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Opinião

Presépio: o que sobrou do Natal

Um dos poucos símbolos explicitamente cristãos que ainda sobraram na cultura popular quando se pensa em Natal é o presépio. A representação da cena natalina é encontrada em muitas casas e, mesmo com a tradicional rejeição protestante do uso de imagens (pelo menos na tradição brasileira), não são poucos os que decoram suas casas com a conhecida representação da cena: José e Maria olhando o recém-nascido Jesus na manjedoura, cercados de animais e dos magos do oriente e às vezes de pastores. Isto tudo dentro do estábulo, local de criação dos animais, já que “não havia lugar na hospedaria”.

Acontece que, com o melhor conhecimento que se adquiriu da vida e dos costumes na época de Jesus, tornou-se claro que a cena do Presépio é um tanto distorcida do que realmente deve ter acontecido, segundo, principalmente, estudos do conhecido autor Kenneth Bailey. Vejamos o porquê:

A ideia que tradicionalmente se tem é que José e Maria, chegando a Belém, não encontraram hospedagem, pois todas as hospedarias estavam lotadas, afinal de contas, muitos foram para a cidade por causa do recenseamento. Por causa disto, eles acabaram indo parar num estábulo, onde Maria deu à luz Jesus, colocando-o na manjedoura, quase que pedindo licença aos animais ali presentes. Mas o único verso bíblico que menciona isto é Lucas 2:6-7: “Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.”

Entretanto, o termo original para “estalagem” (o grego kataluma) é muito mais usado para um quarto de hóspedes de uma casa do que algo parecido com um hotel. É o mesmo termo usado por Lucas e Marcos para descrever o aposento (kataluma) onde Jesus celebrou a última Páscoa com seus discípulos (Mc 14:14 e Lc 22:11). Avanços na arqueologia têm mostrado qual era a constituição básica das casas da época, indicando duas coisas comuns: a presença da “kataluma”, este aposento usado para receber visitas mais “ilustres”, e o fato de os animais terem um aposento próprio, na entrada da casa, onde eles passavam a noite protegidos de ladrões e predadores.

O que provavelmente aconteceu naquela noite, então? O relato de Lucas não é suficientemente detalhado, mas Kenneth Bailey, com suas pesquisas e conhecimento da cultura palestina, nos dá boas pistas.

- José, como descendente de Davi e filho da cidade, nunca seria desprezado como visitante. Numa cultura onde a hospedagem era algo de grande honra, deixar alguém da família, principalmente com uma mulher grávida, hospedando-se em um estábulo seria uma desonra para toda a cidade.

- Lc 2:6 sugere que eles já estavam em Belém há algum tempo quando Maria entrou em trabalho de parto, muito provavelmente na casa de algum familiar de José. Eles não haviam recém-chegado à cidade e nem estavam batendo de porta em porta nas estalagens, procurando vaga.

- A parte da entrada da casa (interna à mesma) era onde ficavam os animais, mas as manjedouras comumente ficavam na divisa com o aposento um pouco mais interno, o equivalente à sala de uma casa moderna. Assim, quando Maria teve seu filho, provavelmente nesta “sala”, logo limparam uma manjedoura para que o infante Jesus fosse nela colocado.

- A frase “porque não havia lugar para eles na estalagem” poderia ser mais bem traduzida como “porque não havia lugar para eles no quarto de hóspedes” (por isso ela ganhou o menino na sala).

Por fim, o fato de Jesus ter sido envolto em panos e colocado na manjedoura, próximo de onde ficava o animal que com um ano de vida seria levado ao sacrifício no Templo, é provavelmente o “sinal” que o anjo disse que os pastores veriam ao encontrar o menino (Lc 2:10). E este, sim, é o grande acontecimento. A cena de Natal não é importante nem bonita porque tem bichinhos circundando a família de Jesus num estábulo, todos com caras lânguidas. Ela é fantástica porque nela já vemos, muito antes das palavras de João Batista, o nascimento do “cordeiro que tira o pecado do mundo”, nascido para morrer para que tivéssemos vida. Isto, sim, é a grande mensagem do Natal.

• Luis Fernando Nacif Rocha é Pastor auxiliar na Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. É mestre em Teologia Bíblica do NT pelo Alliance Theological Seminary, EUA, e atua na área de missões, pequenos grupos e ensino.

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