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Palavra do leitor

Experiências de um diácono numa igreja dividida

Algum irmão aí sabe como é viver numa igreja dividida? Estive numa. Sou diácono numa igreja que esteve assim. Não escrevo para nenhum sensacionalismo ou engrandecimento pessoal, mas para enfatizar o quanto devemos ser fortes e permanecermos firmes até o fim custe o que custar. Não citarei nomes e ou instituições. Mas os irmãos precisam saber o que acontece quando se perde o foco em Cristo.

Numa igreja dividida, a primeira sensação que nos ocorre é a paralisia. Parece que não podemos fazer nada enquanto tudo está acontecendo ao nosso redor. Tudo piora quando se confunde autoritarismo com autoridade, cargo com função, título com influência e pastor com chefe.

Estive numa igreja onde o pastor era o chefe, que detinha as chaves da igreja toda, que nomeava e desnomeava líderes (até mesmo os eleitos em ‘sessão’ para cargos administrativos, como vice-moderadoria), levava todos os assuntos para reuniões já decididos por ele, ficava emburrado e amaldiçoava os discordantes, se achava o detentor exclusivo da palavra divina, dentre outras coisas mais que só de citar dói o coração.

Uma vez, eu e uma outra diaconisa tivemos o dedo dele posto na nossa cara porque o corpo diaconal negou um segundo aumento salarial em menos de um ano ao pastor que já recebia 4 salários mínimos numa igreja de classe média baixa com 120 membros, comprometendo 33% das entradas mensais da igreja. Nessa altura, o reino já estava perdendo e a visão já estava turva e carnal há muito tempo.

Tive um pastor que tomava as ovelhas como bodes e punha o dedo na cara de seus liderados e os mandava calar a boca como se estivesse sendo interrogados. Pastor que se fazia dono de tudo nas dependências do imóvel. Parece que com suas atitudes dizia: eu sou o presidente, eu tenho a força, sou eu quem manda aqui, eu sou o super pastor. Mas tudo isso eram suas mais intimas fantasia postas em ação.

Pastor precisa ter ética para educar. Cuidar e dar carinho, afeto e amor. As ovelhas são como filhos que devem ser bem tratadas, pois esta é a designação deixada por Cristo. Ovelhas não podem receber chicotadas e golpes como se fossem um cavalo de arreio à disposição para levar a carroça pastoral e todos os seus para onde ele bem quiser.

Em meio a tudo isso, li num jornal cristão uma matéria sobre uma Igreja dividida. Através desta matéria me posicionei a orar pela nossa Igreja. No final da matéria o que chamou muito a minha atenção foi a palavra chave que sempre esteve em meu coração e que sempre fora o meu posicionamento: ‘haja o que houver nunca abandone a sua Igreja’. Mostrei para alguns irmãos, mas tal matéria passou por despercebido, pois naquele momento já estávamos em um clima monstruosamente terrível.

A única saída para tudo isso foi a união dos irmãos através de orações. Não tenho nada contra ao grupo dos doze, mas precisamos tomar muito cuidado com certas práticas que estão sendo aplicadas. Não só nas igrejas mais também nos retiros. Rituais como lava-pés, pacto de sal, etc.

Desculpe aos pastores de bem que tem as suas ovelhas como seus filhos na fé. Mas eu precisava desabafar aos irmãos e tirar esta carga que levo durante estes anos de ministério precário. Precisava abrir aos olhos de vocês que passam por este momento, pois tenho a certeza que ao ler este testemunho, vocês verão o quanto é maravilhoso o poder do Senhor.

Irmãos, uma Igreja dividida sempre nos possibilita um crescimento pessoal e espiritual, mas nunca tire o seu foco de Cristo, o nosso comandante. Temos que obedecer sua voz para saber o que Deus quer de melhor para nós. Como diz em Pv 11: 9 “O hipócrita com a boca destrói o seu próximo, mas os justos se libertam pelo conhecimento”.

Nunca abandone o seu barco. As ondas são comandadas pelo ajuntamento das águas, mas o leme é o Senhor quem conduz. A cruz não foi levada em vão, Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia por nós, não para aqueles que levam a cruz com rodinha que ficam nas costas de seus protegidos.

Hoje a igreja na qual congrego vive em paz. Há união e por todo o que aconteceu hoje somos mais família do que nunca. Nos confraternizamos sempre. Fiz e faço quantas vezes o for preciso para defender a causa de Cristo. Hoje não sigo homem nenhum, mas tenho em meu coração a bondade espiritual e a perseverarão que um dia Cristo voltara para buscar os seus aos quais se entregaram de amor pela causa.

Que a Graça e a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja e sempre estará com todos nos, pois uma ovelha perdida com Jesus vale mais que noventa e nove misturadas sem ele. Estou no aguardo de críticas.
Meriti - RJ
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