Palavra do leitor
30 de março de 2026- Visualizações: 35
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Entre o texto e a prática: estamos sendo coerentes com a Bíblia?
Durante um período da minha vida, atuei como trainee de pastor na IBL e liderei, com minha esposa, ministérios de homens e mulheres. Aconselhávamos casais e buscávamos ensinar uma vida alinhada às Escrituras. Foi nesse processo que surgiu um incômodo: quanto mais eu estudava, mais percebia o abismo entre o texto bíblico e as práticas da igreja atual, especialmente sobre família e relacionamentos. Este texto não nasce para confrontar pessoas, mas para levantar uma pergunta honesta: somos coerentes com o padrão que dizemos seguir?
O ponto de partida: Bíblia e pecado – Parto do pressuposto de que a Bíblia é e contém a Palavra de Deus, um "manual de instruções" para uma vida plena. Nesse contexto, pecado não é apenas um erro moral, mas um desvio do design original que rompe nossa conexão com o Criador. No entanto, o Novo Testamento deixa claro que nem todos os pecados possuem o mesmo peso ou consequência.
Pecados que excluem do Reino – O apóstolo Paulo afirma que certas práticas, como o adultério e a imoralidade sexual (porneia), são incompatíveis com o Reino de Deus quando vividas como um estilo de vida. Aqui, a consequência espiritual é grave e explícita. Jesus elevou esse padrão ao tratar do divórcio: Ele afirmou que quem se divorcia (fora de exceções específicas) e se casa novamente comete adultério. Ele ampliou o conceito, alcançando a forma como alianças são rompidas e reconstruídas fora do padrão da criação.
A poligamia: o ponto que evitamos aprofundar – Diferente do divórcio, a poligamia não é periférica na Bíblia; ela é recorrente e estruturada. Heróis da fé como Abraão, Jacó e Davi viveram nesse contexto. A Lei de Moisés não a proíbe, mas a regula, estabelecendo direitos e deveres. Isso demonstra que ela era uma realidade social reconhecida, não uma anomalia moral.
Essa prática não se restringiu ao Antigo Testamento. Comunidades judaicas a mantiveram por séculos após o surgimento do cristianismo, especialmente no Oriente Médio e Norte da África. No Estado de Israel moderno, uniões poligâmicas de imigrantes foram reconhecidas. No Novo Testamento, a exigência de Paulo para que o líder seja "marido de uma só mulher" (1 Tm 3:2) revela que a poligamia era uma realidade na igreja primitiva. Se fosse um pecado mortal, a restrição seria para todos os membros, não apenas para oficiais.
Embora Jesus reitere o ideal de "um homem e uma mulher", não há registro de condenação direta à poligamia, enquanto o adultério e a imoralidade são duramente atacados. A poligamia surge como um distanciamento do ideal, mas é tolerada e regulada, sem a carga de condenação explícita atribuída ao adultério.
A incoerência que evitamos discutir – Surge uma pergunta inevitável: se a Bíblia é severa com o adultério e a imoralidade, mas tolerante com a poligamia, por que a igreja inverteu essa lógica? Hoje, a poligamia é rejeitada de forma absoluta, enquanto o sexo pré-nupcial é relativizado, o divórcio é aceito e o novo casamento é normalizado. Não se trata de defender uma prática, mas de questionar o critério interpretativo.
Entre a teologia e a realidade – Talvez a resposta esteja na conveniência. A igreja lida com pessoas e casamentos quebrados; por isso, a prática pastoral acaba influenciando a interpretação para acomodar a realidade. Além disso, fomos moldados pelo mundo greco-romano, que consolidou a monogamia como padrão civil antes de ser doutrina. Ao longo dos séculos, a Igreja tornou-se Romana no Direito e Grega na Estética, priorizando a forma social e a aparência das estruturas, mas esquecendo-se de ser estritamente Bíblica na Aliança. Substituímos a profundidade do compromisso de "clã" pela conveniência do contrato individual.
O ponto central: o critério – Falta-nos rigor consistente na interpretação das Escrituras. Rejeitamos modelos tolerados na narrativa sagrada enquanto flexibilizamos condutas tratadas como incompatíveis com o Reino de Deus.
Nosso dilema é admitir que, na busca por aprovação social, nos distanciamos da Aliança. A Bíblia nos convoca a uma fidelidade que a modernidade não compreende, enquanto nossas ações apenas mimetizam o que o mundo estabeleceu como correto. O desafio da igreja não é lidar com o pecado na superfície, mas discernir se está disposta a se submeter ao texto mesmo quando ele confronta nossa cultura e estruturas internas.
No fim, a questão não é apenas "o que a Bíblia diz", mas: estamos dispostos a seguir esse ensino com coerência, ou apenas até o ponto em que ele deixa de nos incomodar?
O ponto de partida: Bíblia e pecado – Parto do pressuposto de que a Bíblia é e contém a Palavra de Deus, um "manual de instruções" para uma vida plena. Nesse contexto, pecado não é apenas um erro moral, mas um desvio do design original que rompe nossa conexão com o Criador. No entanto, o Novo Testamento deixa claro que nem todos os pecados possuem o mesmo peso ou consequência.
Pecados que excluem do Reino – O apóstolo Paulo afirma que certas práticas, como o adultério e a imoralidade sexual (porneia), são incompatíveis com o Reino de Deus quando vividas como um estilo de vida. Aqui, a consequência espiritual é grave e explícita. Jesus elevou esse padrão ao tratar do divórcio: Ele afirmou que quem se divorcia (fora de exceções específicas) e se casa novamente comete adultério. Ele ampliou o conceito, alcançando a forma como alianças são rompidas e reconstruídas fora do padrão da criação.
A poligamia: o ponto que evitamos aprofundar – Diferente do divórcio, a poligamia não é periférica na Bíblia; ela é recorrente e estruturada. Heróis da fé como Abraão, Jacó e Davi viveram nesse contexto. A Lei de Moisés não a proíbe, mas a regula, estabelecendo direitos e deveres. Isso demonstra que ela era uma realidade social reconhecida, não uma anomalia moral.
Essa prática não se restringiu ao Antigo Testamento. Comunidades judaicas a mantiveram por séculos após o surgimento do cristianismo, especialmente no Oriente Médio e Norte da África. No Estado de Israel moderno, uniões poligâmicas de imigrantes foram reconhecidas. No Novo Testamento, a exigência de Paulo para que o líder seja "marido de uma só mulher" (1 Tm 3:2) revela que a poligamia era uma realidade na igreja primitiva. Se fosse um pecado mortal, a restrição seria para todos os membros, não apenas para oficiais.
Embora Jesus reitere o ideal de "um homem e uma mulher", não há registro de condenação direta à poligamia, enquanto o adultério e a imoralidade são duramente atacados. A poligamia surge como um distanciamento do ideal, mas é tolerada e regulada, sem a carga de condenação explícita atribuída ao adultério.
A incoerência que evitamos discutir – Surge uma pergunta inevitável: se a Bíblia é severa com o adultério e a imoralidade, mas tolerante com a poligamia, por que a igreja inverteu essa lógica? Hoje, a poligamia é rejeitada de forma absoluta, enquanto o sexo pré-nupcial é relativizado, o divórcio é aceito e o novo casamento é normalizado. Não se trata de defender uma prática, mas de questionar o critério interpretativo.
Entre a teologia e a realidade – Talvez a resposta esteja na conveniência. A igreja lida com pessoas e casamentos quebrados; por isso, a prática pastoral acaba influenciando a interpretação para acomodar a realidade. Além disso, fomos moldados pelo mundo greco-romano, que consolidou a monogamia como padrão civil antes de ser doutrina. Ao longo dos séculos, a Igreja tornou-se Romana no Direito e Grega na Estética, priorizando a forma social e a aparência das estruturas, mas esquecendo-se de ser estritamente Bíblica na Aliança. Substituímos a profundidade do compromisso de "clã" pela conveniência do contrato individual.
O ponto central: o critério – Falta-nos rigor consistente na interpretação das Escrituras. Rejeitamos modelos tolerados na narrativa sagrada enquanto flexibilizamos condutas tratadas como incompatíveis com o Reino de Deus.
Nosso dilema é admitir que, na busca por aprovação social, nos distanciamos da Aliança. A Bíblia nos convoca a uma fidelidade que a modernidade não compreende, enquanto nossas ações apenas mimetizam o que o mundo estabeleceu como correto. O desafio da igreja não é lidar com o pecado na superfície, mas discernir se está disposta a se submeter ao texto mesmo quando ele confronta nossa cultura e estruturas internas.
No fim, a questão não é apenas "o que a Bíblia diz", mas: estamos dispostos a seguir esse ensino com coerência, ou apenas até o ponto em que ele deixa de nos incomodar?
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