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Opinião

As redes sociais e os irmãos de carne e osso

Por Rubem Amorese

*Artigo publicado na edição 381 da revista Ultimato. 

Muitos têm sido os estudos sobre os efeitos da pós-modernidade sobre a igreja. Para facilitar o entendimento, autores criam rótulos e metáforas. Assim é que, no livro Icabode, chamo o resultado da pluralização de “sociedade supermercado”, onde milhares de produtos culturais competem pela escolha do consumidor, nas prateleiras da vida. Outro fenômeno pós-moderno é a privatização. Diante das prateleiras, o cidadão escolhe por critérios íntimos, pessoais. Com a fragmentação da vida, vai desaparecendo o consenso. Do mesmo modo, ao colocar Deus nas prateleiras, temos a secularização: você escolhe e adota o deus que melhor se ajusta ao seu estilo de vida. Que pode ser você mesmo, claro.

O filósofo polonês Zygmunt Bauman, falando sobre a “sociedade líquida”, diz que as redes sociais e o facebook nos dão a sensação de proteção e abrigo do medo inconsciente do abandono. No entanto, pondera: “Na verdade, muitas vezes você está cercado de pessoas tão solitárias quanto você”.

Samuel Vieira, em um artigo no portal “Contexto”,1 lança o conceito de opacidade, retirado da falta de transparência da córnea, ampliando-o, em seguida, para a opacidade institucional, governamental e, também, pessoal. É interessante pensar que a privatização produza opacidade. Vieira nos lembra que no mundo grego era impossível pensar em uma felicidade individual, sem o outro. Temos descoberto que o isolamento nos torna opacos até para nós mesmos.

Com isso, adoecemos. A impermeabilidade viola as nossas “especificações de fábrica”. As empresas opacas perdem mercado; as instituições governamentais sem transparência sofrem de ineficiência e geram desconfiança na população; e as pessoas solitárias, individualizadas, adoecem. Então, vem a neurociência e nos ensina que a solidão mata mais que fumar quinze cigarros por dia. No Reino Unido, esse fenômeno já é tratado como epidemia pela saúde pública.2

A solução para esse problema pós-moderno é a busca deliberada pelo outro – o retorno à comunidade, formada por pessoas de carne e osso. Sem intermediações. Nesse momento, as redes sociais e os aplicativos de relacionamento e comunicação podem facilitar a nossa vida, pois já não substituirão o mundo real. E é aí que a igreja se agiganta como espaço de encontro, de convívio, de serviço, de calor-de-abraço.

O grande problema é que, modernamente, não precisamos, não sabemos – e não desejamos – suportar os efeitos colaterais dessa proximidade. Menos ainda da permeabilidade. Comparo a permeabilidade ao “abraço de porco-espinho”. Sabemos que teremos o calor do abraço ao preço das espetadas. E só nos disporemos a sofrer as espetadas se valorizarmos o calor dos abraços.

Para voto de Ano-Novo: desejamos confessar uns aos outros os nossos pecados, e orar uns pelos outros, para sermos curados (Tg 5.16) da nossa impermeabilidade, da nossa orfandade, da nossa solidão? Ainda mais sabendo que essa confissão, para além do que eu tenha feito, deve revelar quem eu sou? Desejamos, mesmo, a dor e a bênção da permeabilidade?

Notas
1. Disponível aqui.
2. GARATTONI, Bruno; LACERDA, Ricardo. “A Explosão da Solidão”. Super, set. 2019.

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Autor de, entre outros, Fábrica de Missionários, Louvor, Adoração e Liturgia, Meta-História, Icabode e Ponto Final, Rubem Martins Amorese é consultor legislativo (aposentado) no Senado Federal e presbítero emérito na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília (FTBB) por vinte anos e presidente do Diretório Regional – DF da Sociedade Bíblica do Brasil. Foi diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal (Prodasen) e integrou a Comissão de Inquérito que desvendou a violação do painel eletrônico do Senado Federal.

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