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Opinião

As diferenças se respeitam à mesa

O coração palpita, a boca resseca, as mãos frias e suadas não encontram seu lugar. Irrompe o pavor diante da perspectiva de se encontrar com aquele parente (ou vários deles) no almoço de Natal ou naquela reunião de fim de ano. Como conseguir evitar aqueles assuntos de política que inevitavelmente levarão a exaltação, a palavras ríspidas, a julgamentos sobre o caráter e as motivações alheias?

Será que vale a pena entrar em árduas discussões com amigos próximos ou com a família nesses encontros de fim de ano? Parto da premissa, muitas vezes esquecida, outras tantas diminuída, de que as relações próximas, família e amigos de longa data, são mais importantes do que projetos ou líderes políticos que vêm e que passam. Talvez você diria que o mais importante são os valores, as ideias, a integridade que se expressa em uma causa que você abraça e defende. Ainda assim não deixo de me perguntar qual seria a melhor maneira de promover uma causa em determinados contextos e em espaços de intimidade.

Claro que se não há parentesco, nem amizade ou tampouco afeto, mas tão só a fria e distante relação das teclas e telas onde nos encastelamos detrás de nossos perfis nas redes sociais, então talvez as sugestões abaixo pouco nos sejam de proveito. Mas daí já não havia mesmo uma relação verdadeira com a qual se preocupar. Com essa ressalva, compartilho aqui breves sugestões.

Antes, porém, reconhecer uma importante premissa. Considerar que a mesa, com pessoas queridas, não é o lugar para se “ganhar uma discussão”. Você pode ter todas as suas razões, assim espero, porque você acredita nelas, vive por elas. Mas talvez sua perspectiva esteja a anos luz daquela de sua avó, ou da sua sobrinha, ou ainda do seu primo que há tempo não vê, mas por quem você talvez nutra um grande carinho. Algo que busco seguir nessas ocasiões inclui:

- Saber escolher as batalhas. Nem todos terão o bom senso e a serenidade que, espero, você buscará ter (se você está lendo esse texto, assumo que essa seja a sua intenção). Se a sua avó, cansada após preparar tanta comida, soou injusta ou desinformada naquele tema que lhe é tão caro, será mesmo que vale a pena esparramar o molho da macarronada para “vencer” um argumento? Há momentos e espaços onde vale a pena, de verdade, lutar por algo. Em outros não, e o mundo não acabará por causa disso.

- Faça perguntas, busque escutar os outros. Assumo que você queira de verdade sempre aprender dos outros e que não julgue já saber toda a verdade. Mesmo que não seja esse o caso, imagino que possa ser interessante buscar entender melhor como funcionam os argumentos e perspectivas, por vezes bem diferentes dos seus. Sugiro não ficar só querendo ver as falhas ou incoerências do “outro lado”. Boas perguntas, sinceras, respeitosas e inteligentes, são úteis, sempre que com a verdadeira intenção de ouvir o outro.

- Saiba retroceder. Não digo isso com relação aos seus ideais e valores. Fidelidade, integridade, coerência, são sempre bem-vindas. Aqui a sugestão é para quando uma situação de conflito (lembre-se, as recomendações são para situações com pessoas queridas) escala ao estresse das vozes exaltadas e dos comentários agressivos. Posso até achar que tenho a razão, mas a perco no momento em que entro em embates que insultam, diminuem e agridem o outro.

- Levante objeções, mas saiba resguardar sua privacidade. Imaginando o melhor dos mundos, onde as conversas são levadas com um mínimo de civilidade, recomendo que mesmo assim você não se exponha muito em um ambiente íntimo onde haja muitas diferenças. Você pode levantar outros aspectos, talvez na forma das perguntas que levem a considerar outros enfoques, mas possivelmente seja bom você evitar levar as diferenças para um campo estritamente pessoal, tomando-as como ofensas. Não preciso abrir todos os detalhes de minhas posições íntimas com todas as pessoas de meu convívio. Obviamente não devo ser falso (o que seria condenável), mas posso ser prudente e cuidadoso, o que é bem diferente.

- Evite a ironia e a acidez. Talvez a parte mais difícil para mim. No meu caso, sei que preciso sempre me cuidar com o que eu falo. Desde criança, a ironia e as palavras tão rápidas como ácidas foram as armas que um garoto franzino aprendeu a usar desde cedo. Palavras ferem muito, e lastimam ainda mais quando fingimos que nunca tivemos a intenção de usá-las como armas. Se eu desejo que me respeitem, devo sempre ser o primeiro a respeitar a pessoa por detrás daquelas ideias que me incomodam.

Nesse fim de ano, use de maneira diferente aquelas mãos assustadas que não sabem bem o que fazer. Levante-as para alcançar o outro com um toque de acolhida e de afeto, no abraço que estende uma ponte para esse que pensa tão diferente de você. Se isso não servir para mudar como o outro pensa, que ao menos sirva para semear o respeito que poderá fazer alguém repensar os seus conceitos, ou talvez levando a que o outro defenda o teu direito de ter uma voz e uma luta bem diversa daquela em que ele mesmo acredita.

Bom Natal e um ano novo com esperança! Todos precisamos disso.

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Foto: Brook Lark/Unsplash.com.

É casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo (SP), e serve como secretário regional associado para a América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE-IFES)
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