Opinião
10 de março de 2026- Visualizações: 1483
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Como ser generoso quando você depende da generosidade de outros?
Nosso chamado à generosidade vem antes do nosso chamado a receber
Por Jason Gardner, Via Brasil
Minha família levanta sustento pessoal e ministerial há mais de vinte anos. Como a maioria dos missionários, vivemos períodos de abundância e períodos de incertezas.
Viver de sustento traz uma tensão que todo obreiro cristão acaba enfrentando e um questionamento substancial: Como podemos ser generosos quando dependemos da generosidade de outros?
Gênesis 12.1-3 expressa isso de forma belíssima. Desde o início, as Escrituras apresentam a generosidade como uma resposta à graça de Deus. Deus abençoa o seu povo para que, por meio dele, possa alcançar outros e isso se deu muito antes de surgirem perguntas sobre renda, salário ou sustento.
Quanto mais compreendemos a missão de Deus e as necessidades do reino, mais profundo deve ser o nosso compromisso com a generosidade.
Generosidade não é definida pela renda ou pela fonte
O Antigo Testamento nos oferece uma imagem esclarecedora por meio dos levitas, a tribo sacerdotal de Israel. Por terem sido separados para o ministério e não receberem herança de terra, Deus proveu para eles por meio dos dízimos das outras onze tribos de Israel (Nm 18.21). A generosidade de outros lhes permitia dedicar-se plenamente ao serviço que Deus lhes havia confiado.
Ainda assim, o fato de serem recebedores não os isentava da generosidade. Em Números 18.26, os levitas são instruídos a entregar o dízimo daquilo que eles próprios recebiam, o chamado “dízimo do dízimo”. Mesmo vivendo das ofertas de outros, continuavam sendo chamados a dar. O princípio é enfático: receber sustento e viver com generosidade não são opostos. A fonte da nossa renda não muda o chamado de Deus.

Como missionários, desejamos ver outras pessoas crescerem em generosidade. Mas é justo fazermos uma pergunta mais difícil: “Nós mesmos estamos dispostos a praticar a generosidade?”.
No livro A Presença de Deus em Seu Levantamento de Sustento (Via Brasil), Scott Morton propõe um exercício útil de autoavaliação. Ele nos encoraja a “reservar um momento para calcular com precisão quanto você contribuiu para a obra do Senhor no último ano. Depois, calcule isso como uma porcentagem da sua renda. Compare com anos anteriores. Sua generosidade está acompanhando a sua renda?”.
Se a ideia de aumentar o valor de suas contribuições desperta medo ou ansiedade, volte às Escrituras. Releia o que Deus diz sobre provisão, chamado e valor. Muitas vezes, nossa dificuldade não é falta de recursos, mas a falta de confiança. Será que confiamos que Deus proverá ou que somos dignos de receber aquilo que Ele provê por meio de outros? O livro O Pedido de Deus, de Steve Shadrach (Via Brasil), oferece estudos bíblicos e reflexões que ajudam a fortalecer nossa confiança e a renovar uma vida marcada pela generosidade.
Vale a pena considerar para que Deus pode estar despertando em seu coração: será que existem pessoas, lugares ou necessidades que você gostaria de ver impactados pelo Evangelho? Podemos participar da obra de Deus para além dos limites do nosso próprio ministério.
Por fim, uma das maiores motivações para a generosidade é a alegria. As Escrituras nos lembram que Deus ama quem dá com alegria, não quem dá movido por culpa ou medo. Há uma alegria profunda em contribuir, em participar daquilo que Deus está fazendo por meio do trabalho de outros, e em saber que nossa generosidade faz parte de uma história muito maior do que a nossa. Que sejamos um povo que dá por gratidão, confiança e alegria no Deus que tão generosamente nos abençoa.
Texto escrito com a colaboração de Natália de Morais, nataliathaysdemorais@gmail.com.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418 de Ultimato. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»Por que estamos doando menos?, por Cassiano Luz
»O Discípulo Radical, John Stott
»O Propósito de Deus e a Nossa Vocação, Timóteo Carriker
»Estudo bíblico “Generosidade ou avareza?”
Por Jason Gardner, Via Brasil
Minha família levanta sustento pessoal e ministerial há mais de vinte anos. Como a maioria dos missionários, vivemos períodos de abundância e períodos de incertezas.Ao longo de todos esses altos e baixos, uma coisa permanece constante: nosso compromisso com a generosidade. É uma dádiva poder participar, ainda que de forma pequena, daquilo que Deus está fazendo por meio de vários ministérios. Na verdade, uma das principais motivações da minha esposa para levantar mais sustento não é conforto ou segurança, mas o desejo de ser ainda mais generosa.
Viver de sustento traz uma tensão que todo obreiro cristão acaba enfrentando e um questionamento substancial: Como podemos ser generosos quando dependemos da generosidade de outros?
Nosso chamado à generosidade vem antes do nosso chamado a receber
Muito antes de qualquer um de nós ser chamado para o ministério ou se tornar beneficiário da generosidade de outros, fomos chamados a seguir Jesus. Antes de sermos recebedores, fomos chamados a ser doadores. Como seguidores de Cristo, somos instruídos a contribuir para o reino de Deus e a abençoar outras pessoas.
Gênesis 12.1-3 expressa isso de forma belíssima. Desde o início, as Escrituras apresentam a generosidade como uma resposta à graça de Deus. Deus abençoa o seu povo para que, por meio dele, possa alcançar outros e isso se deu muito antes de surgirem perguntas sobre renda, salário ou sustento.
Quanto mais compreendemos a missão de Deus e as necessidades do reino, mais profundo deve ser o nosso compromisso com a generosidade.
Generosidade não é definida pela renda ou pela fonte
O Antigo Testamento nos oferece uma imagem esclarecedora por meio dos levitas, a tribo sacerdotal de Israel. Por terem sido separados para o ministério e não receberem herança de terra, Deus proveu para eles por meio dos dízimos das outras onze tribos de Israel (Nm 18.21). A generosidade de outros lhes permitia dedicar-se plenamente ao serviço que Deus lhes havia confiado.
Ainda assim, o fato de serem recebedores não os isentava da generosidade. Em Números 18.26, os levitas são instruídos a entregar o dízimo daquilo que eles próprios recebiam, o chamado “dízimo do dízimo”. Mesmo vivendo das ofertas de outros, continuavam sendo chamados a dar. O princípio é enfático: receber sustento e viver com generosidade não são opostos. A fonte da nossa renda não muda o chamado de Deus.

Quão generoso você é?
Tudo isso nos leva a uma pergunta simples, porém importante: “Quão generoso você é?”. Vale a pena parar e examinar com honestidade a nossa própria vida.
Como missionários, desejamos ver outras pessoas crescerem em generosidade. Mas é justo fazermos uma pergunta mais difícil: “Nós mesmos estamos dispostos a praticar a generosidade?”.
No livro A Presença de Deus em Seu Levantamento de Sustento (Via Brasil), Scott Morton propõe um exercício útil de autoavaliação. Ele nos encoraja a “reservar um momento para calcular com precisão quanto você contribuiu para a obra do Senhor no último ano. Depois, calcule isso como uma porcentagem da sua renda. Compare com anos anteriores. Sua generosidade está acompanhando a sua renda?”.
Se a ideia de aumentar o valor de suas contribuições desperta medo ou ansiedade, volte às Escrituras. Releia o que Deus diz sobre provisão, chamado e valor. Muitas vezes, nossa dificuldade não é falta de recursos, mas a falta de confiança. Será que confiamos que Deus proverá ou que somos dignos de receber aquilo que Ele provê por meio de outros? O livro O Pedido de Deus, de Steve Shadrach (Via Brasil), oferece estudos bíblicos e reflexões que ajudam a fortalecer nossa confiança e a renovar uma vida marcada pela generosidade.
Vale a pena considerar para que Deus pode estar despertando em seu coração: será que existem pessoas, lugares ou necessidades que você gostaria de ver impactados pelo Evangelho? Podemos participar da obra de Deus para além dos limites do nosso próprio ministério.
Por fim, uma das maiores motivações para a generosidade é a alegria. As Escrituras nos lembram que Deus ama quem dá com alegria, não quem dá movido por culpa ou medo. Há uma alegria profunda em contribuir, em participar daquilo que Deus está fazendo por meio do trabalho de outros, e em saber que nossa generosidade faz parte de uma história muito maior do que a nossa. Que sejamos um povo que dá por gratidão, confiança e alegria no Deus que tão generosamente nos abençoa.
Texto escrito com a colaboração de Natália de Morais, nataliathaysdemorais@gmail.com.
- Jason Gardner, norte-americano, é mobilizador há 25 anos, servindo tanto no Brasil quanto no Sudeste Asiático. Atualmente, ele é diretor nacional da Via Brasil, uma organização multinacional de mobilização missionária presente em mais de 35 países. A missão da Via: Alcançar as nações através das nações.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418 de Ultimato. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»Por que estamos doando menos?, por Cassiano Luz
»O Discípulo Radical, John Stott
»O Propósito de Deus e a Nossa Vocação, Timóteo Carriker
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