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Por Escrito

A escuridão de Lu Xun

Por Caleb

Muito antes de ser considerado o pai da literatura contemporânea chinesa, o jovem Lu Xun (鲁迅) no começo do século passado, deixou de lado as traduções que fazia para o Mandarim das obras de Nietzsche e se debruçou em algo que conhecera ali mesmo nos escritos críticos do filósofo alemão ao cristianismo: a figura do profeta sofredor, Jesus Cristo de Nazaré. E mais do que um personagem ilustre de uma grande história ocidental, o escritor chinês se identificou profundamente com a pessoa polêmica do grande mestre e o impasse violento que ele teve com o povo hebreu, que ele dizia ter vindo salvar.

Na busca que se arrastou pelos próximos anos de sua vida, Lu Xun mergulhou nas páginas dos livros do Novo Testamento para tentar entender como Jesus havia paradoxalmente amado homens que ele dizia serem maus e que não poderiam se tornar bons sozinhos, sem a ajuda de Deus (a quem o Cristo chamava de Pai). E nesse processo, Lu Xun trás ao mundo literário da grande nação tradicionalmente confucionista algo que não era comum nas narrativas e nem no estilo literário de seus livros: a doutrina do pecado original e da depravação do coração humano.

Em uma de suas novelas mais aclamadas, “O Diário de um Homem Louco”, o escritor narra a história de alguém que está perdendo a cabeça por ter descoberto que “pessoas de almas e corações amaldiçoados comiam a carne de outras pessoas” (uma exemplificação de quão mau o homem pode ser). Essa “maldição” é algo que ele reconhece ser presente nos homens como uma informação objetiva do DNA do ser humano. Porém, após algum tempo, a crise do homem que mantém um diário das loucuras do mundo se agrava ao reconhecer em si a mesma maldade intrínseca no coração de todos aqueles que ele julgava serem maus. O personagem se lembra que quando criança havia comido a carne da sua própria irmã, ou seja, que a perversidade facilmente observável em homens ao seu redor existia nele também, desde quando nasceu. E então o “Homem Louco” enlouquece de vez por não haver como se redimir de quem ele era e do que ele havia feito.

As ideias de Jesus, segundo Lu Xun, criaram para si um livre espaço de auto reflexão para a possibilidade da descoberta do “eu” como ele realmente é. Assim, a consciência do pecado como situação irremediável do coração humano que ele mesmo passou a enxergar e a transferir para as suas histórias mais famosas, veio do grande rabi apresentado pela Bíblia, e não de nenhuma das escolas de pensamento filosófico tradicionalmente chinesas.

Mas o escritor chinês não conseguia aceitar a redenção que o próprio Jesus oferecia de graça para aqueles que reconhecessem suas existências feridas e se arrependessem de sua maldade. Em seu poema “A despedida da sombra”, Lu Xun deixa claro que concorda com o discípulo João quando ele diz que “aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz”, mas se recusa a tomar para si a prescrição médica necessária pra sair das trevas. Ele, então, escreve: “Eu não sou nada além de uma sombra que vai se despedir de você e afundar dentro da escuridão. A escuridão me engolirá, senão a luz me fará desaparecer. Então melhor é eu sumir dentro das sombras, porque esse mundo pertence todo a mim”.

Lu Xun dizia amar o povo chinês e desejava ardentemente guiá-lo por um caminho superior ao da mediocridade existencial, assim como Jesus havia feito com os judeus de sua época. Mas o primeiro passo essencial a ser tomado foi justamente o que Lu Xun relutou por fazer durante toda a sua vida: deixar que Jesus o redimisse de sua própria maldade e liberasse a sua alma da dor do pecado. O escritor confessou acreditar que Cristo oferecia meios para “salvação” sociocultural das massas, mas rejeitou completamente a redenção oferecida por Jesus no âmbito pessoal e puramente individual. E foi a escuridão onde Lu Xun decidiu permanecer que o fez incapaz de dar o passo de fé requerido para que o dono de toda luz e redentor de todo coração perverso pudesse brilhar em seu coração.

Caleb é um jovem brasileiro, estudante em país com restrição à comunicação do Evangelho.

Foto: Wikimedia Commons

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