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Palavra do leitor

A linguagem neutra de gênero e o imperativo militante

Defino imperativo militante como uma ação orquestrada por determinados grupos sociais, a fim de promoverem seus objetivos de maneira universalizante, ainda que se valham de pressupostos artificiais. É o caso, por exemplo, das pautas identitárias de gênero e dos movimentos sexuais, os quais desejam uma linguagem neutra nas escolas. Assim, aqueles que não se enquadram na silepse de gênero da língua portuguesa, optam por escolher uma linguagem neutra, a fim de abarcar as identidades fluídas dos movimentos identitários. Além do mais, os ideólogos do gênero acusam a língua portuguesa de ser machista e sexista dando a ela um cunho político que antes não se tinha, com o intuito de atribuir causa aos seus movimentos reivindicatórios, ou seja, uma politização da nossa língua materna.

Essa politização da língua portuguesa é feita de maneira consciente e se firma em pilares artificiais e ideologias pseudocientíficas. Mais ainda, é um projeto de expansão de uma cultura imperialista e universalizante que tem suas bases nas análises academicistas de gênero. Matos (2007) que é uma defensora dessa proposta propõe que o gênero seja pensado para além do seu aspecto teórico/analítico, haja vista que ele (o gênero) está "consolidado em áreas imprevisíveis tais como a física, a teologia, a economia, a educação física, o direito, a política, etc." O que se almeja é uma ciência militante feita por sujeitos ativos ou sujeitos agentes que pensam e transformam a realidade. Dentro dessa perspectiva, todos são chamados a abraçar a causa, a lutarem pelas suas ideias. Esta é uma aplicação clássica da corrente neomarxista, mas precisamente do pensamento de Gramsci cuja proposta é dominar através da cultura.

De acordo com o pensamento Gramsciano, a luta não deve ser travada no campo de batalha com o uso de armas e imposição da força física, mas de um modo sutil, quase que imperceptível, ou seja; no campo das ideias, politizando a cultura. Em seu livro, Os ataques contra a Igreja de Cristo, o pastor José Gonçalves (2022), ao explicar o projeto Gramsciano de poder, nos alerta que os teóricos neomarxistas se apoiam na ideia de Gramsci de dominação cultural. Essa dominação visa ressignificar a cultura por meio de novos conceitos e ideias. Nesse aspecto, a divulgação dos ideais neomarxistas conta com um exército numeroso de pessoas chamadas de intelectuais orgânicos. Tais intelectuais não estão reclusos na academia, mas em toda a parte da sociedade, seja nos partidos políticos, na mídia e até mesmo nas igrejas.

A língua faz parte de uma identidade cultural de um povo, de um processo de formação histórica de uma nação e é por meio dela que a proposta de uma linguagem neutra de gênero começa o seu projeto de dominação, haja vista que ela não é apenas um instrumento de comunicação entre os pares, é também instrumento de poder e dominação. Ela forma a identidade de um grupo, conta a história de um povo, embasa ideias políticas e cria argumentos ideológicos que podem subjugar pessoas. Como afirma Bakhtin (1997, p.36): a língua é o modo mais puro e sensível da relação social.

Coelho e Mesquita (2013) explicam que os conceitos de língua, cultura e identidade estão intrinsecamente ligados, pois a cultura se constitui e se difunde pela língua. Além do mais, é por meio da língua que os sujeitos constroem os processos de formação de suas identidades. Logo, podemos deduzir, desta afirmativa, que mudando-se a língua de um povo, muda-se também sua identidade. A língua é a base que dá sentido a toda vida social de um povo. É impensável vivermos em sociedade sem ela. De acordo com Bakhtin (1997), não há cultura sem língua, nem língua sem cultura. É importante destacar que o indivíduo não cria a língua. A língua é exterior a nós. O indivíduo apenas faz uso de uma linguagem na sua interação social e esta linguagem é codificada e compartilhada por todos. Além do mais, a ideia de uma linguagem neutra de gênero é impossível, pois não existe neutralidade nem na ciência, muito menos na língua. O próprio Bakhtin (1997) afirma isto de forma categórica: "a língua é um instrumento ideológico por excelência" (p. 36). Sendo assim; "Não há enunciados neutros, nem pode haver". O que temos é ideologia neomarxista que se vale de uma cosmovisão antibíblica e abrange toda a sociedade em seus mais diversos aspectos. Portanto, o imperativo militante da proposta da linguagem neutra de gênero subjaz o projeto de poder Gramsciano cujo objetivo é o de dominação cultural. Pretende-se, assim, promover uma elevação das classes minoritárias à condição de classe culturalmente dominante, por meio do conhecimento e de artifícios democráticos como justiça e igualdade social.

Diante do avanço desse projeto imperialista da linguagem neutra de gênero na sociedade brasileira, como cristãos, somos chamados a nos posicionar contra essa ideologia antibílica que reforça a cosmovisão ateísta daqueles que militam suas próprias causas.
Recife - PE
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