Palavra do leitor
17 de março de 2026- Visualizações: 661
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
O Oscar 2026 e o descanso cognitivo
No Oscar 2026, o prêmio anual da academia de cinema americana, uma premiação chamou a minha atenção: o prêmio de melhor ator concedido a Michael B. Jordan, por sua dupla e brilhante atuação no filme Pecadores.
O filme Pecadores (Sinners), dirigido por Ryan Coogler, se passa em 1932, no sul dos Estados Unidos, e acompanha dois irmãos gêmeos interpretados por Michael B. Jordan — Fumaça e Fuligem — que retornam à cidade natal para abrir um clube noturno cuja primeira noite é interrompida por criaturas sobrenaturais perigosas. Combinando terror, drama social e questões raciais, o longa recebeu 16 indicações ao Oscar e venceu 4 estatuetas.
Aqui no Brasil havia uma grande expectativa de que Wagner Moura, o talentoso ator brasileiro, viesse a ser premiado. Independentemente da polarização do País, é inegável que Moura tem capacidade e merecimento para eventualmente ser laureado com o prêmio máximo da Academia. Aliás, como brasileiros estamos ficando — entre aspas — mal acostumados com as regulares indicações brasileiras, o que não surpreende aqueles que conhecem o talento e a capacidade da indústria cultural brasileira.
Mas o que me chamou a atenção neste ano foi o discurso de agradecimento de Jordan. Resumidamente, ele fez três agradecimentos: aos atores negros que o antecederam e abriram o caminho da premiação máxima no cinema. Nenhuma grande problematização a respeito deste tema, apenas a menção de nomes e a profunda gratidão por seu legado. Isso me fez lembrar Pelé, que certa vez, quando questionado por um jornalista sobre por que não desenvolvia pautas da temática racial e da justiça social, sendo negro e famoso, simplesmente respondeu que estar onde estava, e relacionar-se com todos que o esporte e a fama global lhe permitiram, já seria a sua contribuição, uma vez que a sua presença já era o próprio discurso, representação e vitória.
Outro agradecimento foi a Deus e também a seus pais. Sobre a sua família, já na abertura ele diz: "Oi, mamãe… Todos vocês sabem como eu me sinto sobre minha mãe e meu pai. Papai, cadê você? Meu pai veio de Gana para estar aqui. Minha irmã e meu irmão também estão presentes, minha família."
O que considero especial no agradecimento de Jordan é a sua simplicidade, espontaneidade e leveza. Não vi um ator excessivamente preocupado em tornar sua premiação uma plataforma para discursos problematizados. Não vi a necessidade de causar comoção, engajamento ou recortes para usos outros que não o da finalidade de sua própria arte e da expressão pessoal de sua gratidão e felicidade.
O discurso demodê e simplista de Jordan, desprovido de intenções ativistas, fez um enorme bem àqueles que, como eu, desejam, às vezes, apenas ser gratos a Deus por sua bondade e favor (Vide Tiago 1.17); amados por suas famílias, que tanto batalharam por nossas vitórias; e agradecidos por sua comunidade: colegas de profissão, vizinhos e amigos. E, pasmem, simplesmente assistir a um bom filme.
Jordan, em sua falta de gravidade e criticismo social, e na sua inexistência de desejos lacradores, nos legou algo de que precisávamos de forma veemente: descanso cognitivo, assepsia mental, limpeza da poluição discursiva. Uma expressão singela de gratidão a Deus, valorização da família e valorização dos referenciais que nos antecederam, modelaram a cultura e nos mostraram o caminho.
Jordan, muito obrigado! Os pecadores, cognitivamente cansados, agradecem!
Manoel Gonçalves Delgado Júnior
Doutor em Ministério.
O filme Pecadores (Sinners), dirigido por Ryan Coogler, se passa em 1932, no sul dos Estados Unidos, e acompanha dois irmãos gêmeos interpretados por Michael B. Jordan — Fumaça e Fuligem — que retornam à cidade natal para abrir um clube noturno cuja primeira noite é interrompida por criaturas sobrenaturais perigosas. Combinando terror, drama social e questões raciais, o longa recebeu 16 indicações ao Oscar e venceu 4 estatuetas.
Aqui no Brasil havia uma grande expectativa de que Wagner Moura, o talentoso ator brasileiro, viesse a ser premiado. Independentemente da polarização do País, é inegável que Moura tem capacidade e merecimento para eventualmente ser laureado com o prêmio máximo da Academia. Aliás, como brasileiros estamos ficando — entre aspas — mal acostumados com as regulares indicações brasileiras, o que não surpreende aqueles que conhecem o talento e a capacidade da indústria cultural brasileira.
Mas o que me chamou a atenção neste ano foi o discurso de agradecimento de Jordan. Resumidamente, ele fez três agradecimentos: aos atores negros que o antecederam e abriram o caminho da premiação máxima no cinema. Nenhuma grande problematização a respeito deste tema, apenas a menção de nomes e a profunda gratidão por seu legado. Isso me fez lembrar Pelé, que certa vez, quando questionado por um jornalista sobre por que não desenvolvia pautas da temática racial e da justiça social, sendo negro e famoso, simplesmente respondeu que estar onde estava, e relacionar-se com todos que o esporte e a fama global lhe permitiram, já seria a sua contribuição, uma vez que a sua presença já era o próprio discurso, representação e vitória.
Outro agradecimento foi a Deus e também a seus pais. Sobre a sua família, já na abertura ele diz: "Oi, mamãe… Todos vocês sabem como eu me sinto sobre minha mãe e meu pai. Papai, cadê você? Meu pai veio de Gana para estar aqui. Minha irmã e meu irmão também estão presentes, minha família."
O que considero especial no agradecimento de Jordan é a sua simplicidade, espontaneidade e leveza. Não vi um ator excessivamente preocupado em tornar sua premiação uma plataforma para discursos problematizados. Não vi a necessidade de causar comoção, engajamento ou recortes para usos outros que não o da finalidade de sua própria arte e da expressão pessoal de sua gratidão e felicidade.
O discurso demodê e simplista de Jordan, desprovido de intenções ativistas, fez um enorme bem àqueles que, como eu, desejam, às vezes, apenas ser gratos a Deus por sua bondade e favor (Vide Tiago 1.17); amados por suas famílias, que tanto batalharam por nossas vitórias; e agradecidos por sua comunidade: colegas de profissão, vizinhos e amigos. E, pasmem, simplesmente assistir a um bom filme.
Jordan, em sua falta de gravidade e criticismo social, e na sua inexistência de desejos lacradores, nos legou algo de que precisávamos de forma veemente: descanso cognitivo, assepsia mental, limpeza da poluição discursiva. Uma expressão singela de gratidão a Deus, valorização da família e valorização dos referenciais que nos antecederam, modelaram a cultura e nos mostraram o caminho.
Jordan, muito obrigado! Os pecadores, cognitivamente cansados, agradecem!
Manoel Gonçalves Delgado Júnior
Doutor em Ministério.
Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
17 de março de 2026- Visualizações: 661
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.
Ultimato quer falar com você.
A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.
PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.

Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Revista Ultimato
- +lidos
- +comentados
- Inveja e Ciúmes – Comparações que Roubam a Alegria
- Capítulo Final
- A política segundo a Bíblia
- O método forense para se provar a ressurreição!
- A marginalização social permanece
- Artemis: mitos entre nós e a Lua
- Moscas mortas num frasco de perfume
- Vencendo a covardia nossa de cada dia!
- 900 aos 85, acolhido
- O evangelho de Cristo
(31)3611 8500
(31)99437 0043






