Opinião
28 de maio de 2026- Visualizações: 114
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A ceia de todas as tribos: arte, missão e a Palavra traduzida
The last supper with twelve tribes celebra a diversidade e a dignidade de cada cultura diante de Deus
Por Paulo Teixeira
Sentar-se diante da obra The last supper with twelve tribes (A última ceia com doze tribos) é uma experiência que ultrapassa a estética. É um encontro com a própria visão do Reino de Deus. Tive o privilégio de conhecer pessoalmente este quadro de Hyatt Moore, um artista e missionário cuja trajetória está intrinsecamente ligada à Wycliffe Bible Translators (WTB, Tradutores Bíblicos de Wycliffe), organização em que Moore serviu por 32 anos, e da qual, por 5 anos, foi presidente.
Pintada no ano 2000, segundo o próprio artista, a obra foi criada para celebrar a "inclusão de todos os povos sob Deus". Com impressionantes 6 metros de largura por 1 metro e 37 centímetros de altura, esta pintura a óleo sobre tela (com subpintura em acrílico) foi executada praticamente em tamanho real, criando uma experiência imersiva que nos transporta para o centro de uma mesa eucarística global.
A composição é uma releitura missiológica da obra clássica de Leonardo da Vinci, L´Ultima Cena (A última ceia), pintada na Itália por volta de 1496. Hyatt Moore inova rompendo com o eurocentrismo ao substituir os apóstolos tradicionais por representantes de doze povos distintos dos quatro cantos do mundo. Da esquerda para a direita, vemos: um representante do povo Crow (Estados Unidos), um Bérbere (Norte da África), um Masai (Quênia), e representantes de etnias da China, do Equador e do Afeganistão. No centro, Cristo permanece como o ponto de convergência, seguido por um Etíope, um Tzeltal (México), um indígena da etnia Canela (Brasil), e indivíduos de Papua-Nova Guiné, do povo Salish (Canadá) e da Mongólia.
Do Cenáculo ao mundo: A missão da mesa
A teologia da obra mergulha nas raízes da Palavra de Deus. Na primeira Santa Ceia, conforme registrado nos Evangelhos e em 1 Coríntios 11, Jesus estabelece o memorial de sua entrega. Aquele pão partido no cenáculo não ficaria restrito àquele momento e nem àquele grupo, mas servia de prelúdio da Nova Aliança para muitos, numa celebração do perdão e da vida a ser repetida e relembrada perpetuamente até o fim dos tempos.
Aquela mesa se expande por meio da Grande Comissão (Mt 28.19-20). Como Moore explica, Cristo está no centro de todos os povos e não está restrito a uma cultura ocidental ou do norte global. O movimento de tradução da Bíblia é o braço mais estendido dessa encarnação cultural: é o que permite que cada povo ouça, em sua própria língua materna, o convite de Cristo para a Ceia.
Antropologia e a ceia escatológica
A arte de Moore une antropologia, missão e uma teologia bíblica da reconciliação para visualizar o cumprimento de Apocalipse 7.9. A visão joanina de uma "grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" deixa de ser um conceito abstrato para se tornar carne, cor e identidade étnica, numa espécie de tradução multimodal, visual, da Palavra.
Para nós, brasileiros, é uma honra que Hyatt Moore tenha incluído no quadro um representante da etnia Canela, do Maranhão. Isto nos recorda o dinâmico labor do movimento de tradução da Bíblia no Brasil, que já possibilitou que o povo Canela, entre muitos outros, tivesse várias porções das Escritura Sagradas em sua língua do coração. Mas o quadro de Moore também nos faz refletir sobre as muitas etnias que ainda aguardam pela oportunidade de ouvir o Evangelho em seu idioma.
A obra de Moore nos relembra que o Evangelho pertence a "toda tribo, língua, povo e nação". Um esforço colaborativo e intencional de todos os cristãos, igrejas e organizações missionárias em prol da tradução e do uso das Escrituras, sob a bênção de Deus, reforça a esperança de que nenhuma etnia seja deixada de fora do banquete final do Cordeiro vencedor.

Um convite visual
A obra de Hyatt Moore funciona como um espelho missiológico. O quadro celebra a diversidade e a dignidade de cada cultura diante de Deus. Atualmente em exibição na Califórnia, a pintura continua a inspirar o mundo com sua mensagem que anima à missão por meio da tradução e do discipulado.
Para aqueles que desejam conhecer mais sobre o trabalho de Hyatt Moore, vale a visita ao seu site oficial (hyattmoore.com), onde sua arte continua a servir como ponte entre o sagrado e o transcultural. No site, há um vídeo com o próprio artista comentando a obra. No aplicativo YouVersion, Hyatt também construiu um plano de leitura (The Lord´s Supper by Hyatt Moore, Revelations in Art) com uma aplicação missional do quadro.
Esta obra de Hyatt Moore tem impactado milhares de pessoas com quem converso sobre tradução da Bíblia em seminários, congressos e conferências das quais participo. Costumo encerrar minhas falas mostrando um slide com The Last supper with twelve tribes. O quadro tem ajudado ao público e a mim a sairmos renovados no compromisso de levar a Palavra àqueles que ainda aguardam o convite para se sentarem à mesa com o Salvador. A Ceia só estará completa quando todas as vozes, em todas as línguas, puderem clamar juntas diante do trono, no Dia de Cristo.
Imagem: The Last Supper with Twelve Tribes, Hyatt Moore, 2000.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?
Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»O Cristão e a Arte em um Mundo em Desencanto, Rodolfo Amorim
» A Arte e a Bíblia, Francis Schaeffer
» O Mundo – Uma missão a cumprir, John Stott e Tim Chester
» Eu não sei como poderia estar mais feliz por ser um artista, Hyatt Moore | Entrevista
Por Paulo Teixeira
Sentar-se diante da obra The last supper with twelve tribes (A última ceia com doze tribos) é uma experiência que ultrapassa a estética. É um encontro com a própria visão do Reino de Deus. Tive o privilégio de conhecer pessoalmente este quadro de Hyatt Moore, um artista e missionário cuja trajetória está intrinsecamente ligada à Wycliffe Bible Translators (WTB, Tradutores Bíblicos de Wycliffe), organização em que Moore serviu por 32 anos, e da qual, por 5 anos, foi presidente.Pintada no ano 2000, segundo o próprio artista, a obra foi criada para celebrar a "inclusão de todos os povos sob Deus". Com impressionantes 6 metros de largura por 1 metro e 37 centímetros de altura, esta pintura a óleo sobre tela (com subpintura em acrílico) foi executada praticamente em tamanho real, criando uma experiência imersiva que nos transporta para o centro de uma mesa eucarística global.
A composição é uma releitura missiológica da obra clássica de Leonardo da Vinci, L´Ultima Cena (A última ceia), pintada na Itália por volta de 1496. Hyatt Moore inova rompendo com o eurocentrismo ao substituir os apóstolos tradicionais por representantes de doze povos distintos dos quatro cantos do mundo. Da esquerda para a direita, vemos: um representante do povo Crow (Estados Unidos), um Bérbere (Norte da África), um Masai (Quênia), e representantes de etnias da China, do Equador e do Afeganistão. No centro, Cristo permanece como o ponto de convergência, seguido por um Etíope, um Tzeltal (México), um indígena da etnia Canela (Brasil), e indivíduos de Papua-Nova Guiné, do povo Salish (Canadá) e da Mongólia.
Do Cenáculo ao mundo: A missão da mesa
A teologia da obra mergulha nas raízes da Palavra de Deus. Na primeira Santa Ceia, conforme registrado nos Evangelhos e em 1 Coríntios 11, Jesus estabelece o memorial de sua entrega. Aquele pão partido no cenáculo não ficaria restrito àquele momento e nem àquele grupo, mas servia de prelúdio da Nova Aliança para muitos, numa celebração do perdão e da vida a ser repetida e relembrada perpetuamente até o fim dos tempos.
Aquela mesa se expande por meio da Grande Comissão (Mt 28.19-20). Como Moore explica, Cristo está no centro de todos os povos e não está restrito a uma cultura ocidental ou do norte global. O movimento de tradução da Bíblia é o braço mais estendido dessa encarnação cultural: é o que permite que cada povo ouça, em sua própria língua materna, o convite de Cristo para a Ceia.
Antropologia e a ceia escatológica
A arte de Moore une antropologia, missão e uma teologia bíblica da reconciliação para visualizar o cumprimento de Apocalipse 7.9. A visão joanina de uma "grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" deixa de ser um conceito abstrato para se tornar carne, cor e identidade étnica, numa espécie de tradução multimodal, visual, da Palavra.
Para nós, brasileiros, é uma honra que Hyatt Moore tenha incluído no quadro um representante da etnia Canela, do Maranhão. Isto nos recorda o dinâmico labor do movimento de tradução da Bíblia no Brasil, que já possibilitou que o povo Canela, entre muitos outros, tivesse várias porções das Escritura Sagradas em sua língua do coração. Mas o quadro de Moore também nos faz refletir sobre as muitas etnias que ainda aguardam pela oportunidade de ouvir o Evangelho em seu idioma.
A obra de Moore nos relembra que o Evangelho pertence a "toda tribo, língua, povo e nação". Um esforço colaborativo e intencional de todos os cristãos, igrejas e organizações missionárias em prol da tradução e do uso das Escrituras, sob a bênção de Deus, reforça a esperança de que nenhuma etnia seja deixada de fora do banquete final do Cordeiro vencedor.

Um convite visual
A obra de Hyatt Moore funciona como um espelho missiológico. O quadro celebra a diversidade e a dignidade de cada cultura diante de Deus. Atualmente em exibição na Califórnia, a pintura continua a inspirar o mundo com sua mensagem que anima à missão por meio da tradução e do discipulado.
Para aqueles que desejam conhecer mais sobre o trabalho de Hyatt Moore, vale a visita ao seu site oficial (hyattmoore.com), onde sua arte continua a servir como ponte entre o sagrado e o transcultural. No site, há um vídeo com o próprio artista comentando a obra. No aplicativo YouVersion, Hyatt também construiu um plano de leitura (The Lord´s Supper by Hyatt Moore, Revelations in Art) com uma aplicação missional do quadro.
Esta obra de Hyatt Moore tem impactado milhares de pessoas com quem converso sobre tradução da Bíblia em seminários, congressos e conferências das quais participo. Costumo encerrar minhas falas mostrando um slide com The Last supper with twelve tribes. O quadro tem ajudado ao público e a mim a sairmos renovados no compromisso de levar a Palavra àqueles que ainda aguardam o convite para se sentarem à mesa com o Salvador. A Ceia só estará completa quando todas as vozes, em todas as línguas, puderem clamar juntas diante do trono, no Dia de Cristo.
- Paulo Teixeira é Diretor de Relações Institucionais da SBB e Coordenador da Aliança Pró-Tradução da Bíblia (APTB), uma das alianças estratégicas da AMTB
Imagem: The Last Supper with Twelve Tribes, Hyatt Moore, 2000.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
»O Cristão e a Arte em um Mundo em Desencanto, Rodolfo Amorim
» A Arte e a Bíblia, Francis Schaeffer
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» Eu não sei como poderia estar mais feliz por ser um artista, Hyatt Moore | Entrevista
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