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Opinião

Liturgia: O Encontro do Passado no presente e no Futuro

Por Luiz Fernando dos Santos

“E vocês são herdeiros dos profetas e da aliança que Deus fez com os seus antepassados. Ele disse a Abraão: ‘Por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados” (At 3.25).

A Igreja é a comunidade da memória. Sua identidade e sua esperança se firmam em eras distantes, em sua história, nos feitos de Deus em seu passado. A Igreja se reúne entre outras coisas para celebrar sua caminhada com Deus e as intervenções, manifestações e revelações desse Deus ao longo do tempo. Quando a igreja ‘visita’ o Antigo Testamento e traz à memória os atos redentores do Senhor na vida de seus ‘irmãos mais velhos’, homens e mulheres que viveram seus dramas pessoais, familiares e comunitários há milênios, ela o faz como quem revira páginas de um grande álbum de família.

Quando a igreja ‘visita’ o Antigo Testamento e traz à memória os atos redentores do Senhor na vida de seus ‘irmãos mais velhos’, homens e mulheres que viveram seus dramas pessoais, familiares e comunitários há milênios, ela o faz como quem revira páginas de um grande álbum de família.

E como a igreja é descendente e herdeira dessa história, ela se identifica com cada episódio ali registrado. Ela se reconhece na tentação e na queda de seus primeiros pais, Adão e Eva. Ela se vê espelhada na tragédia de Abel e Caim. Vê-se socorrida em Noé, chamada e amparada em Abraão, sustentada em Jacó e libertada e conduzida em Moisés. A Igreja se reconhece como herdeira de uma terra prometida, mas que precisa ser conquistada na dependência e com o auxílio do seu Senhor. Reconhece em cada inimigo, adversário e barreira, às suas próprias dificuldades e limitações. Sente-se confortada, corrigida e guiada em esperança no brado dos profetas e no exemplo de seus heróis.

Fixando os olhos em cada “fotografia” desse álbum a igreja tem as respostas para as questões fundamentais de qualquer cosmovisão: Onde estamos? Quem somos? O que deu errado? Qual a solução? E aqui chegamos ao Novo Testamento. Checando as fotos mais antigas de nossos antepassados, logo nos localizamos.

Estamos no mundo saído das mãos criadoras e generosas de um Deus sábio, que embora perfeito em suas origens paradisíacas, hoje está enfermado e caído pelo pecado. Por isso, a realidade ao nosso redor traz tanta dor e tanto desconforto para o homem. Sabendo onde estamos, descobrimos quem somos: o povo escolhido graciosamente por Deus para participar de sua intimidade e comunhão. Povo da aliança que fracassou quando submetido ao teste da obediência. Isso foi o que deu errado, a entrada do pecado e da morte no mundo. Todavia, o que não mudou foi o fato de Deus ser gracioso e cheio de misericórdia. Ele mesmo proveu a solução. Cristo é a solução para a criação e para o homem. Chegamos à geração mais perto de nós, nossos parentes talvez mais conhecidos e que tenham maior afinidade e proximidade. Isso devido ao nosso irmão maior, Jesus.

Não somos só um povo como uma história abençoada. Somos antes de tudo, um povo para abençoar história de todas as famílias e nações da terra. É aqui que passado e presente se encontram. Quando nos reunimos para adoração, para a liturgia pública, estamos celebrando a nossa consciência de nossa identidade na missão. Ou seja, somos mais nós mesmos, quanto mais comprometidos em compartilhar as bênçãos e as riquezas de nossa herança e pertença à família de Deus no mundo.

No Novo Testamento a nossa identidade fica mais completa e nosso ‘Ethos’ se revela mais perfeitamente. Somos uma família que sabe contar a sua história, conhece o caminho que a trouxe até aqui e sabe também o propósito dessa caminhada. Chegamos até aqui para fazer parte do drama e não expectadores passivos dessa história. Assim como nossos ‘irmãos mais velhos’ do Antigo Testamento, nós desde o Novo Testamento, temos o nosso lugar e a nossa razão de ser. Não somos só um povo como uma história abençoada. Somos antes de tudo, um povo para abençoar história de todas as famílias e nações da terra. É aqui que passado e presente se encontram. Quando nos reunimos para adoração, para a liturgia pública, estamos celebrando a nossa consciência de nossa identidade na missão. Ou seja, somos mais nós mesmos, quanto mais comprometidos em compartilhar as bênçãos e as riquezas de nossa herança e pertença à família de Deus no mundo.

Na liturgia, a igreja faz memória adorante e agradecida de seu passado. Na liturgia, a igreja se identifica com o seu chamado e responde em amorosa obediência a tarefa de fazer discípulos de todas as nações. Ainda na liturgia, a igreja vislumbra a sua vocação mais alta e sublime, a realidade criada e a humanidade recapitulada e redimida em Cristo nos novos céus e na nova terra. Das primeiras fotografias do jardim, um tanto desbotadas devido ao pecado, às cores vivíssimas da Jerusalém celeste e da terra restaurada em graça, a igreja jubilosa anela por esse dia.

Por essa razão, o culto comunitário da igreja cristã deve ser saturado das Escrituras. Devemos cantar a memória dos salmos. Devemos recitar juntos em voz audível as promessas e narrativas do Antigo Testamento. É nosso dever assentar ao redor da mesa com Jesus e seus discípulos enquanto o ouvimos falar nas páginas do Novo Testamento. A celebração dominical é um grande encontro de família. Parentes distantes do nosso passado que só os conhecemos por suas histórias, parentes próximos com quem temos mais familiaridade e de quem gozamos mais intimidade e parentes quem nem ainda conhecemos, mas sabemos que já temos um encontro marcado na casa do Pai, todos ali presentes, em saudade, realidade e esperança. Até lá, estamos todos em missão.
É ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP) e professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul, de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITREF) e de História das Missões no Perspectivas Brasil.
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