclamação também nos atinge e nos confronta. Então, como igreja, não admitimos nem em nós mesmos qualquer desvio desse plano original divino. Então a palavra certa não é "rejeitar" porque precisamos rejeitar tais práticas; a palavra seria "intolerância". Ou pode ser "rejeitar" sim, mas não as pessoas e sim seus atuais padrões e formatos de relacionamentos. Quem puder entender essa diferença, que entenda!

O próximo parágrafo, que é o sexto, foi muito bem articulado e certíssimo do ponto de vista bíblico, mas achei fora da ordem proposta. Me pareceu uma tentativa de quebrar um pouco o discurso politicamente correto. Me perdoe se eu me equivoco ao dizer isso! Sabe por que achei isso? Por causa da colocação do parágrafo sétimo em procurar aplicar os princípios da boa convivência, do respeito e da tolerância. Em primeiro lugar, as estatísticas sobre intolerância e desrespeito pedem a balança para o lado de lá e não de cá. Mas, claro, estão até redefinindo o que é intolerância. O ponto de vista dos que estão propondo essas formatações é que ninguém pode dizer um "a" contra sua visão liberal que já é tachado de intolerante. Em segundo lugar, e isso é uma consequência do primeiro ponto, é que nenhum de nós devemos nos esquecer de que o modo de vida cristão afronta, naturalmente, o "modus vivendis" mundano. Ninguém precisa se esforçar para ver isso. Jesus disse que Ele veio trazer a espada no lugar da paz. Está lá em Mt. 10. 34 e seguintes. Ele não está ordenando os discípulos se afastarem de ninguém, mas todo mundo sabe que quando se torna discípulo, o outro é que se afasta de nós. E dependendo, nos considera inimigos. A gente quer viver em paz com todos. Todos também desejam a paz, mas desde que ninguém insinue a não concordar com sua maneira de viver. Então, quando haverá paz? Nunca!
Belo Horizonte - MG
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