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Opinião

Quando as boas novas encontram nossas incoerências

Deus não espera uma fé perfeita para se revelar, ele vem ao encontro de pessoas reais

Por Phelipe Reis

Zacarias era sacerdote, homem religioso, conhecedor das liturgias e dos ritos que buscavam estabelecer uma conexão com Deus. Por que, então, ele se surpreende quando um anjo lhe aparece?

Zacarias orava por um filho. Foi o anjo quem disse: “Deus ouviu sua oração…”. Por que, então, aquele que pede duvida justamente na hora em que Deus lhe responde?

Maria, dentre muitas mulheres, é escolhida para uma bendita missão. Deus a escolhe para abrigar em seu ventre o Salvador do mundo. Por que, então, Maria sente medo diante do anjo que lhe entrega tão grande boa nova?

A surpresa e a incredulidade de Zacarias, bem como o medo de Maria diante do anjo, são emoções e sentimentos que parecem não combinar com as notícias que ambos receberam. À primeira vista, soam deslocados, quase paradoxais.

Sou levado a Lamentações, capítulo três. Jeremias fala de seu sofrimento, de sua aflição, de sua amargura, de orações que parecem não encontrar resposta, do sentimento de abandono e de como se tornou alvo de zombaria. De repente, o profeta irrompe com palavras de esperança, falando do grande amor do Senhor, de suas misericórdias inesgotáveis, da fidelidade que se renova a cada manhã, da bondade do Senhor para com os que o buscam e nele esperam, e faz um questionamento: “Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bênçãos? Como pode um homem reclamar quando é punido por seus pecados?”. Logo em seguida, Jeremias retorna ao lamento, às ruínas e à destruição, à tristeza, ao choro e ao clamor.

Jeremias não me parece incoerente, mas um profeta atravessado por emoções em tensão, no qual lamento e esperança convivem no mesmo coração e na mesma oração.

Mas por que me surpreendo com reações tão comuns em Zacarias, Maria e Jeremias? Eu deveria esperar posturas diferentes de seres humanos finitos, limitados e imperfeitos?

A incredulidade de Zacarias, o medo de Maria e as declarações paradoxais de Jeremias também habitam em mim em diferentes momentos da vida. Ora sou incrédulo, ora tenho medo, ora digo uma coisa e depois afirmo outra diferente. Se fizermos uma autoanálise honesta, perceberemos que todos nós carregamos, em muitos momentos, essa tensão entre fé e fragilidade.

Mas a boa notícia do evangelho, na pessoa de Jesus, é mais que suficiente para nos salvar de nossa incredulidade, de nossos medos e de nossas incoerências. Deus não espera uma fé perfeita para se revelar, ele vem ao encontro de pessoas reais.

O evangelho de Jesus nos adverte que, muitas vezes, gastamos muito tempo e dedicação buscando as melhores formulações teológicas e as melhores liturgias, tentando manter distante qualquer resquício de dúvida ou temor, como se pudéssemos nos despir de marcas essencialmente humanas. Quando, na verdade, Jesus vem ao nosso encontro exatamente como somos, incrédulos, medrosos e frágeis.

Lembremo-nos, hoje e sempre, das palavras de Gabriel a Zacarias e a Maria: “Não tenha medo! Alegre-se. O Senhor está com você!”. E exortemo-nos a nós mesmos, como fez Jeremias: “Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor, portanto nele porei a minha esperança. O Senhor é bom para com aqueles cuja esperança está nele, para com aqueles que o buscam. É bom esperar tranquilamente pela salvação do Senhor.”

Imagem: Pixabay.


REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”
Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.

Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.

É disso que trata a
edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Pessoas: Humanas e Divinas - Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» O Caminho do Coração - Meditações diárias, Ricardo Barbosa
É natural do Amazonas, casado com Luíze e pai da Elis e do Joaquim. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM). É missionário e colaborador do Portal Ultimato.
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